
Em apenas um ano de mercado regulamentado, o Brasil rompeu a barreira da desconfiança e consolidou sua posição entre as maiores potências globais de apostas esportivas.
Segundo dados da consultoria internacional Regulus Partners, o país encerrou o primeiro ciclo de vigência da Lei 14.790/2023 ocupando a quinta posição no ranking mundial, com um faturamento de US$4,139 bilhões (cerca de R$22 bilhões).
Afinal, só no primeiro ano do mercado de apostas regulado valeu ao Brasil cerca de R$3 bilhões em arrecadação de tributos para os cofres públicos.
O feito ganha contornos históricos quando comparado aos líderes do setor. O topo da lista é ocupado pelos Estados Unidos, que faturam US$17,3 bilhões após uma explosão de legalizações estaduais desde 2018.
Vale lembrar que os EUA ainda têm espaço para crescer, já que alguns Estados ainda não legalizaram ou legalizaram apenas parcialmente as apostas.
Em seguida, aparece o Reino Unido (US$9,9 bi), referência mundial em regulamentação desde 2005. As principais casas de apostas nasceram por lá, a exemplo da Bet365, a maior do mundo atualmente e muito conhecida aqui no Brasil por causa de suas Odds Aumentadas e outras promoções.
Os britânicos sempre tiveram uma cultura de apostas enraizada, principalmente apostas em corridas de cavalos e de galgos, o que ajuda o território com cerca de 70 milhões de habitantes a ocuparem a segunda posição.
Na terceira posição vem a Itália (US$4,6 bi) e, em seguida, a Rússia (US$4,5 bi). Note que estes dois países faturam pouco mais do que o Brasil. No caso da Itália, a diferença é de “apenas” 460 milhões de dólares.
Enquanto esses países levaram décadas para amadurecer seus sistemas, o Brasil precisou de apenas 12 meses para começar a incomodar o pelotão de elite.
Aliás, projeções apontam que o Brasil pode terminar o ano de 2026 no Top 3 de faturamento no mercado de apostas.
Apesar da entrada triunfal no Top 5, o potencial de crescimento do Brasil ainda é visto como imenso.
Analistas apontam que, por ser um mercado com apenas um ano de vida regulamentada, a tendência é de uma escalada contínua, com chances reais de ultrapassar Itália e Rússia no curto prazo.
O próximo grande salto deve ocorrer na Copa do Mundo de 2026; a projeção é que o torneio movimente R$19 bilhões apenas em apostas de brasileiros, inaugurando uma nova era de rentabilidade e maturidade para o setor no país.
O motor desse crescimento meteórico foi a combinação entre a paixão nacional pelo futebol e a eficiência tecnológica do Pix. Com transações instantâneas, o mercado brasileiro atraiu 25 milhões de apostadores ativos - aproximadamente 12% da população.
Sem a burocracia de sistemas de pagamento que dependem de compensação de boletos ou cartões de crédito, as apostas explodiram. Numa conversa de bar, durante um jogo de futebol, é muito mais fácil, no calor do momento, fazer um depósito instantâneo via Pix do que cadastrar um cartão de crédito numa casa de apostas.
A onipresença das marcas também impressiona: a maioria dos clubes da Série A do Brasileirão possuem patrocínios de casas de apostas, seja máster ou secundário, somando quase R$600 milhões em investimentos publicitários por ano.
As transmissões, seja por streaming ou nas TVs abertas e fechadas, também contam com grande presença de propagandas de operadoras de apostas.
O cenário é otimista, mas cada vez mais se faz necessária uma atenção para as regras de Jogo Responsável, já que os jogos também podem trazer problemas financeiros e de saúde.
Autor
Jornalista formado pela PUCPR, possui mais de 13 anos de experiência com futebol e apostas esportivas. Fez sua primeira aposta em 2013 e, de lá para cá, nunca mais parou de produzir sobre apostas.
Jornalista formado pela PUCPR, possui mais de 13 anos de experiência com futebol e apostas esportivas. Fez sua primeira aposta em 2013 e, de lá para cá, nunca mais parou de produzir sobre apostas.