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        2007: Com recorde na defesa, São Paulo conquista o penta

        Texto por Caio Fiusa
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        O Brasileiro de 2007 foi o ápice da alegria para o torcedor são-paulino. Campeão com quatro rodadas de antecedência, com 15 pontos de vantagem para um arquirrival, o Santos, que ficou com o vice, o Tricolor do Morumbi teve a defesa menos vazada da história do Brasileiro dos pontos corridos, com apenas 19 gols sofridos e viu outro arquirrival, o Corinthians, rebaixado pela primeira vez. 

        Soma-se a isso prêmios e mais prêmios. No Craque do Brasileirão, o M1to levou três troféus ao ser eleito melhor goleiro, craque do torneio e da galera. Breno ganhou dois: revelação e melhor zagueiro. O companheiro Miranda formou a dupla de zaga. Foram premiados ainda Richarlyson e Hernanes como melhores volantes e Muricy Ramalho, o melhor técnico. No Bola de Prata, Rogério Ceni, Breno, Richarlyson e Hernanes integraram a seleção do campeonato. 

        Reformulação tricolor

        Depois de enfim quebrar o jejum de 15 anos sem título do Brasileiro, o São Paulo começou a temporada de 2007 com algumas baixas no elenco campeão. O zagueiro Fabão, o lateral-direito Ilsinho, a dupla de volantes Josué e Mineiro e o meia Danilo deixaram a equipe no início e até a metade do ano. 

        Naturalmente, o primeiro passo do clube foi a reconstrução do time. Até por isso, o zagueiro Edcarlos, bicampeão em 2006 e 2007, em conversa com oGol, lembrou que no início do ano, o pensamento do clube não era em conquistar o título e sim, remontar a equipe. 

        ''No primeiro momento, sim. A ideia dos que permaneceram era essa, porque perdemos nossa espinha dorsal. Mas a personalidade dos que chegaram, vestiram a camisa e lutaram pelo título, precisa ser valorizada ainda mais. Eles deram conta do recado. Muitos chegaram ao clube em outros anos e não renderam o esperado'', contou o zagueiro.

        Dentre os reforços que chegaram ao Tricolor estavam os volantes Zé Luís e Hernanes, emprestado ao Santo André na temporada anterior, o meia Hugo os atacantes Borges e Dagoberto e o polivalente Jorge Wagner, que chegou do Internacional para ser uma das peças decisivas no 3-5-2 de Muricy Ramalho. O ex-jogador era o encarregado das cobranças de bolas paradas e se destacava nos passes e cruzamentos precisos, o que culminou na liderança de assistências no Brasileiro.

        ''Eu trabalhei com Muricy no Internacional e ele me adaptou às novas funções de ala e lateral. Eu sempre joguei no meio-campo, como volante ou meia ofensivo, mas ele gostava de laterais com liberdade para apoiar e o São Paulo vinha com essa formação. Eu já esperava jogar assim, mas ia depender das peças que estavam ou chegariam ao grupo. Nós tínhamos o Júnior e o Richarlyson, que também podia jogar ali. A minha contratação foi para jogar no lado do campo'', lembrou Jorge Wagner, que jogou quatro temporadas pelo Tricolor e é o líder em assistências pelo clube no século. 

        Apesar das trocas no elenco, o São Paulo começou o ano com uma boa sequência. O clube disputou 21 partidas no Paulista e perdeu apenas duas, ambas para o São Caetano. Entretanto, a segunda derrota, um 4 a 1, em pleno Morumbi, custou a eliminação do Estadual na semifinal. Na Libertadores, os comandados de Muricy Ramalho pararam nas oitavas, depois de vencer o jogo de ida contra o Grêmio, por 1 a 0, em casa, e perder por 2 a 0, em Porto Alegre.

        Com duas eliminações em um curto espaço de tempo, o São Paulo não tinha tempo para se lamentar. Três dias após a queda no torneio continental, o clube estreou no Brasileiro. A partida inaugural da campanha vitoriosa teve um sabor especial para Jorge Wagner. 

        ‘’O primeiro jogo no Brasileiro foi marcante, contra o Goiás. Nós ganhamos e eu marquei um gol. Nós havíamos sido eliminados no Paulista, dias antes, e foi a minha primeira partida como titular e quando comecei a me firmar. Eu cheguei, tive contusão e fiquei parado por dez, 15 dias. Aos poucos conquistei o meu espaço. Foi um recomeço’’, lembrou Jorge Wagner.

        Sequência invicta leva ao título antecipado

        Até a 12ª rodada, o São Paulo fazia um Brasileiro irregular, longe daquele time convincente da temporada anterior. Naquela altura, a equipe ocupava a quarta colocação, com 19 pontos, cinco atrás do líder Botafogo, e, além do Goiás, havia vencido Paraná (1 x 0), Vasco (2 x 0), Santos (0 x 2) e Internacional (1 x 0). Porém, o Tricolor deixou pontos pelo caminho nos empates diante de Palmeiras (0 x 0), Figueirense (0 x 0), Flamengo (0 x 0) e Corinthians (1 x 1) e nas derrotas para Náutico (1 x 0), Atlético Mineiro (0 x 1) e Fluminense (0 x 1). 

        ©Getty / CityFiles

        A partir da 13ª rodada, com a vitória por 2 a 1, contra o Cruzeiro, em Belo Horizonte, o São Paulo arrancou de forma espetacular e ficou 16 jogos invicto, praticamente dois meses e meio sem saber o que era derrota. Nesta sequência, foram 14 vitórias e apenas Goías e Atlético Mineiro conseguiram resistir à eficiência são-paulina, arrancando empates em 0 a 0.

        Entre as partidas do período, destaque para o confronto diante do Botafogo. Em 2007, a equipe comandada por Cuca vivia bom momento e o jogo no Maracanã, válido pela 18ª rodada, foi considerado uma final antecipada. Pelo menos do primeiro turno. O Tricolor liderava a competição com 34 pontos, dois a mais que o Glorioso. A zaga mostrou seu poder, impediu a força ofensiva do Carrossel Alvinegro e voltou do Rio de Janeiro com a vitória por 2 a 0, gols de Alex Silva e Leandro. Embora o duelo chamasse atenção de imprensa e torcedores, Jorge Wagner contou que a partida foi vista apenas como mais uma decisão rumo ao título.  

        ‘’Todo jogo era importante, era assim que encarávamos. Foi um jogo decisivo também, em um momento especial dentro do Brasileiro. Nós tivemos jogos que sentíamos a necessidade da vitória para traçar estratégias ao longo do campeonato. Poder ganhar um adversário difícil, fora de casa, em um torneio tão disputado, é preciso ressaltar a vitória’’, disse o ex-jogador são-paulino.

        Na rodada seguinte, o São Paulo recebeu o Athlético Paranaense, no Morumbi, e com um gol de Jorge Wagner e outro de Borges, encerrou o primeiro turno com vitória por 2 a 0. A partida marcou a despedida de Josué, que seguiu os passos do companheiro de ''volância'' Mineiro, que havia saído no início do ano, e foi para o futebol alemão. A dupla foi fundamental para a solidez defensiva da equipe e mereceu destaque de Edcarlos, zagueiro da equipe. 

        ''A nossa dupla de volantes era muito boa. O Josué dava uma proteção incrível e o Mineiro conseguia fazer nessa época, o que se pede hoje, para jogar nas duas áreas. Não usávamos GPS nesse período, mas com certeza o Mineiro corria mais do que dez, 11km por jogo'', lembrou o defensor para oGol

        O São Paulo só foi reencontrar uma derrota na 29ª rodada, quando visitou o Flamengo, no Maracanã e viu o Rubro-Negro marcar o gol solitário da partida com Ibson. Mas naquele momento, a vantagem para o vice-líder Cruzeiro, já era de 12 pontos. Nem mesmo o revés para o Corinthians no jogo seguinte, ameaçou a liderança são-paulina, uma vez que o rival mineiro apenas empatou e a diferença caiu um ponto, ficando em 11. 

        O empate com o Fluminense no Rio de Janeiro, por 1 a 1, e as vitórias sobre o Cruzeiro, em casa, por 1 a 0, e Sport, fora, por 2 a 1, deram ao São Paulo a possibilidade de ser bicampeão contra o América de Natal, na 34ª rodada, diante de sua torcida. Hernanes, Miranda e Dagoberto marcaram os gols do triunfo por 3 a 0 que confirmou o quinto título brasileiro na história tricolor. 

        Na continuação do campeonato, o São Paulo foi derrotado pelo Juventude, em Caxias do Sul, por 2 a 0, venceu o Grêmio, por 1 a 0, no Morumbi, empatou com o Botafogo, por 2 a 2, em casa, e encerrou a sua participação no torneio com derrota para o Athletico Paranaense, em Curitiba, por 2 a 1. O Tricolor somou 77 pontos, 15 a mais que o vice-campeão, Santos. Apesar da larga diferença, Jorge Wagner ressaltou a dificuldade que o time enfrentou ao longo do ano. 

        ''Apesar da diferença de pontos, foi um campeonato muito disputado. Nós ganhamos vários jogos por 1 a 0. Não tivemos um ataque dos mais fortes, mas tivemos uma defesa sólida. A aplicação tática era muito grande e fez a diferença para vencermos jogos apertados'', ressaltou. 

        Outros motivos para o torcedor festejar

        A defesa sólida foi a marca do São Paulo de 2007. O Tricolor estabeleceu um novo recorde no Brasileiro de pontos corridos, o de time que sofreu menos gols. Nas 38 rodadas, Rogério Ceni foi apenas 19 vezes buscar as bolas no fundo de suas redes, média de 0.5 gol por jogo. Naquele ano, Muricy Ramalho adotou o esquema 3-5-2. O zagueiro Edcarlos analisou as mudanças táticas realizadas pelo treinador. 

        ''Particularmente, é o esquema tático que eu mais gosto porque dá mais segurança ao time e nós tínhamos laterais muito bons. O zagueiro pode dar o bote com mais convicção, tem dois companheiros na cobertura. No 4-4-2, você joga no fio da navalha, ainda mais agora, com as linhas altas, com os treinadores exigindo pressão. Isso aumenta a responsabilidade do setor defensivo. O Muricy procurava explorar o melhor de cada um. Se o elenco tinha zagueiros fortes e bons nas jogadas aéreas, ele trabalhava bastante isso e também finalização e transição. Era a nossa realidade, um feijão com arroz bem feito'', lembrou o zagueiro. 

        Além do título, ser o time com mais vitórias, menos derrotas e o recorde da defesa, a torcida ainda comemorou o rebaixamento de um dos maiores rivais: o Corinthians. O Alvinegro do Parque São Jorge tentou até a última rodada se livrar do vexame, mas o empate contra o Grêmio, no Olímpico e a vitória do Goiás, diante do Internacional, confirmaram o pesadelo do clube. Nada que tenha feito Jorge Wagner e o elenco do São Paulo comemorarem. 

        ''A gente vivia muito o clube e não se preocupava com os outros. Isso ficou para a torcida, ter o seu time campeão e um dos maiores rivais rebaixados. Por parte dos jogadores, só comemoramos o título, independente dos outros'', revelou Jorge Wagner. 

        Números da edição: 

        Média de gols: 2,76 gols/jogo

        Melhor ataque: Cruzeiro - 73 gols

        Melhor defesa: São Paulo - 19 gols sofridos

        Artilheiro: Josiel (Paraná) - 20 gols

        Jogador com mais partidas: Diego Cavalieri (Palmeiras), Harlei (Goiás) e Michel Alves (Juventude) - 38 jogos

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