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Romário, o gênio da grande área

Texto por Ryann Gomes
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Para os apaixonados por futebol é impossível não conhecer e/ou admirar o legado futebolístico deixado por Romário de Souza Faria, conhecido como apenas Romário ou "Baixinho". Nascido no Rio de Janeiro em 29 de Janeiro de 1966, o carioca é filho do senhor Edevair de Souza Faria e de dona Manuela Ladislau Faria.

Morador do Jacarezinho durante a infância, Romário, apesar de muitos não imaginarem, sabia desde o princípio que o seu destino seria muito além dos campinhos de terra na Zona Norte da Cidade Maravilhosa. Idolatria, irreverência e muitos, repito, muitos gols resumem a vida de um verdadeiro gênio da grande área.

Primeiros passos na Rua Bariri

Em 1979, um menino de 13 anos, medindo 1,68 cm, chega ao Olaria Atlético Clube, levado por olheiros que o haviam acompanhado em peladas na Vila da Penha.

Especificamente no dia 25/11/1979, Romário, aos treze anos, entrou em campo pela primeira vez na sua carreira futebolística. Em uma partida válida pelo Campeonato Carioca infantil. A partida foi entre Olária e América, no campo da rua Bariri. O atacante Romário fez três gols, o jogo acabou em 5 a 1 para o Olaria. Romário saiu como o destaque da partida, começando a chamar a atenção de todos. Terminou o Campeonato Carioca campeão e artilheiro com sete gols.

Depois de lindas exibições e muitos gols marcados, o Baixinho se transferiu para os juvenis (atual sub-17) do Vasco da Gama, clube em que alcançaria projeção mundial.

Chegada ao Cruz-Maltino

Em 1981, com apenas 15 anos, o "Baixola" chegou ao Vasco da Gama, levado pelo primo Clóvis, jogador da equipe de juniores do clube da Colina. Até o fim de 1984, o atacante representou as categorias de base do clube, sendo campeão em todas elas.

Sua estreia na equipe profissional aconteceu em 6 de fevereiro de 1985, no jogo Vasco 3 x 0 Coritiba, válido pela Taça de Ouro, denominação dada ao Campeonato Brasileiro na época. Seu primeiro gol no "time de cima" só foi acontecer seis meses depois, no jogo Vasco 6 x 0 Nova Venécia.

Na primeira passagem pelo Vasco, num total de quatro, Romário encontrou seu ápice em 1988. Ele, que já havia sido campeão estadual e artilheiro em 1987, título conquistado sobre o maior rival, o Flamengo, repetiu o feito em 1988, novamente derrotando o Flamengo e conquistando a artilharia do campeonato.

No mesmo ano, o Baixinho, ainda como jogador vascaíno, foi convocado e artilheiro da seleção brasileira nas Olimpíadas de Seul e, embora o Brasil não tenha conquistado a medalha de ouro, seu talento foi apresentado ao mundo.

Romário encanta o continente europeu

A transferência de Romário para o PSV Eindhoven foi a maior realizada no futebol nacional na época. O atacante custou 6 milhões de dólares, cerca de R$ 24 milhões, aos cofres holandeses. Na Holanda, o Baixinho foi campeão nacional em 1988/89 e 1990/91, sendo goleador máximo do campeonato em 1988/89, 1990/91 e 1991/92.

As atuações de Romário no PSV impressionaram o mundo da bola, principalmente Johan Cruyff, na época treinador do Barcelona, e o clube espanhol aceitou pagar cerca de US$ 4,5 milhões (R$ 18 milhões) por sua contratação.

No Camp Nou, o Baixinho teve um início arrasador já na pré-temporada, marcando 17 gols em 12 partidas. Romário estreou oficialmente em 5 de setembro de 1993, no jogo Barcelona 3 x 0 Real Sociedad, com os três gols marcados por ele, que foi ovacionado por mais de 70 mil torcedores. 

Com o sucesso no time azul-grená, ele conseguiu recuperar o seu espaço na seleção brasileira e conquistou o título espanhol da temporada 1993-94.

Conquista do tetra e retorno ao Brasil

O brilho intenso do atacante foi capaz até de ofuscar as polêmicas que o mesmo teve com a comissão técnica da seleção brasileira na preparação para a Copa do Mundo de 1994, realizada nos Estados Unidos. Apesar da personalidade forte e de algumas atitudes impensadas, o Baixinho provou com gols que merecia estar no Mundial.

Das sete partidas da campanha brasileira na Copa, Romário só não marcou no 1 a 0 contra os Estados Unidos, mas deu o passe para o gol de Bebeto, seu grande parceiro, e na final com a Itália, onde foram 120 minutos de tentativas frustradas dos dois ataques restando a Romário marcar um dos gols que deram a vitória do Brasil na decisão por pênaltis.

No mais, o artilheiro marcou presença: um gol nos 2 a 0 de estreia contra a Rússia, outro nos 3 a 0 sobre Camarões, mais um no empate de 1 a 1 com a Suécia, outro nos 3 a 2 das quartas de final com a Holanda e o último no reencontro com os suecos pela semifinal, 1 a 0, o gol de cabeça de Romário, a dez minutos do fim.

Além da presença decisiva na conquista do tetracampeonato após 24 anos, Romário foi eleito o melhor jogador do mundo em 94. Em alta e super valorizado, o jogador tomou uma atitude que surpreendeu o mundo. Em 1995, o atacante resolve largar sua carreira de sucesso no exterior e retornou ao Brasil para jogar no Flamengo.

Na Gávea, Romário chegou como a grande estrela e formou o chamado "ataque dos sonhos", com Sávio e Edmundo. Porém, o trio acabou não se entrosando e o atacante fracassou em sua primeira temporada no clube rubro-negro. No ano seguinte ele se recuperou e levou o Carioca de 1996. Após passagem apagada pelo Valencia, ele retornou ao Rubro-Negro em 1998.

Ida ao Fluminense e a busca pelo "milésimo"

Depois de mais uma passagem bem sucedida pelo Vasco entre 2000/2002, o jogador foi atuar em sua terceira equipe grande no Rio de Janeiro. Nas Laranjeiras, Romário oscilou entre boas atuações e seguidas lesões.

Um dos melhores momentos foi ter ajudado o clube a chegar à semifinal do Brasileiro, em 2002. No ano seguinte, ele marcou sua passagem pelas confusões: agredindo um torcedor que o irritou durante um treino e dando um soco no zagueiro Andrei, companheiro de equipe, na derrota para o São Paulo.

Foi no Tricolor Carioca que Romário, segundo seu staff, ultrapassou a marca dos 900 gols na carreira, dando início a uma busca incessante pelo tão sonhado milésimo gol. Para alcançar o feito, o Baixinho acumulou mais uma passagem pelo Vasco da Gama, passou futebol árabe, pelo Miami FC, dos Estados Unidos, além do Adelaide, da Austrália.

O "gol 1000" e a aposentadoria

Não poderia ser em outro clube. Na sua quarta e última passagem pelo Cruz-Maltino, Romário chegou a importante marca de "1000" gols na carreira. O número de gols segue entre aspas, pois, até hoje, existem divergências em relação ao número de tentos anotados pelo Baixinho, o que não diminui em nada a genialidade do atacante, principalmente dentro da grande área.

Somando apenas jogos de competições oficiais, Romário fez 745 tentos em 959 jogos. Mas nas contas do atacante, e de seu staff, foram mais de 250 em jogos não-oficiais e de outras categorias. 

O jogo que marcou o milésimo gol nas contas de Romário aconteceu no dia 20 de Maio de 2007, em São Januário, na partida entre Vasco e Sport, pelo Campeonato Brasileiro. O Romário marcou um gol na partida, de pênalti em cima do goleiro Magrão. Na ocasião, o gênio da grande área tinha 41 anos e quatro meses de idade.

Em 3 de novembro de 2007, Romário, que chegou até a ser jogador-treinador na Colina, entrou em campo pela última vez como profissional representando o Vasco da Gama. O artilheiro entrou no segundo tempo no lugar de Andrade, mas não evitou a derrotar vascaína por 2 a 1, na ocasião. O anuncio oficial da aposentadoria só feito no ano seguinte, durante lançamento do DVD "Romário é gol".

O último jogo oficial de Romário, porém, foi vestindo a camisa do America Football Club, realizando o sonho da vida de seu já falecido pai, seu Edevair, torcedor fanático do time rubro. No campo, o Diabo venceu o Artsul, por 2 a 0, e conquistou o acesso à elite do futebol carioca, com o Baixinho sendo carregado pelos torcedores.

Fim de carreira vitoriosa para um dos maiores jogadores de todos os tempos. Para muitos, dentro da grande área, o MAIOR de todos os tempos!

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