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        Branco, o canhão do tetra

        Texto por Eduardo Massa
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        Ídolo do Fluminense, lenda da seleção brasileira e herói do tetra. Cláudio Ibrahim Vaz Leal, o Branco, é respeitado e lembrado hoje como um dos maiores laterais esquerdos da história do futebol brasileiro. Mas poderia ter sido diferente. Nem sempre o jogador foi uma unanimidade.

        Um pouco como Dunga, Branco foi marcado por fracassos na seleção. Problemas físicos e a luta contra a balança também o impediram de desempenhar sempre seu futebol no mais alto nível. Barreiras que o lateral soube superar para construir uma carreira vitoriosa, que poderia ser resumida em um jogo: o Brasil e Holanda de 94.

        Campeão e ídolo nas Laranjeiras

        Antes de ser o lateral do tetra, Branco foi um dos grandes ídolos da história do Fluminense. Gaúcho de Bagé, o lateral passou por times locais na base e se profissionalizou no Internacional, sem ter muitas oportunidades por lá.

        Branco chegou ao Fluminense ainda muito novo e ali começou sua trajetória de sucesso. Habilidoso, técnico e com um potente chute de esquerda, o lateral conquistou o tricampeonato entre 1983 e 1985, e foi campeão brasileiro em 1984.

        O bom desempenho de Branco nas Laranjeiras o alçou à seleção brasileira e o levou ao futebol europeu em uma época em que as transferências para lá não eram tão comuns como nos tempos atuais.

        Sucesso na Itália e em Portugal

        Branco assinou com o Brescia, da Itália, em 86. O clube tinha acabado de subir para a elite e tinha no lateral uma das suas principais apostas. O ex-jogador do Fluminense até fez boas exibições, mas não conseguiu manter a equipe na primeira divisão. Branco ainda disputou a segundona antes de deixar o Brescia.

        O passo seguinte de Branco foi no Porto, em Portugal. Logo se tornou peça importante para os Dragões, que estavam no início de uma fase de ouro, quebrando o domínio anterior das décadas de 60 e 70 de Benfica e Sporting. Foi campeão luso em 1989/90 e da Copa de Portugal, retornando no meio da temporada seguinte ao futebol italiano para defender o Genoa.

        Com Branco, o Genoa chegou a uma classificação histórica para a Copa Uefa. Mais que isso, o lateral se tornou símbolo da campanha por um golaço de falta no dérbi contra a Sampdoria. O rival de Gênova ficou com o título, mas teve de encarar a provocação do Genoa, com sua melhor campanha em décadas, na quarta posição.

        Por falar em gols, Branco fez muitos deles por toda a sua carreira, apesar de jogar na defesa. Tudo graças ao seu característico "canhão" de esquerda, que já levou adversários a nocaute e deixou inclusive um fotógrafo ferido na campanha do tetra, em lances que foram aumentados pelo tempo e viraram lendas: há quem diga que suas bolas deixaram vítimas fatais e cegaram outros.

        Voltando ao Genoa, Branco ainda ajudou a levar o time à semifinal da Copa Uefa, mas a equipe italiana caiu para o Ajax de Louis van Gaal, que consagraria nomes como Denis Bergkamp e Frank de Boer. O lateral daria o troco nos holandeses mais tarde em uma ocasião ainda mais especial.

        Depois de uma primeira passagem de sucesso pelo futebol europeu, Branco decidiu retornar ao Brasil em 1993 para atuar pelo Grêmio. Mas sua forma física já não era a mesma. Na reta final da carreira ainda teve experiência no Middlesbrough, da Inglaterra, e no NY Red Bulls, dos Estados Unidos.

        No futebol brasileiro, Branco teve mais duas passagens pelo Fluminense, onde encerrou a carreira em 98, e atuou por Flamengo (em 1995 no centenário), Internacional e Mogi Mirim. 

        De contestado a herói do tetra

        A Copa de 94 foi a terceira de Branco com a camisa da seleção, e muito por conta da insistência de Carlos Alberto Parreira. Para muitos, principalmente na imprensa paulista, a convocação do lateral em fim de carreira e com diversos problemas físicos era um erro, ainda mais com um jovem Roberto Carlos começando a aparecer em alto nível.

        As experiências anteriores não tinham sido das melhores. Em 1986, Branco vivia provavelmente o seu auge, mas a seleção de Telê Santana já não era a mesma que tinha encantado o mundo, apesar da derrota para a Itália em 1982. O lateral, inclusive, poderia ter saído como herói depois de sofrer pênalti no difícil jogo contra a França de Platini. Mas Zico desperdiçou a cobrança e a seleção canarinho voltou para casa depois de empate em 1 a 1 no tempo regulamentar e derrota nas penalidades.

        Em 1989 a primeira grande conquista com a seleção. Com a base que seria campeã em 1994, com os ainda jovens Bebeto e Romário no ataque, o Brasil encerraria longa seca com o título da Copa América. Um grande feito que ficaria apagado pelo fracasso em 90, com uma história curiosa: Branco teria tomado água "batizada" com tranquilizantes no jogo contra a Argentina. Ao menos ele garante ter ficado sonolento após beber a tal água oferecida pelos argentinos.

        Dunga foi o principal alvo do fracasso em 90, mas toda uma geração se viu pressionada por resultados em 94. Branco estava longe de seu auge, com problemas com o peso e com forte inflamação no nervo ciático quando foi convocado por Parreira. Mal conseguia andar, segundo o próprio. Mas Leonardo era o titular, e o técnico queria uma opção experiente, capaz de lidar com as críticas, com liderança para ajudar seus companheiros.

        Branco poderia ter passado a Copa sem entrar em campo. Foi preciso um momento de destempero de Leonardo contra os Estados Unidos, nas oitavas de final, para o lateral veterano ter sua chance. O vermelho do titular não abriu espaço de imediato para o ídolo tricolor: Cafu foi o escolhido no decorrer da partida. Parreira preferiu guardar as forças de Branco para as quartas de final.

        Quem acompanhou a campanha do tetra lembra do Brasil x Holanda como o momento mais emocionante da Copa para o Brasil. Um jogo disputado palmo a palmo, em que cada erro poderia ser fatal.

        O primeiro tempo terminou sem gols. Bebeto e Romário abriram dois gols de vantagem na segunda etapa para o Brasil, mas a Holanda cresceu, de tal forma que não apenas alcançou o empate como parecia preparada para encerrar a participação brasileira nos EUA. Faltando 10 minutos para o fim, Branco cavou falta na intermediária. Era o momento de brilhar.

        A cena está na memória de qualquer torcedor vivo na época. Branco toma distância, corre e solta a sua característica bomba de canhota. A bola ultrapassa a barreira, Romário desvia dela por um palmo, o goleiro não chega. Todo o país explodiu em êxtase.

        O futebol tem destas coisas. Branco poderia não ter conseguido se recuperar a tempo. Poderia não ter conseguido exibir seu melhor futebol por conta de sua forma física. Racionalmente, talvez fosse uma opção arriscada demais, apesar de todo o seu reconhecido talento. Mas, se não estivesse lá, talvez nos faltaria o tetra.

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        Branco (BRA)
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