“Endividamento é histórico e estrutural”. ANJL contesta estudo que culpa as apostas

Publicado em: 29/04/2026 14:10Atualizado em: 29/04/2026 14:10
Fernando Pereira
Autor: Fernando Pereira
“Endividamento é histórico e estrutural”. ANJL contesta estudo que culpa as apostas
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A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) não vai deixar que as apostas online sejam responsabilizadas pelo endividamento das famílias brasileiras.

Em resposta ao estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a ANJL afirma que a inadimplência no Brasil decorre de crédito caro e custo de vida elevado.

“O endividamento no país é um problema histórico e estrutural, associado principalmente ao alto custo do crédito, aos juros elevados e à pressão do custo de vida sobre a renda”, explica a entidade, em nota oficial.

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Apostas são responsáveis pelo endividamento?

No início desta polêmica está um estudo da CNC que associa as apostas online ao aumento do endividamento das famílias brasileiras.

Porém, esse estudo não usou a metodologia correta, na interpretação da ANJL. “Recortes amostrais não podem se sobrepor às bases públicas disponíveis nem sugerir uma relação causal direta entre apostas online e inadimplência do cliente”, explica a associação que representa a indústria das apostas e jogo online.

Além disso, “os números apresentados pela CNC contrariam os dados oficiais do governo e do setor”, diz ainda a ANJL.

Para esta entidade, o debate sobre o endividamento das famílias precisa considerar a natureza multifatorial do problema e ter como base evidências técnicas e dados consolidados do mercado.

“O setor permanece à disposição para contribuir com um debate público sério, técnico e baseado em evidências”

Nota da ANJL

Qual o perfil dos apostadores?

Nessa resposta ao estudo da CNC, a ANJL mostra ainda dados divulgados pela Pay4Fun, que aponta comportamento heterogêneo entre apostadores, e um estudo da LCA Consultoria Econômica, segundo o qual as apostas representam apenas cerca de 0,46% do consumo das famílias.

Nesse mês, foi também divulgado que as dez principais casas de apostas a operar no mercado regulamentado injetaram R$ 327 bilhões em publicidade no Brasil.

Ainda em defesa da indústria, a entidade destaca a importância da regulamentação: “O mercado regulado opera sob supervisão do Ministério da Fazenda, com regras de identificação de usuários, prevenção à lavagem de dinheiro, proteção ao consumidor e promoção do Jogo Responsável”.

Por isso, uma associação do endividamento das famílias às apostas online, setor regulamentado e com impacto relevante na economia brasileira, pode até contribuir para agravar o problema, levando o apostador a usar plataformas ilegais.

“Enfraquecer o ambiente regulado beneficia apenas operadores clandestinos, que atuam sem fiscalização, sem arrecadação tributária e sem garantias aos usuários”, finaliza a ANJL.

O que diz o estudo do CNC?

A pesquisa do CNC responsabiliza as apostas online por uma retirada de R$ 143,8 bilhões do comércio brasileiro, entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025.

Isto porque, pelos números do estudo, o gasto mensal em apostas nesses dois anos aumentou de R$ 4 bilhões para R$ 29 bilhões.

Fabio Bentes, o economista responsável pelo levantamento do CNC, associa cada R$ 1 bilhão usado em apostas a uma redução de 0,7% no faturamento do varejo.

Fernando Pereira

• Bauru-SP
• Apostador desde 2011
• Especialista em futebol brasileiro, NBB e ligas sul-americana

 

Apostador desde 2011, eu escrevo para portais desde 2017, passando por grandes portais de apostas do Brasil e casas de apostas. Durante um período, também trabalhei diretamente para sindicatos internacionais de apostas, passando notícias e pré-análises, além de indicar apostas de alta liquidez. Produzo dicas focadas em análises estatísticas e que busca EV+ nas linhas oferecidas, sobretudo no mercado asiático. Apaixonado por futebol, escrevo com foco em passar os prós e contras de um palpite e de uma análise, sempre prezando para que o leitor tenha segurança para fazer sua escolha e se divertir.