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        Brasileirão
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        2005: Um poderoso Timão prevalece num ano manchado pela Máfia do Apito

        Texto por Paulo Mangerotti
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        Tocar no tema Campeonato Brasileiro de 2005 é sempre delicado, e não por acaso. É o ano maldito do futebol nacional. É quando uma disputa acirradíssima pelo título entre o poderoso Corinthians de Tevez e o Internacional de Muricy Ramalho acabou por ser mais lembrada pelo nome ingrato, que atende por Edílson Pereira de Carvalho.

        O Brasileirão acontecia, aparentemente, de forma normal até o dia 23 de setembro daquele ano, data de publicação de uma reportagem da revista Veja que denunciava o escândalo de manipulação de resultados pelo árbitro para favorecer casas de aposta. O campeonato estava no segundo turno, na 27ª rodada, e o líder era o Internacional. A partir de então, no desenrolar dos dias, o que ocorreu foi a prisão do ex-árbitro, a revelação de outro envolvido, José Paulo Danelon, porém em partidas do Campeonato Paulista, o cancelamento e consequente remarcação dos 11 jogos manchados pela manipulação*.

        "Na primeira rodada que teve o escândalo dos árbitros, quando fomos jogar, dormimos em primeiro e acordamos em terceiro. Então esse foi o primeiro choque que a gente tomou", declarou Tinga, ex-meia do Internacional, em entrevista ao oGol.

        O clube gaúcho acabou por se sentir um dos mais prejudicados quanto ao escândalo de manipulação de resultados, que apesar de nunca ter tido relação com os clubes, afetou diretamente aquela disputa. O Inter teve um jogo anulado, uma vitória que havia conquistado por 3 a 2 contra o Coritiba, resultado que conseguiu repetir no jogo remarcado. O "prejuízo" dos colorados foi maior porque o Corinthians conseguiu melhor sorte nas derrotas anuladas contra Santos e São Paulo, com uma vitória e um empate, respectivamente, saindo assim de zero pontos nesses jogos para quatro.

        Campo, bola e mais polêmica

        ©Getty / MAURICIO LIMA
        É inevitável tocar nas polêmicas do Brasileirão de 2005, antes de retomá-las, porém, é importante ressaltar que aquele campeonato teve também muita história dentro das quatro linhas. Na artilharia, por exemplo, Romário, aos 39 anos, não deixou espaço para os concorrentes. O Baixinho superou Robgol, então no Paysandu, e Carlitos Tevez, eleito craque do Brasileiro e Rei da América naquele ano.

        Entre os clubes, destaque para o Goiás, dono de uma grande campanha, ao terminar o campeonato em terceiro lugar, e claro para Inter e Corinthians. O Colorado vinha em processo de evolução com o comando de Muricy Ramalho nos anos anteriores. Tinga, que havia feito sucesso pelo rival Grêmio, se juntou a outros reforços que chegaram na temporada como Souza, Jorge Wagner, Iarley e Índio para dar corpo ao time. 

        O Corinthians, por sua vez, tinha Tevez como estrela, o nome de destaque em um momento de superinvestimento da MSI, de Kia Joorabchian. O clube, no entanto, mesmo com um elenco com jogadores de topo de linha na época, como Fábio Costa, Gustavo Nery, Renato Abreu, Roger, Mascherano, Carlos Alberto e Nilmar, não teve um início de ano fácil. O comando começou com Tite, esteve por um curto período com o argentino Daniel Passarella, de forma interina com Márcio Bittencourt, até ganhar forma com Antônio Lopes.

        O clube encontrou o caminho para a liderança pouco antes do fechamento do primeiro turno, e por lá nutriu uma briga ponto a ponto com o Internacional até as últimas rodadas. No meio da campanha vitoriosa, houve espaço para um histórico 7 a 1 sobre o Santos, mas também para mais polêmicas com a arbitragem. Desta vez, nada relacionado com escândalo fora de campo, corrupção ou manipulação, mas um erro que, para muitos, custou o possível fim do jejum do Inter em Brasileiros.

        "Acabou que foi um campeonato extremamente conturbado por polêmicas de arbitragem, e a gente ainda conseguiu chegar na reta final com condição de ser campeão, aí depois aconteceu tudo que aconteceu no jogo contra o Corinthians", relembrou Tinga, figura central no empate em 1 a 1 entre Internacional e Corinthians.

        O jogo era válido pela 40ª rodada, a duas do final do campeonato, e em um lance em que esperava-se a marcação de pênalti de Fábio Costa sobre Tinga, o meia acabou expulso, uma cena icônica e ainda fresca na memória de muitos.

        Lance entre Tinga e Fábio Costa
        "No momento que eu fui expulso, lógico que fiquei chateado. Hoje, vendo o todo, eu até agradeço o Corinthians por aquele jogo. O Corinthians não tem culpa daquilo, agradeço mais o Márcio Rezende, que me expulsou, porque a partir daquele ano a gente teve a oportunidade de se unir cada vez mais em cima daquele acontecimento, tanto nós, quanto a torcida. Entendemos que fizemos de tudo para ser campeão e não fomos por uma força maior em 2005, e aí em 2006 fomos buscar mais que o Brasileiro, buscamos a Libertadores e, consequentemente, o Mundial", afirmou Tinga. 

        O jogo entre Inter e Corinthians não foi propriamente uma final, já que no sistema de pontos corridos esse jogo não existe. A partida valia os mesmos três pontos do que qualquer outra, e há quem argumente que não foi esse o único motivo para a perda do título para o clube paulista. Porém, não perceber o jogo do dia 20 de novembro de 2005 como uma das maiores decisões de todos os tempos no atual formato de disputa da competição é impossível.

        "Não é tão fácil do torcedor ou do jogador entender isso de que todos os jogos são finais, é difícil convencer isso em um campeonato com 20 clubes. Essa é a ideia correta que tem que se ter, mas não é fácil. Realmente, até hoje, que eu me lembro de Campeonato Brasileiro, dentro dos pontos corridos, o jogo que teve todos os elementos de uma final foi Corinthians e Inter. Normalmente, um clube dispara, ou quando os times que estão em primeiro e segundo se encontram é no meio da competição. Ali estávamos encontrando com eles três pontos na frente e com todo o processo da volta de pontos na Justiça. Então, acho que até hoje, na história do Brasileiro, o único jogo dos pontos corridos que realmente teve características e pressão de uma final foi Corinthians e Inter em 2005", finalizou.

        Números da edição

        Média de gols: 3,13 gols/jogo

        Melhor ataque: Corinthians - 87 gols

        Melhor defesa: Internacional - 49 gols sofridos

        Artilheiro: Romário - 22 gols

        Jogador com mais partidas: Kléber (Fluminense), Diego (Flamengo) e Harlei (Goiás) - 42

        *Lista de partidas anuladas e novos resultados:

        Data Jogo Anulado Resultado Data do jogo Remarcado Resultado do jogo remarcado
        8 de Maio Vasco x Botafogo 0–1 19 de Outubro 1–0
        2 de Julho Ponte Preta x São Paulo 1–0 19 de Outubro 2–0
        16 de Julho Paysandu x Cruzeiro 1–2 19 de Outubro 4–1
        24 de Julho Juventude x Figueirense 1–4 19 de Outubro 2–2
        31 de Julho Santos x Corinthians 4–2 13 de Outubro 2–3
        7 de Agosto Vasco x Figueirense 2–1 12 de Outubro 3–3
        10 de Agosto Cruzeiro x Botafogo 4–1 12 de Outubro 2–2
        14 de Agosto Juventude x Fluminense 2–0 12 de Outubro 3–4
        21 de Agosto Internacional x Coritiba 3–2 28 de Outubro 3–2
        7 de Setembro     São Paulo x Corinthians 3–2 24 de Outubro 1–1
        10 de Setembro Fluminense x Brasiliense 3–0 24 de Outubro 1–1
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