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        Alcides Ghiggia: o carrasco do Maracanazo

        Texto por Carlos Ramos
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        Seria muito cruel tratar Alcides Ghiggia apenas como o "carrasco do Maracanazo". Cruel com Ghiggia, cruel com Barbosa, cruel com o futebol. Alcides Ghiggia foi um dos grandes atacantes de seu tempo, um herói no Uruguai e um ídolo no futebol italiano, onde brilhou pela Roma e foi campeão pelo Milan.  

        Alcides começou a carreira no Sud América, equipe da segunda divisão uruguaia. Se destacou no campeonato de 1947 e chamou a atenção dos dois grandes: Nacional e Peñarol. Esteve perto de jogar pelo primeiro, mas, como contou anos mais tarde no livro "O gol do século", Ghiggia foi escolhido pelo segundo. 

        "O Nacional me disse que eu deveria procurar o Sud América para colocar um preço no meu passe porque se fossem eles a procurar, o Sud América ia colocar um preço alto. Eu disse que sim, que iria, mas não fiz nada. Se eles me quisessem, que fossem falar com o Sud América! No início de 1948, os dirigentes do Sud América me chamaram e me disseram que eu ia ao Peñarol junto com Omar e Antonio (outros atletas). Foi Tito Lacoste quem me comunicou. Ele perguntou: 'você almoçou?'. 'Sim'. 'Bom, então vai para o estádio que hoje você joga no Peñarol'". 

        Assim foi a estreia, no campo do Peñarol, com seu pai e sua mãe vendo a partida nas arquibancadas. Ghiggia fez sucesso rápido no clube e, em 1949, foi campeão uruguaio invicto. O Peñarol, então, formou a base da seleção uruguaia para a Copa do Mundo de 1950, a ser disputada no Brasil. 

        Antes do Mundial, Ghiggia chegou a fazer três amistosos contra a seleção brasileira: uma vitória para os uruguaios, duas para os brasileiros. A estreia na Copa foi facilitada pela Celeste Olímpica estar no grupo mais fácil da primeira fase: teve como única adversária a Bolívia. Ghiggia marcou um dos gols na goleada por 8 a 0. 

        Na fase seguinte, mais dificuldades, mas Ghiggia marcou nos quatro jogos que fez naquela Copa. Contra a Espanha, contra a Suécia e contra o Brasil. Este tento, diante dos brasileiros, vale um capítulo à parte. Vale um filme, vale um livro, vale um poema. Valeu, para o Uruguai, o mundo. 

        Aos 34 minutos do segundo tempo, Ghiggia avançou pelo flanco direito e bateu forte, superando Barbosa. O Uruguai virou o confronto com o Brasil, venceu por 2 a 1 e se sagrou campeão do mundo diante de 200 mil pessoas no Maracanã. 

        Muitos boatos surgiram que Ghiggia fora agredido depois daquela partida, por ter ficado marcado na história como o grande carrasco brasileiro. Arcadio Ghiggia, filho do atacante, negou tais boatos anos depois em entrevista ao Globoesporte.com

        "Meu pai sempre falava comigo de forma carinhosa do Brasil. Contava que sempre foi recebido muito bem. Em Roma, estão fazendo um museu do clube e um jornalista disse que depois do jogo tiveram que tirá-lo rápido, porque haviam machucado meu pai por causa do gol. Eu tive que dizer que não houve nada disso. É tudo mentira. Os uruguaios foram recebidos bem e se despediram bem também", revelou. 

        Ghiggia ficou sentido, também, por Barbosa ter sido culpado ao longo de décadas por aquele gol, que foi considerado por muitos "o gol do século", marcando a carreira de Ghiggia. Mas a trajetória do atacante no futebol não se resumiu ao tento. 

        Ídolo em Roma

        Ghiggia se transferiu para a Roma em 1953 como um dos grandes jogadores do futebol mundial. Foi acolhido na cidade e se tornou ídolo do clube, que na época se recuperava da queda de divisão de 1951 e se mudava para o Olímpico de Roma. 

        O uruguaio se adaptou rapidamente ao futebol italiano e, junto com Schiaffino, companheiro de seleção em 1950 e também no Peñarol, foi convidado a jogar pela Itália. Apesar da dupla uruguaia, os italianos não conseguiram classificação para a Copa de 1958. 

        Ghiggia teve a companhia de Schiaffino também na Roma e, em 1961, ambos foram campeões da Taça das Feiras, uma versão antiga da Liga Europa. Segundo as contas da Roma, Ghiggia fez 213 jogos pelo clube e marcou 19 gols. 

        Depois do sucesso na capital, Ghiggia vestiou a camisa do Milan mas, já veterano, jogou pouco. Ainda assim, fez quatro partidas na campanha que o deu seu único título do Campeonato Italiano da carreira. Na temporada seguinte, voltou ao Uruguai para defender o Danúbio até se aposentar em 1968, com 42 anos. Morreu em 2015 e foi velado no Parlamento de Montevidéu como um herói que foi. 

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