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        Rafael Sobis: Um ídolo fora da caixa

        Texto por Eduardo Massa
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        O futebol entrou por acaso na vida de Rafael Sobis. E se tornou um "vício". Até que o atacante tomou coragem e decretou que era hora de dar fim a dependência. A carreira chegou ao fim no Cruzeiro, depois de afastar de vez o risco catastrófico de queda para a Série C, e não foi uma carreira qualquer. Apesar de ter sido sempre um corpo estranho no mundo da bola, Sobis deixa para trás um histórico de títulos, idolatria e liderança.

        O começo da jornada foi meteórico, digno dos grandes prodígios do futebol. Com 19 anos já era titular do Internacional e, aos 20, era eleito na seleção do Brasileirão por seus 20 gols marcados, apenas dois a menos que o artilheiro Romário. No seu terceiro ano como profissional, Sobis conheceu a glória e colocou seu nome no panteão colorado.

        O torcedor do Inter nunca se esquecerá. No dia 9 de agosto de 2006, o time gaúcho entrou em campo para enfrentar o São Paulo no Morumbi. Uma noite que seria definidora para a carreira de Sobis. O atacante marcou os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre o Tricolor Paulista, levando a vantagem para o Beira-Rio, onde o Colorado confirmou o título com empate em 2 a 2. Com apenas 21 anos, o jovem atleta deixou de ser promessa para se tornar ídolo, e logo se despediu para sua primeira experiência fora do país.

        Um ídolo fora da caixa

        O sucesso no futebol não era algo que Sobis esperava, embora tenha trabalhado com afinco para isso. Desde o início, o atacante se mostrou um atleta fora do comum não apenas em campo, e não apenas pelo gosto musical distinto - um roqueiro orgulhoso em vestiários dominados por samba, pagode, sertanejo e outros estilos populares. Sobis simplesmente sabia que o futebol não era o seu mundo, e dizia abertamente isso, mas estava nele para ficar.

        A experiência na Europa, pelo Real Betis, durou apenas duas temporadas. Sobis não se encantou com a possibilidade de ser um astro internacional e foi convencido a seguir para o futebol árabe, atraído por proposta milionária. Ali começou a se afastar também da seleção brasileira, com a qual conquistou o bronze nas Olimpíadas.

        ©Ricardo Duarte
        Em 2010, Sobis retornou ao Internacional. O futebol não foi mais o mesmo. O atacante se viu envolto em uma série de lesões, e muitas vezes foi obrigado a sacrifícios táticos. O goleador nunca mais seria letal como em 2005 no restante da carreira. Mas o sucesso parecia o acompanhar por onde fosse e seu posto de ídolo só foi mais consolidado com gol na final da Libertadores, contra o Chivas, no seu segundo título continental com o Colorado.

        Sem convencer o Inter a desembolsar o alto valor pedido pelo Al Jazira ao fim do empréstimo, Sobis seguiu para o Fluminense, que vivia a sua melhor fase na parceria com a patrocinadora Unimed. O atacante virou uma espécie de 12º jogador do "Time de Guerreiros", e ajudou o clube a conquistar o título do Brasileirão de 2012.

        Curiosamente, o seu papel no retorno ao Brasil, tanto no Inter como no Flu, passou a ser diferente. Antes promessa, Sobis passou a ser visto como um líder, um exemplo pela experiência. Uma voz diferente no vestiário. Uma estrela fora dele, para surpresa do próprio, que sempre preferiu "ficar na dele".

        Coadjuvante de sucesso, Sobis arrasta a aposentadoria

        Sem muito apreço pelo futebol e por tudo que envolve o mundo da bola, Sobis imaginou se afastar dos gramados depois dos 30. Mas foi arrastando a decisão de parar, na dificuldade de largar o que chamou de "vício". Em seu novo papel, seguiu adicionando troféus a sua coleção.

        ©Pedro Vilela/Light Press
        Pelo Tigres, do México, foi campeão mexicano em 2015. Retornou ao Cruzeiro em 2016 e foi bicampeão da Copa do Brasil nos dois anos seguintes. Em 2019 teve sua terceira passagem pelo Inter, sem muito brilho, transferindo-se para o Ceará em 2020, onde conquistaria a Copa do Nordeste.

        Quando o Cruzeiro, na Série B e atravessando a maior crise de sua história, convidou Sobis para exercer a sua liderança no meio do caos, o atacante mostrou novamente ser diferente e aceitou o desafio. Mas a permanência na Série B, depois de dois anos com o clube sofrendo a ameaça da terceira divisão, foi o máximo que conseguiu. Com a garantia matemática do time celeste de mais uma temporada na segunda divisão, Sobis confirmou ter chegado a sua hora.

        "O dia chegou. A vida é assim. O tempo passa. Uns tem que sair para outros chegarem. Uma noite especial. Avisei que, se a gente vencesse, seria meu último jogo. Acabou. Vou nascer para outra vida", discursou. Uma vida sem futebol, enfim.

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