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        Jay-Jay Okocha: O bailarino da nostalgia

        Texto por Paulo Mangerotti
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        Poesia. A arte dos rodeios, dos caminhos tortuosos, do dizer sem dizer, a inimiga da objetividade. Poesia, arte incompreendida e impopular. Dizem que muitos poetas não tiveram em vida o reconhecimento de sua arte. Dizem também que os poetas são egoístas, não fazem questão de se explicar, estão apenas preocupados em expressar o próprio sentimento. 

        A arte e a poesia se encontram naquele ponto matemático conhecido como interseção entre as funções, que é justamente quando o sentimento do poeta alcança o do leitor. Talvez, a impopularidade da matemática e da poesia explique Jay-Jay Okocha, o bailarino nigeriano que não pode ser medido por números e feitos, apenas por sua arte.

        Nascido em 14 de agosto de 1973, Agustine Azuka Okocha, ou simplesmente Jay-Jay foi um jogador de futebol nigeriano com longa carreira internacional. Entre a década de 1990 e o início dos anos 2000, o nigeriano passou por clubes medianos do continente europeu, o que para uns pode parecer um absurdo, enquanto para outros traz o sentimento de nostalgia por aquele fez a bola sorrir.

        O acaso

        Okocha iniciou a carreira em 1990 na Nigéria, no clube de sua cidade natal, o Enugu Rangers. Muito jovem, com apenas 17 anos e ainda sem representar a seleção de seu país, apenas um movimento muito improvável poderia levá-lo ao futebol europeu. E aconteceu.

        Emmanuel Okocha, irmão mais velho do jogador, foi convidado a realizar testes na Europa e acabou por levar Jay-Jay como acompanhante. De férias, Jay-Jay acabou por não seguir Emmanuel rumo à Holanda, e foi aproveitar os dias junto de um amigo na recém-unificada Alemanha, recorde-se que o Muro de Berlim foi derrubado um ano antes, em 1989.

        "Foi uma coincidência porque meu irmão mais velho foi convidado para testes, já que ele estava na seleção. O técnico da seleção prometeu levá-lo para a Holanda e eu aproveitei a oportunidade para ir para a Alemanha, não para testes, mas para férias", explicou Okocha.

        Em solo alemão, Okocha encontrou Binebi Numa, amigo de seu irmão e então jogador do Borussia Neunkirchen, à época na semi-amadora sexta divisão alemã. Numa conseguiu uma oportunidade de teste para Okocha no clube, e assim começou a trajetória internacional do jogador.

        Ingrato protagonista

        A passagem de Okocha pela sexta divisão alemã foi apenas um rápido trampolim para o jogador. Depois de uma temporada, o jovem nigeriano já transferia-se para a elite do futebol do país para vestir a camisa do Eintracht Frankfurt.

        Ao longo de quatro anos, Okocha foi o pesadelo das defesas do Campeonato Alemão. O nigeriano infernizou os rivais e também as torcidas adversárias, que não haviam outra forma de lidar com o talento do craque senão pelo ódio.

        "Quando cheguei na Alemanha o nível de racismo era muito alto. Minha solução era driblar isso", contou.

        Por clubes, Okocha ainda teria passagens marcantes na carreira por Fenerbahçe, Paris Saint-Germain nos tempos modestos do clube, e Bolton, onde por quatro temporadas foi o craque do time. No início dos anos 2000, o Bolton integrava a Premier League e chegou a fazer uma histórica campanha em 2004/05, quando o clube se classificou para a disputa da Liga Europa.

        O craque da seleção

        É verdade que, por clubes, Okocha não tem grandes feitos que saltam aos olhos. Na Turquia, o craque nigeriano até teve uma fase bastante prolífica enquanto goleador, mas ficou mesmo conhecido nos grandes centros (Alemanha, França e Inglaterra) por seus dribles desconcertantes.

        A nível de seleção, porém, jamais ouse utilizar o nome de Jay-Jay em vão. Okocha é uma lenda da seleção nigeriana. E não de qualquer seleção, mas da melhor seleção nigeriana de todos os tempos.

        Entre 1993 e 2006, Okocha foi o camisa 10 da Nigéria e ajudou seu país a chegar em lugares inimagináveis. O primeiro grande feito foi em 1994, quando Okocha ainda estava em início de carreira, na Copa Africana de Nações. A Nigéria, que não levantava o troféu desde 1980, conquistou o título que iniciaria uma sequência histórica para o país.

        Com Okocha e outros jogadores lendários, como Kanu, Taribo West e toda uma geração que surgiria ao longo dos anos 1990, a Nigéria se tornou a primeira seleção africana a conquistar os Jogos Olímpicos. A seleção nigeriana de Okocha eliminou o Brasil na semifinal, num jogo histórico, e a Argentina na finalíssima pelo ouro.

        Pela seleção, Okocha foi um participante assíduo dos grandes palcos. Ao todo, o craque disputou cinco Copas Africanas de Nações, três Copas do Mundo, uma Copa das Confederações e uma Olimpíada.

        Para aqueles mais práticos, da geração dos stats, das médias de gols, que olham para o esporte como uma ciência exata, Okocha pode não ser lá uma figura tão surpreendente. Mas é que Okocha merce ser apreciado por aqueles que conseguiram encontrar a tal interseção entre as funções. Para entender Okocha é preciso amar o esporte enquanto arte, então assim perceberá que o nigeriano foi um dos grandes no quesito.

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        Jay-Jay Okocha (NGA)
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