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Carlos Alberto Parreira: o recordista de Copas

Texto por ogol.com.br
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Carlos Alberto Parreira é, indiscutivelmente, um dos treinadores mais importantes da história do futebol brasileiro. Campeão do mundo com a seleção e com passagens marcantes em Corinthians e Fluminense, o treinador fez carreira vitoriosa ao longo de mais de quatro décadas dedicadas ao futebol. 

Nascido no Rio de Janeiro em 27 de fevereiro de 1943, Parreira teve origens humildes, e uma infância difícil, sem o pai desde os dois anos de idade. Ainda no Rio, se formou em Educação Física em 1966 e, ainda naquela década, começou a trabalhar como preparador no São Cristóvão, ocupando mesmo cargo pouco depois no Fluminense. 

Experiência em Gana 

Ainda na Zona Norte do Rio, Parreira já deu os primeiros passos como técnico e, em 1967, participou de um concurso promovido para o Itamaraty, que selecionava técnicos para contribuírem com o desenvolvimento do futebol africano. Parreira, então, foi selecionado para comandar a seleção de Gana.

Depois de alguns amistosos em 1967, Parreira dirigiu o país na Copa Africana das Nações no ano seguinte. Passou da fase de grupos, eliminou a Costa do Marfim na semifinal e, na decisão, acabou perdendo por 1 a 0 para o Congo. 

O técnico ainda seguiu no país mais um tempo comandando a seleção e mesmo o Asante Kotoko, clube mais popular da região em que fora campeão nacional. Depois do trabalho em Gana, Parreira voltou a ser preparador físico. 

Em 1970, o carioca foi o preparador da seleção na Copa no México. Ali, começou uma parceria com Zagallo e, aos poucos, adquiriu um olhar mais profundo do lado tático do futebol, observando os adversários brasileiros e passando análises para Zagallo. 

Parreira voltou ao Rio depois da conquista do tri mundial para trabalhar como preparador e, depois, como técnico do Fluminense. Chegou a ser campeão carioca nas Laranjeiras até voltar a comandar uma seleção longe do país, dessa vez no Kuwait. 

No país do Golfo Pérsico, Parreira trabalhou no projeto para a Copa de 1982. Antes disso, o brasileiro foi campeão da Copa da Ásia e comandou o país na Olimpíada de Moscou. Apesar de boa campanha na fase de grupo, o time acabou eliminado nas quartas de final logo para a União Soviética. 

Na Copa de 82, o Kuwait caiu em um grupo difícil e acabou eliminado depois de empate com a Tchecoslováquia e derrotas para França e Inglaterra. O Brasileiro deixou a seleção asiática para, em 1983, comandar pela primeira vez a seleção brasileira. 

Primeira passagem pela seleção e título no Flu 

Parreira chegou na seleção brasileira para substituir Telê Santana depois da eliminação na Copa de 82 para a Itália. O desempenho, porém, não convenceu. Foram sete empates, duas derrotas e cinco vitórias, com o vice-campeonato da Copa América. O retrospecto resultou na demissão ao final do ano. 

Parreira, então, voltou para casa, voltou para seu clube do coração. No Fluminense, comandou o time de Romerito, Washington, Assis, Duílio, Paulo Victor e companhia que foi campeão carioca e campeão brasileiro em 1984. 

O título brasileiro nas Laranjeiras foi seguido por longos anos fora do Brasil. Parreira comandou primeiro a seleção dos Emirados Árabes, para depois dirigir a Arábia Saudita. Na seleção saudita, Parreira conquistou seu segundo título por seleções longe do Brasil. Em 1988, comandou o país na conquista da Copa da Ásia. O troféu só foi possível depois de vitória nos pênaltis diante da Coreia, no jogo decisivo. 

Nos Emirados, disputou sua segunda Copa, mas não evitou ser o saco de pancadas do torneio, sendo goleado por Alemanha e Iugoslávia e derrotado pela Colômbia em 1990. 

O retorno ao Brasil e o tetra

Parreira voltou ao Brasil em 1991 para comandar o Bragantino, primeiro clube brasileiro que dirigiu fora do Rio de Janeiro. Naquele ano, comandou um time histórico que alcançou a final do Campeonato Brasileiro, contra o São Paulo. 

Na decisão, reencontrou Telê, a quem substituiu anos antes na seleção. A decisão foi equilibrada e os são-paulinos ficaram com o título depois de uma vitória por 1 a 0 e um empate sem gols em Bragança Paulista. 

A campanha fez Parreira voltar para a seleção brasileira e reeditar dupla com Zagallo, dessa vez seu auxiliar. A dupla voltou ao comando da seleção para levar o time para a Copa do Mundo nos Estados Unidos, em 1994. 

No meio do caminho, Parreira e a seleção acabaram eliminados da Copa América de 1993 para a Argentina, de Alfio Basile. Depois de empate em 1 a 1 nas quartas de final, os argentinos derrubaram os brasileiros nos pênaltis. 

A eliminação foi seguida por uma campanha difícil nas Eliminatórias. Principalmente porque Parreira e Zagallo deixaram Romário de fora do time após uma crítica do atacante. Mas, com a classificação em perigo para a última rodada, Romário teve de voltar. 

Parreira deu o braço a torcer, e o Baixinho garantiu a vitória sobre o Uruguai, em 1993, que colocou a seleção na Copa do ano seguinte. No Mundial, Parreira manteve o atacante e foi recompensado com muitos gols. 

Apesar de ser criticado por um futebol mais defensivo, Parreira viu Romário e Bebeto resolverem na frente e o Brasil foi deixando pelo caminho adversários difíceis. Nas oitavas, eliminou os donos da casa e, nas quartas, venceu um jogaço contra a Holanda. 

Com gol decisivo de Romário, o Brasil derrubou na semifinal a Suécia para, na decisão, encarar a Itália. A escola de defesa italiana enfrentou um esquema pragmático de Parreira. Resultado: 0 a 0, em uma das decisões de Copa mais amarradas da história. 

O título só foi decidido nos pênaltis, onde Taffarel virou herói e Roberto Baggio o vilão. O Brasil foi tetracampeão do mundo com Parreira, que entrou para a história de vez. 

Mais Copas, Flu e Corinthians 

Parreira voltaria a disputar uma Copa do Mundo quatro anos depois, mas não com o Brasil, que passou a ser comandado só por Zagallo. Depois de passagens por Valencia e Fenerbahçe, sendo campeão turco no último, pelo São Paulo e pelo New York, Parreira voltou a comandar a Arábia Saudita para a Copa de 1998. 

Na terceira Copa por seleção diferente, Parreira dirigiu apenas dois jogos. Depois de derrotas para Dinamarca e França, o brasileiro acabou demitido pelos árabes antes mesmo da terceira partida. 

Depois do Mundial, Parreira voltou ao Brasil e assumiu seu clube do coração, o Fluminense, e ajudou a tirar o Flu da terceira divisão, com o título de 1999. O treinador fez parte do projeto de reestruturação do clube, em profunda crise na época. 

O técnico voltou aos grandes campeonatos em Santos e Inter, e foi vitorioso no Corinthians, em seu melhor trabalho em clubes longe de casa. Em 2002, Parreira foi campeão do último Rio-São Paulo e da Copa do Brasil com o Timão. 

O recorde em Copas 

O treinador voltou a comandar a seleção brasileira em 2003, e novamente com a companhia de Zagallo. A dupla foi bem com um time alternativo na Copa América de 2004 e, com o gol salvador de Adriano no fim, levou para os pênaltis a decisão contra a Argentina e acabou com a taça. 

Quando convocou os jogadores principais, Parreira contou com o Quarteto Fantástico, que tinha Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo. Em ritmo de samba, foi campeão da Copa das Confederações de 2005, com passeio sobre a Argentina, e se classificou para a Copa de 2006.

No Mundial, entretanto, as coisas não funcionaram bem. A frase "o gol é um detalhe", dita pelo treinador, acabou sendo argumento para as críticas. Sem bom desempenho ofensivo, o Brasil caiu para a França, nas quartas, gol de Henry. 

A Copa de 2006 foi a última de Parreira como treinador da seleção brasileira. Depois do Mundial, o técnico foi dirigir a África do Sul, que seria sede pela primeira vez de uma Copa, quatro anos depois. 

Apesar de uma breve saída em 2009, quando Joel Santana dirigiu o time, Parreira voltou em 2010 para disputar a sexta Copa do Mundo como técnico, um recorde. Os sul-africanos acabaram eliminados na primeira fase, mas se despediram com festa após vitória sobre a França, por 2 a 1. 

Depois daquela Copa, Parreira não trabalhou mais como técnico. Em 2014, ainda voltou para a seleção brasileira para mais uma Copa, dessa vez como coordenador técnico no Mundial em que Felipão foi o treinador principal. O Brasil jogou a Copa em casa, e acabou eliminado nas semifinais para a Alemanha no famoso 7 a 1.

O fatídico jogo do Mineirão não apaga a carreira de um dos maiores treinadores de nosso futebol, eleito pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol entre os 20 maiores treinadores de futebol do século XX. 

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