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Um foguete chamado Roberto Carlos

Texto por Carlos Ramos
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Potência é uma palavra que diz um pouco sobre Roberto Carlos, mas o lateral esquerdo, apesar de ter um chute espantoso, foi muito mais que um grande cobrador de faltas. Roberto Carlos foi um dos maiores laterais da história do futebol mundial, e fez carreira vitoriosa por onde passou. 

O início foi no interior de São Paulo, em Araras. No União São João, o menino não demorou muito para assumir um lugar entre os titulares. Aos 16 anos, já era titular da equipe e não só: era o grande jogador do time. As jogadas do União se concentravam pelo lado esquerdo. 

A quase ida ao Atlético 

As boas partidas no interior de São Paulo fizeram o Atlético Mineiro abrir o olho. O clube mineiro chegou a um acordo com os paulistas para ficar com Roberto Carlos por empréstimo, para observar o jogador em uma excursão na Europa. 

Roberto Carlos foi bem, apesar de algumas derrotas do time. Os mineiros, então, toparam pagar o valor pedido para ter o jogador em definitivo. O União, entretanto, dobrou a pedida, e o futuro de Roberto Carlos acabou sendo outro. 

O atleta, que já era chamado para as seleções de base, voltou para São Paulo, e seguiu se destacando no União. Era o grande nome do time: cobrava faltas e pênaltis, era arma ofensiva em cobranças de laterais fortes na área e opção para chutes de fora da área. 

Títulos no Palmeiras 

Era claro que Roberto não seguiria muito tempo por lá. A passagem por Araras acabou em 1993. O Palmeiras contava com o auxílio financeiro da Parmalat e contratou grandes nomes do futebol. Formou um time que tinha Edmundo, Edílson, Evair, César Sampaio, Zinho, Antônio Carlos, Cafu e companhia. Dirigido por Vanderlei Luxemburgo, Roberto Carlos foi campeão brasileiro logo no primeiro ano pelo clube. Mesmo jovem, o lateral se firmou como titular no time que venceu o Vitória na decisão. 

A equipe se manteve forte na temporada seguinte e, apesar de não ter conseguido o título da Libertadores, aplicou uma histórica goleada no Boca Juniors, no Parque Antártica, por 6 a 1. Roberto Carlos fez um dos gols, em chute cruzado. 

O Verdão conquistou naquele ano o bicampeonato brasileiro. A decisão foi especial, contra o maior rival, Corinthians. Rivaldo e Edmundo marcaram os gols na vitória da ida, decisiva para mais um título do clube, e do jovem lateral. 

Roberto seguiu impressionando no Parque Antártica em 1995. Contra o Grêmio, na Libertadores, marcou um golaço de falta quase do meio-campo, em um chutaço. Também presença na seleção brasileira e vice-campeão da Copa América daquele ano, o jogador deu o salto para o futebol europeu para defender a Internazionale. 

Breve passagem em Milão e idolatria na Espanha 

Roberto Carlos ficou apenas uma temporada em Milão. Naquela temporada, a Inter terminou o Italiano apenas no meio da tabela, em sétimo lugar. Apesar da má campanha do time, o lateral brasileiro era sempre protagonista, com suas grandes cobranças de falta com muito veneno. 

O brasileiro fez três golaços de falta com os Nerazzurri, um de pênalti e dois em arremates de perna direita, que nem era o forte dele. O bom desempenho, em meio a um time em crise, fez o jogador logo se mudar para Madri. Lá, seria um dos grandes nomes da história do Real Madrid. 

Logo no primeiro ano, o lateral marcou cinco gols e foi campeão espanhol, sem sentir o peso do novo clube. Já no ano seguinte, o lateral, sempre titular, participou da campanha que encerrou um jejum de mais de três décadas do Real Madrid sem conquistar a Liga dos Campeões. 

Ali, Roberto já começou a entrar para a história do clube merengue. Com um chute de canhota potente, destruía as defesas inimigas quando a coisa estava complicada. O lateral participou de novo título da Champions em 2000, em vitória na final sobre o Valencia. 

No total, Roberto Carlos fez 527 jogos com a camisa do Real Madrid, marcando 68 gols. Foi capitão muitas vezes e ficou marcado como um dos maiores jogadores da história dos Blancos, para muitos o maior lateral do clube. Fez parte da era dos galácticos, com Ronaldo, Beckham e companhia, embora a maior parte dos títulos tenha sido conquistada antes disso. O brasileiro levantou três títulos da Liga dos Campões, dois Mundiais, uma Supercopa da Europa, quatro ligas espanholas, três Supercopas da Espanha. 

Da decepção ao penta 

Enquanto se tornava um dos maiores jogadores da história do Real Madrid, Roberto Carlos seguia escrevendo história na seleção brasileira. Como titular, e sempre protagonista, foi campeão da Copa América de 1997, torneio que voltaria a conquistar dois anos depois. 

Em 1998, porém, a Copa da França deixou um gosto amargo no jogador. Foi o primeiro Mundial de Roberto Carlos, e o Brasil vinha com grande campanha, eliminando Dinamarca e Holanda no mata-mata. Até que chegou a final, contra a França, e Zinedine Zidane atropelou o Brasil. 

Quatro anos depois, Roberto Carlos, e a seleção brasileira, voltaram a tentar. O lateral parecia no auge, após mais um título da Liga dos Campeões com o Real Madrid, dessa vez dando duas assistências na decisão, contra o Bayer Leverkusen, a segunda delas para o estupendo gol de Zidane, carrasco que foi companheiro em Madri. 

Apesar do bom momento do lateral, a seleção estava desacreditava. Havia feito campanha irregular nas Eliminatórias, e Felipão havia deixado de fora Romário, o queridinho da torcida. O time, porém, comprou a ideia do técnico. 

Roberto Carlos fez parte da equipe pentacampeã mundial. Naquela Copa, fez seu único gol em Copas (e em competições oficiais) pela seleção, um petardo em cobrança de falta contra a China. Na final, viu de perto Ronaldo derrubar a muralha Oliver Kahn, com título sobre a Alemanha. 

Despedida melancólica 

Na Copa seguinte, em 2006, Roberto Carlos já não era mais o mesmo, e nem muitos que fizeram parte da seleção. Apesar de o time ter dado show em algumas partidas antes da Copa, como na goleada sobre a Argentina, na final da Copa das Confederações, ao longo do Mundial da Alemanha, a coisa não encaixou. 

Roberto Carlos, um dos maiores laterais da história do futebol, acabou marcado na derrota para a França, nas quartas, de novo sob as luzes do brilhante carrasco Zidane. No lance do gol, uma cobrança de falta de Zizou na área para Henry marcar, Roberto Carlos não acompanhou, e ficou abaixado, arrumando a meia. O jogador se defendeu que, supostamente, não teria de acompanhar Henry no lance, mas acabou muito criticado e nunca mais vestiu a camisa da seleção, após 126 jogos e 11 gols. 

Um novo mercado na Turquia e retorno ao Brasil

Depois da Copa, Roberto Carlos viu seu ciclo se encerrar também no Real Madrid. O jogador acabou se mudando para Istambul para participar da temporada do centenário do Fenerbahçe. Comandado por Zico, o time, que tinha o meia Alex, foi campeão turco e fez grande campanha na Liga dos Campeões, alcançando as quartas de final. 

Roberto Carlos ainda fez das suas, e deixou a Turquia, após 100 jogos e dez gols, para voltar ao Brasil. O destino foi o Corinthians, rival de seu antigo clube, o Palmeiras. Lá, o lateral reeditou dupla com Ronaldo, o Fenômeno. 

Com a camisa corintiana, apesar de alguns momentos brilhantes, como o golaço em chute no ângulo contra o Santo André, ou o gol olímpico contra a Portuguesa, o lateral não conseguiu sucesso. A despedida foi como na seleção: melancólica, após derrota e eliminação para o Tolima na fase prévia da Libertadores. 

O jogador ainda voltou para a Europa, onde fez vezes de técnico e jogador no Anzhi, da Rússia, e encerrou a carreira após passagem pelo Delhi Dynamos, da Índia. Roberto ainda tentou ser treinador, mas não chegou perto do brilho de quando era jogador. E que jogador foi Roberto Carlos... 

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