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          Müller, de Menudo a garçom, sempre vencedor

          Texto por Rodrigo de Brum
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          Ele nasceu Luís Antônio Corrêa da Costa, mas ficou conhecido mesmo como Müller. Surgido na era dos Menudos do São Paulo, o atacante foi multicampeão pelo time do Morumbi, disputou três Copas do Mundo, sendo campeão em 1994, e também teve passagens pelo futebol europeu e japonês.

          Mas foi em solo brasileiro que Müller demonstrou o seu grande futebol, fazendo parte do Palmeiras de mais de 100 gols em outra função, a de garçom, sendo campeão com o Cruzeiro... Um atacante que soube se reinventar e seguir encantando os torcedores dos clubes por onde passou com títulos e jogadas inesquecíveis.

          A era do Menudos

          Müller chegou ao São Paulo em 1984 vindo do Operário do Mato Grosso do Sul, clube onde deu seus primeiros passos no futebol três anos antes, atuando pelo juvenil.

          Após alguns anos de seca, o time do Morumbi decidiu olhar com carinho para os garotos da base. Logo no segundo ano de Müller no clube veio o primeiro título, o Campeonato Paulista de 1985.

          Sob o comando do técnico Cilinho, o Tricolor descobriu em Müller, Silas e Sidney as suas joias para um futuro bem próximo. O Brasileirão de 1986 teria o brilho dos meninos aliado ao poder de decisão dos mais experientes.

          Veloz e insinuante, Müller formaria uma incrível dupla de ataque com Careca. E o São Paulo ainda tinha na equipe campeã nacional Gilmar no gol, Darío Pereyra na zaga, Pita no meio-campo e Pepe como técnico. Na final, após empate por 1 a 1, no Morumbi, e por 3 a 3, no Brinco de Ouro da Princesa, o São Paulo venceu o Guarani nos pênaltis e sagrou-se campeão brasileiro pela segunda vez na história.

          Ainda havia tempo para mais uma conquista antes de alçar outros voos. O Tricolor levou a melhor diante do Corinthians com uma vitória por 2 a 1 no jogo de ida e um empate sem gols, na volta, para faturar o Paulistão de 1987. O futebol europeu queria Müller.

          Experiência na Itália

          Com o futebol italiano em seu apogeu, Müller desembarcou no Torino, da Itália. Apesar de desempenhar bom papel na primeira temporada por lá, em 1988/89, o atacante não evitou o rebaixamento do clube.

          Na segunda divisão, o Torino passou pelos adversários tranquilamente. Müller foi o artilheiro da equipe com 11 gols e ajudou no retorno do tradicional clube de Turim à divisão de elite no país.

          Depois da decepcionante campanha do Brasil na Copa de 1990, Müller mostrou sinais de desgaste no clube com direito a algumas polêmicas, como ida a boates e atraso aos treinos. Ele tomaria uma decisão importante, que lhe traria as maiores conquistas na carreira.

          De volta para conquistar a América e o mundo

          Em 1991, Müller acertou o retorno para o São Paulo, já com Telê Santana como o comandante. Essa se mostraria uma das melhores escolhas de sua carreira.

          O atacante foi peça importante na conquista do Brasileirão, em time que teria como base naqueles anos jogadores do porte de Zetti, Cafu, Raí, Leonardo... Na final, contra o Bragantino de Carlos Alberto Parreira, a vitória no jogo de ida por 1 a 0 e o empate sem gols na volta sacramentaram o terceiro brasileiro do Tricolor.

          No ano de 1992 o time estava ainda mais encaixado e chegou ao tão sonhado primeiro título da Libertadores. Vitória sofrida, nos pênaltis, diante do Newell's Old Boys, da Argentina. O bi viria no ano seguinte, com um massacre diante da Universidad Católica, do Chile. Müller deixaria a sua marca na vitória no jogo de ida por 5 a 1.

          Mas os momentos de maior brilho de Müller estariam reservados para a Copa Intercontinental, o Mundial de Clubes da época. Depois de sair atrás do Barcelona, na decisão de 92, o São Paulo chegou ao empate em jogada magistral de Müller. Ele puxou contragolpe, ameaçou cruzar, deixando o zagueiro na saudade e, aí sim, mandou para Raí marcar o famoso gol de barriga.

          No ano seguinte, o São Paulo teria pela frente os italianos do Milan na decisão. Jogadores que Müller enfrentara em sua passagem pelo Torino. O clube brasileiro ficou duas vezes em vantagem no marcador, mas permitiu o empate.

          Aos 43 minutos da etapa final, Toninho Cerezo lançou na frente, o goleiro Rossi abafou, e a bola bateu no calcanhar de Müller antes de morrer no fundo das redes. O mundo era Tricolor novamente com um gol sem querer.

          "A bola bateu no meu calcanhar e entrou. E eu estava de lado e não de frente para o gol. Foi inusitado. Sempre digo que o gol foi realmente sem querer e que milagre não se explica, se aceita", disse Müller em entrevista à Folha.

          Após o gol, uma imagem também marcaria a carreira de Müller. Na comemoração, o atacante apontou os dedos para o zagueiro Costacurta, como se dedicasse o gol ao rival.

          "Alguns minutos antes do meu gol houve uma confusão e a gente começou a discutir e brigar. Após o gol, houve a provocação. Mas foi uma coisa de jogo, não era uma rixa, nem nada. Sabia da qualidade deles e principalmente da arrogância. Eles choraram depois do jogo. Não acreditavam que tinham perdido", completou Müller.

          Müller se reinventa

          O atacante deixaria novamente o São Paulo em 1995, para se transferir ao Kashiwa Reysol, do Japão. Ainda naquele ano, Müller acertaria seu retorno para o futebol brasileiro.

          Com a camisa do Palmeiras, ele faria parte de um dos maiores esquadrões da história do Alviverde, o Palmeiras campeão Paulista de 1996 do técnico Vanderlei Luxemburgo.

          No ataque dos mais de 100 gols, Müller foi parte importante e se tornou garçom ao lado de craques como Djalminha, Rivaldo e Luizão. Um desentendimento na renovação de contrato interromperia o casamento entre o atacante e o Palmeiras.

          Ele voltaria ao São Paulo, mas com muito menos brilho do que no passado. Depois de nova passagem pela Itália, dessa vez com a camisa do Perugia, Müller voltaria ao Brasil para defender outro gigante do futebol paulista, o Santos. Segundo ele, um dos momentos mais felizes da carreira.

          "Joguei no Santos em 1997 e no primeiro semestre de 1998 e não ganhei um título sequer, mas foi uma das melhores fases da minha carreira. Foi um ano e meio de felicidade, de alegria, de prazer e de bonitos gols que marquei. Marquei minha história lá sem titulo, mas com uma passagem muito bonita", declarou Müller em entrevista ao UOL.

          Se no Santos os títulos não vieram, no Cruzeiro a história foi diferente. Cada vez mais no seu estilo garçom, Müller  levantou os troféus de campeão Mineiro e da Recopa Sul-Americana, em 1998, da Copa do Brasil em 2000 e da Copa Sul-Minas em 2001.

          Müller também teria uma passagem não tão feliz pelo Corinthians, tendo assim atuado nos quatro grandes clubes da capital paulista. Ele ainda atuaria por São Caetano, Tupi, Portuguesa e Ipatinga, até se aposentar aos 38 anos. Müller voltaria aos gramados em 2015, já com 49 anos de idade, quando acertou com o Fernandópolis, da quarta divisão do Campeonato Paulista. Ele marcou um gol pelo clube.

          Passagem marcante pela seleção

          Mesmo muito jovem, Müller foi convocado por Telê Santana para a Copa de 1986. Ele não foi titular em todas as partidas, mas formou dupla com Careca no jogo da eliminação, contra a França, pelas quartas de final, e não marcou gols.

          Os tentos que não saíram na edição de 86 vieram em 1990. Na fase de Grupos, Müller marcou os gols da vitória diante de Costa Rica e Escócia. A seleção brasileira cairia novamente nas quartas de final, desta vez para a Argentina.

          Müller ainda faria parte do elenco tetracampeão em 1994. Naquela Copa, o atacante foi chamado pelo técnico Carlos Alberto Parreira em apenas uma oportunidade, diante de Camarões pela fase de grupos. Ele jogou somente nove minutos, substituindo Raí no duelo.

          Ao todo, Müller disputou 56 partidas com a camisa do Brasil e anotou 12 gols. 

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          Müller (BRA)
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