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        Brasileirão
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        1996: Um ano depois de conquistar a América, Grêmio chega ao topo do Brasil

        Texto por Rodrigo de Brum com Paulo Mangerotti
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        O Campeonato Brasileiro de 1996 marcou a consagração do Grêmio. Campeão da Libertadores no ano anterior, o time comandado por Luiz Felipe Scolari seguiu embalado e, com um gol nos minutos finais, no Olímpico, colocou fim à temporada dos sonhos da Portuguesa. 

        Para a disputa daquele ano, a fórmula seguia com 24 equipes, onde todos se enfrentavam em turno único. Os oito melhores avançavam às quartas de final. A seguir, seriam disputadas as semifinais e finais. Dois clubes seriam rebaixados na edição de 1996*.

        Apesar do ótimo plantel, o Grêmio chegou para o mata-mata em momento complicado. Foram quatro derrotas seguidas na reta final da fase classificatória, inclusive com resultados negativos contra Goiás e Coritiba no estádio Olímpico.

        O imortal renasce no mata-mata

        Classificado como sexto melhor colocado, o Grêmio teria pela frente nas quartas de final o ótimo Palmeiras comandado por Vanderlei Luxemburgo. As derrotas em casa no final da primeira fase parecem ter servido de lição ao Tricolor Gaúcho, que venceu os paulistas, de virada, por 3 a 1 no jogo de ida.

        Na partida de volta, no Parque Antártica, o Grêmio suportou bem a pressão do rival e avançou com uma derrota pelo placar de 1 a 0. Em entrevista a oGol, o zagueiro Adilson Batista relembrou dos momentos vividos pelo Grêmio na disputa e destacou que a classificação diante do Verdão foi fundamental para o elenco acreditar no título.

        "Em 1996, a gente priorizou mais o Brasileiro (no ano anterior o clube foi finalista da Copa do Brasil, campeão da Libertadores e vice no Mundial). Depois que fomos eliminados na semifinal (da Libertadores) pelo América de Cali, nós concentramos a atenção no Brasileiro. O Palmeiras tinha um timaço: Velloso, Marcos, Cafu, Cléber... Era um timão. E aquele confronto relembrou muito o anterior pela Libertadores. Se a gente passasse do Palmeiras, já que terminamos em sexto e eles em terceiro, tínhamos a confiança de que ganharíamos o Brasileiro. É um grupo que foi encorpando desde 1995, um grupo novo... Deu química, deu liga, foi um período muito legal", contou Adilson.

        A seguir, o Grêmio teria pela frente o Goiás, equipe de sétima melhor campanha e que despachou o Guarani, segundo classificado, nas quartas de final. Aliás, as quartas de final em 1996 foram um prato cheio para as zebras. Os piores classificados avançaram em simplesmente todos os embates.

        Contra o Goiás, o Grêmio teve a oportunidade de vingar a derrota sofrida no Olímpico, na rodada final da primeira fase. Com um gol de Arce logo aos seis minutos, os gaúchos tiveram tarde inspirada e venceram no Serra Dourada pelo placar de 3 a 1. Em casa, o Grêmio assegurou a classificação após sair em desvantagem duas vezes no marcador.

        Paulo Nunes e Adilson Batista
        "É porque aí vai eliminando né? Quem fez a melhor campanha foi o Cruzeiro, que terminou eliminado pela Portuguesa: primeiro contra oitavo. Aí vai acontecendo isso no mata-mata. O time do Goiás era um time chato. Ganhamos lá de 3 a 1 e depois empatamos por 2 a 2. Era um time bom, encardido, que nos deu trabalho. Fiz um gol de cabeça e um de pênalti. Foi bom porque nos deu a vaga", comemorou Adilson.

        O improvável rival da decisão seria a Portuguesa de Desportos, que contava com jogadores do calibre de Clemer, Zé Roberto, Gallo, Alex Alves e Rodrigo Fabri.

        A épica conquista no Olímpico

        Diferentemente das outras fases de mata-mata, o Grêmio começou a decisão de 1996 em apuros. No estádio do Morumbi, a Portuguesa fez valer o homem a mais em campo desde os 36 minutos de jogo, quando Marco Antônio foi expulso do lado gremista, e triunfou com gols de Gallo e Rodrigo Fabri. Para Adilson, um jogo de difícil lembrança, já que além do resultado ruim, ele acabou suspenso da finalíssima por conta do terceiro cartão amarelo. 

        "Eu fiquei triste foi por ter tomado o terceiro cartão amarelo no primeiro jogo da final contra a Portuguesa, em um lance com o Zé Roberto, e ter ficado da final. Daí jogou o Mauro Galvão", relembrou Adilson.

        Escolhido por Felipão para substituir Adilson, o experiente Mauro Galvão, campeão brasileiro com o Internacional em 1979, estava de volta ao futebol brasileiro depois de ficar seis anos no Lugano, da Suíça. Em entrevista a oGol ele rememorou essa partida.

        "Devolvemos o placar do jogo de ida, mas não era nada fácil. A equipe da Portuguesa era muito boa mesmo. E tinha a simpatia do Brasil todo. Quem não era Grêmio torcia para a Portuguesa. Fizemos o segundo gol aos 39 do segundo tempo, com o Ailton, e ganhamos o título (o Grêmio tinha a vantagem pela melhor campanha na primeira fase).  Eu tinha uma vontade muito grande de jogar no Grêmio porque fiz a base lá, então para mim era uma questão de completar uma etapa que ficou faltando. E acabou dando certo", declarou o ex-zagueiro.

        A engrenagem gremista

        O técnico Luiz Felipe Scolari foi o responsável por organizar a equipe do Grêmio, bem como gerir o vestiário. Adilson acredita que o treinador teve papel fundamental nas conquistas do Grêmio em meados da década de 1990. Visão compartilhada por Mauro Galvão.

        "Eu tinha 28 anos. Se você olhar, tinha Miguel, Arílson, Danrlei, Roger, Paulo Nunes, era um time novo. Era eu, o Dinho e o Rivarolla de mais experientes, né? E que dava essa encorpada no grupo. A gestão do grupo pelo Felipe era ótima. Grupo multicampeão, acostumado a vencer e a comandar, ele tirou muita coisa de nós, teve muito mérito, conduziu com maestria e organização. Na nossa linha de quatro, ele deu muita liberdade para o Arce, um jogador mais ofensivo. O Roger, mesmo novo, é um menino que tinha um potencial muito grande em termos de marcação, exercia uma marcação muito boa. Eu e o Rivarolla casou muito bem, porque um era mais firme, o outro saía jogando, o Dinho, apesar que muita gente fala que era um jogador violento, ele é muito técnico, com ótimo passe e lançamento, tinha uma ótima leitura e muita imposição. O Goiano tático, Arilson e Miguel eram o motor, os que pensavam, organizavam, que davam uma dinâmica. O Paulo Nunes em uma fase maravilhosa", finalizou Adilson.

        "Era um time que já vinha tendo uma sequência. O Grêmio já fazia um trabalho desde 1995 com o Luiz Felipe e eu acabei chegando na equipe. É bom quando você entra num time que já tem um trabalho, vamos dizer, consagrado. Minha lembrança é de entrar numa equipe que estava bem já, e a gente deu sequência", corroborou Mauro Galvão. 

        Números da edição

        Média de gols: 2,71

        Melhor ataque: Grêmio - 52 gols

        Melhor defesa: Guarani - 17 gols sofridos

        Artilheiros: Renaldo (Atlético Mineiro) e Paulo Nunes (Grêmio) - 16 gols

        Jogador com mais jogos: Taffarel (Atlético Mineiro), Kléber (Goiás), Danrlei (Grêmio), Paulo Nunes (Grêmio) e Clemer (Portuguesa)

        *O Brasileirão de 1996 também ficou marcado fora das quatro linhas. Por conta de ligações escusas entre Ivens Mendes (Presidente da Comissão de Arbitragem da CBF) e os presidentes Alberto Dualib, do Corinthians, e Mario Celso Petraglia, do Athletico, a entidade máxima do futebol brasileiro optou por anular o rebaixamento de Fluminense e Bragantino. 

        Através de grampos telefônicos, se tornou de conhecimento público uma espécie de suborno para a escalação de árbitros que beneficiassem Corinthians e Athletico. Não houve punição para os acusados tanto na Justiça Desportiva, como na Justiça comum. À nível Federal, os citados sequer foram denunciados por falta de provas.

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