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Ronaldinho Gaúcho: o Bruxo que fez sonhar enquanto sorriu

Texto por Carlos Ramos
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Ronaldinho Gaúcho foi um jogador único, e isso ninguém pode negar. Difícil citar na história do futebol um craque com tamanha habilidade, carisma e genialidade, que olhava para um lado, e tocava no outro. Que sorria por jogar, e jogava para sorrir. Ronaldinho parecia jogar sempre sorrindo. Quando parou de sorrir, é que a coisa se complicou, e o gênio desistiu do futebol cedo demais. Ainda assim, o que se viu de Ronaldinho ficou na memória de quem aprecia o futebol arte. 

A começar pelo Grêmio. Antes da saída brigada, e da volta que não aconteceu, Ronaldinho era um menino em início de carreira que prometia muito. Franzino, fazia a torcida gremista sorrir com lances geniais. Seja contra um adversário modesto, ou contra o maior rival. 

Em 1999, talvez Ronaldinho tenha tido o primeiro grande momento de protagonismo. Na final do Campeonato Gaúcho daquele ano, o atacante engoliu Dunga, o capitão do tetra, em um Gre-Nal histórico. Ronaldinho fez o que quis com Dunga e ainda marcou o gol do título gaúcho após linda jogada. 

Já era o segundo ano como profissional do menino, o primeiro de maior destaque. Poucos dias depois de ter brilhado no Gre-Nal, Ronaldinho jogou pela primeira vez com a camisa da seleção, em amistoso contra a Letônia. Em seguida, acompanhou o time na Copa América de 1999. 

Logo na estreia na competição, Ronaldinho saiu do banco para infernizar os zagueiros venezuelanos. Praticamente no primeiro toque na bola, Ronaldinho deu um chapéu em Manuel Rey, tirou de Jorge Rojas e marcou um gol histórico. "Olha o que ele fez"... 

Ronaldinho seguiu "fazendo" naquele ano, e o Brasil acabou campeão da Copa América. O atacante jogou ainda a Copa das Confederações, e teve protagonismo com gols. Marcou contra Alemanha, Estados Unidos e Nova Zelândia. Aproveitou a frágil Arábia Saudita e conseguiu o primeiro hat-trick.  Na final, porém, o Brasil perdeu para o México. 

A ida para Paris

Protagonista na seleção, Ronaldinho Gaúcho já começava a ser comentado na Europa. E o Paris Saint-Germain apareceu como candidato a tirá-lo do Sul. A saída era inevitável, mas da forma como aconteceu acabou manchando a relação do craque com a torcida gremista.

O Tricolor fez jogo duro para vender Ronaldinho, que assinou, às escondidas, um pré-contrato com o PSG. O caso acabou na Justiça, e Ronaldinho ficou meses sem jogar até conseguir a liberação para atuar na França, em agosto de 2001. 

Os parisienses ainda estavam engatinhando no futebol francês. Tentavam, com o jovem brasileiro, alcançar a soberania no país, mas a campanha no primeiro ano teve apenas um quarto lugar na Ligue 1. Ronaldinho marcou 13 gols em 40 jogos. As atuações em campo eram ofuscadas pelas polêmicas com o treinador Luis Fernández, que criticava o profissionalismo do jovem. 

Brasil volta ao topo

De qualquer forma, Ronaldinho seguiu como grande promessa da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2002. Luiz Felipe Scolari deixou Romário de fora da lista final, e apostou no jovem atacante, além de dar chance a um Ronaldo que lutava contra problemas físicos. 

No fim, a aposta de Felipão deu certo. O time encaixou dentro e fora de campo. Ronaldinho Gaúcho foi titular do time que sofria em alguns momentos, mas conseguia seguir adiante na competição. Coadjuvante para Rivaldo e Ronaldo, o Gaúcho foi decisivo na semifinal. 

Contra a Inglaterra, marcou o gol mais surpreendente daquela Copa. Em cobrança de falta de muito longe, e sem ângulo, mandou bola direto para o gol e surpreendeu o experiente David Seaman. Naquele jogo, Ronaldinho já havia dado assistência para o gol de Rivaldo, depois de grande jogada, mas acabou expulso. 

O Dentuço voltou para a decisão, contra a Alemanha, e viu Ronaldo, o Fenômeno, decidir com os dois gols que decretaram o pentacampeonato da seleção brasileira na Copa da Coreia e do Japão. Ronaldinho ganharia outro status a partir dali. 

Polêmicas na França

Quando voltou para Paris, Ronaldinho Gaúcho fez questão de fazer valer o novo status que conquistou na Copa. O treinador Luis Fernández não gostou nada da postura do atleta, que começava a curtir a noite da cidade além da conta. 

Ronaldinho Gaúcho acabou castigado com algumas partidas no banco de reservas. Ainda assim, Ronaldinho foi capaz de lances como contra o Guingamp, quando fez grande jogada individual e marcou o gol que foi considerado o grande lance da Ligue 1. 

No final das contas, porém, o PSG fez péssima campanha no Campeonato Francês, com o 11º lugar, e perdeu o título na Copa em decisão vencida pelo Auxerre, na capital francesa. As coisas não caminhavam bem...

Sem clima na cidade, Ronaldinho foi protagonista de outra saída polêmica. O PSG não estava disposto a se desfazer de sua principal aposta para o futuro, mas Ronaldinho queria deixar a França. A vontade do jogador prevaleceu, e a história do futebol mudou. 

Protagonista em Barcelona

O Barcelona vivia sob a sombra dos galácticos do Real Madrid. Joan Laporta, então candidato a presidência culé, usou o nome de David Beckham para ganhar a eleição, mas trouxe mesmo foi Ronaldinho. Aposta certeira: o brasileiro mudaria o patamar do clube. 

Ronaldinho recebeu a camisa 10, e levou a mágica para o Camp Nou. E o "Bruxo" fez suas bruxarias por lá... Logo na estreia no Camp Nou, marcou um golaço contra o Sevilla. Recebeu bola na esquerda, driblou dois marcadores e acertou um lindo chute. 

Ronaldinho chegou ao nono jogo com a camisa blaugrana com um triplete diante do Puchov, pela Liga Europa. No 23º jogo, fez um dos lances mais bonitos da carreira, aplicando três chapéus em um mesmo adversário, em duelo contra o Athletic. 

Na primeira temporada no futebol espanhol, Ronaldinho se destacou pelos gols, anotando 22 tentos em 45 jogos. O time, que vinha de uma sexta colocação na temporada anterior, acabou com o vice-campeonato, na frente do Real Madrid (o título ficou com o Valencia). 

O ápice 

Ronaldinho Gaúcho acabou 2004 como o melhor jogador do mundo, eleito pela Fifa. Voltou a receber o título em 2005, ano em que conseguiu fazer o Barcelona voltar ao topo da Espanha, com título sobre o rival, Real Madrid. 

O ápice de Ronaldinho Gaúcho no Camp Nou (e na carreira) foi na temporada 2005/06. Foi nesse período de tempo que o craque conseguiu os lances mais marcantes da carreira. Como na noite em que fez três gols contra a Udinese, pela Liga dos Campeões, em setembro de 2005. Ou quando, em 19 de novembro de 2005, fez dois golaços e acabou aplaudido pela torcida do Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu. 

Na Liga dos Campeões, Dinho foi decisivo para a campanha de sucesso do Barcelona. Nas oitavas de final, por exemplo, fez um dos gols mais marcantes daquela campanha, contra o Chelsea, quando dançou na frente da marcação e acertou belíssimo chute, mesmo com o corpo colado na bola. 

As frustrações de 2006

Ronaldinho Gaúcho chegou para a Copa de 2006, na Alemanha, como o melhor jogador do mundo. Em alta após o título da Champions com o Barcelona, o jogador conseguia destaque também na seleção. O atacante havia brilhado na conquista da Copa das Confederações em 2005, que acabou coroada com goleada sobre a Argentina. 

Mas no Mundial da Alemanha, porém, o Brasil, de Carlos Alberto Parreira, não engrenou. O técnico vivia o dilema sobre onde encaixar Ronaldinho no time. Na ponta, como jogava no Barcelona, ou no meio, como um típico camisa 10. 

A seleção era recheada de craques. Zé Roberto, Kaká, Ronaldinho, Juninho Pernambucano, Ronaldo, Adriano, Robinho... Mas a campanha naquela Copa acabou antes do esperado, nas quartas de final, diante da França, de Zinendine Zidane. 

Ronaldinho, apagado durante a Copa inteira, viu Zidane ser protagonista. Ali, naquela Copa, começaria a decadência de Ronaldinho, que perderia, meses depois, o Mundial de Clubes com o Barcelona para o maior rival do Grêmio, o Internacional, com gol de Adriano Gabiru. 

O início da queda

Ronaldinho ainda voltaria a ter grande temporada com o Barcelona em 2006/07, novamente com protagonismo e com 24 gols em 49 partidas. Mas o Barcelona não manteve a soberania na Espanha e caiu nas oitavas da Liga dos Campeões. 

A temporada seguinte foi ainda mais frustrante para Ronaldinho e a mudança de comando no clube em 2008 diminuiu de vez o protagonismo do brasileiro. Com Pep Guardiola e sua nova filosofia, Ronaldinho já não tinha espaço no time. A opção foi uma saída para o Milan. 

A partir de então, Ronaldinho passou a ser feito de lampejos de grandes momentos. As passagens na seleção brasileira também já eram esporádicas. O craque parecia ter perdido o interesse pelo futebol. Ronaldinho passou a ser apenas uma ilusão. 

A volta ao Brasil

Sem protagonismo na Europa, Ronaldinho Gaúcho decidiu voltar ao Brasil. O Grêmio abriu as portas, mesmo depois da conturbada saída para Paris. A festa já estava pronta no Sul, mas o craque desembarcou no Rio de Janeiro para defender o Flamengo. 

A empolgação pela chegada de um jogador que já foi o melhor do mundo foi diminuindo com o tempo. O título do Carioca de 2011 foi o único de Ronaldinho na Gávea. O camisa 10 viveu de alguns momentos geniais, como na inesquecível partida contra o Santos, de Neymar, no Campeonato Brasileiro. 

Acabou deixando o Fla sem deixar muitas saudades, e foi para Belo Horizonte já menos badalado. Mas com a camisa do Atlético, Ronaldinho conseguiu ser por mais tempo o Bruxo de outros tempos. Brilhou com mais intensidade, voltou a sorrir. 

Logo no primeiro ano em Belo Horizonte, participou de bons momentos. Fez três gols na goleada por 6 a 0 sobre o Figueirense, em atuação de gala. Naquela noite, Ronaldinho marcou um golaço em chute por cima do goleiro, mesmo sem ângulo. Marcou ainda em cobrança de falta genial por baixo da barreira e de pênalti. Conseguiu, ainda naquele jogo, duas assistências. 

Ronaldinho marcou outro gol inesquecível naquele Brasileiro, após arrancada do meio de campo em clássico contra o Cruzeiro. Com Ronaldinho protagonista, o Atlético Mineiro acabou vice-campeão brasileiro. 

O Bruxo voltou

Ronaldinho e Atlético viveram lua de mel em 2013. O ano começou com a conquista do Campeonato Brasileiro, com um baile sobre o Cruzeiro no jogo de ida da final, com vitória atleticana por 3 a 0. Mas o grande objetivo do clube era a Copa Libertadores. 

O Galo pôde contar com Ronaldinho na competição. Ronaldinho foi mais que lampejos, conseguiu certa regularidade. Na fase de grupos, o Bruxo conseguiu uma pintura contra o Arsenal, de Sarandí, partida em que marcou duas vezes. 

Nas oitavas de final, Ronaldinho marcou na vitória sobre o São Paulo, no Morumbi, e foi protagonista na grande atuação no Horto. O atacante iniciou a goleada por 4 a 1 com um golpe de inteligência ao distrair Rogério Ceni com um papo que terminou com o gol de Jô. 

Durante aquela partida, Ronaldinho distribuiu canetas, dribles e grandes jogadas. Deixou todos nos estádio de boca aberta com uma das grandes atuações da carreira, sendo garçom para Jô garantir o time nas quartas de final. 

R10 viu Victor brilhar nos pênaltis quando o Atlético soube sofrer e acabou campeão da América. É um raro caso de jogador campeão da Liga dos Campeões e da Libertadores. Depois, entretanto, acabou com nova frustração em um Mundial de Clubes, com eliminação na semifinal para o Raja Casablanca. 

Fim sem sorriso

2013 foi o último grande ano da carreira de Ronaldinho, que conseguiu 17 gols em 38 jogos naquela temporada. O atacante não conseguiu manter o desempenho no Galo em 2014, ficou de fora da Copa (já havia ficado de fora em 2010) e acabou indo para o México. No Querétaro, voltou a viver de lampejos. 

Depois, ainda voltou ao Brasil, mas sem qualquer sucesso nas nove vezes que vestiu a camisa do Fluminense. Já sem sorriso, Ronaldinho encerrou a carreira de forma melancólica. Mas para a história, ficam os momentos mágicos de um bruxo inesquecível. 

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