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Eusébio: a Pantera Negra

Texto por João Pedro Silveira
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Eusébio da Silva Ferreira nasceu em Lourenço Marques, hoje Maputo, capital da então África Oriental Portuguesa, hoje Moçambique. Filho de Laurindo António da Silva Ferreira e de Elisa Anissabeni, cresceu no bairro da Mafala, uma das zonas mais pobres da cidade, repleta de casas pobres e sem rede de saneamento.

Desde muito, cedo se apaixonou pelo futebol, faltando aulas para jogar com os amigos, o que lhe valia umas "surras bem dadas" pela Dona Elisa. Aos oito anos, faleceu o pai, aprofundando ainda mais a forte ligação que já tinha com a mãe.

Mais tarde, em inúmeras entrevistas, destacou sempre a ligação especial que tinha com a Dona Elisa, personagem fundamental na sua educação, pelos valores que lhe incutiu, como a lealdade, que viriam a ser tão importantes na sua vida.

Começou a jogar com vizinhos e amigos numa equipe do bairro conhecida como "Os Brasileiros". Mais tarde, foi tentar a sorte ao clube do seu coração, o Desportivo, que prontamente o recusou.

Eusébio não desarmou e tentou a sorte no Sporting de Lourenço Marques, filial dos leões de Lisboa, e foi por lá que viria a conquistar os primeiros troféus da carreira: Campeonato Estadual de Lourenço Marques e Campeonato de Moçambique.
 
A disputa Sporting x Benfica

As suas exibições de gala logo viraram notícia em Portugal, na época conhecido como Portugal Continental. O Porto foi o primeiro clube a demonstrar interesse. Pouco depois, foi a vez do Sporting entrar em contato com a sua filial moçambicana, chegando a acordo para a transferência e propondo que Eusébio viesse para Lisboa para um período de testes. 

Enquanto os leões negociavam com o clube, o Benfica ia diretamente a Eusébio e à sua mãe. A proposta das Águias foi aceita e Dona Elisa prometeu que Eusébio ou jogava no Benfica, ou não jogava em lugar algum. Os Leões, pressentindo o perigo, oferecem quinhentos contos (moeda da época) ao jogador, mas este resiste à tentação e mantém-se fiel à palavra dada pela mãe.

A guerra entre os clubes ganhou destaque nos jornais de Lisboa, e o Benfica se antecipou ao rival, comprando a passagem de Eusébio para Lisboa. 

Em 17 de Dezembro de 1960, embarcou rumo a Lisboa com o nome de Ruth Malosso. Eusébio era esperado por um dirigente e Cruz dos Santos, jornalista do jornal A Bola. O Sporting tentou por todos os meios conseguir convencer o jogador a deixar de lado o rival. Protestou junto a Federação, reclamou com o então ditador Salazar, ao mesmo tempo que o Benfica fazia o mesmo. O país estava dividido.

O que se sabe é que o então jovem jogador foi parar no Algarve, região mais para sul de Portugal, onde permaneceu escondido e controlado por dirigentes encarnados até que a Federação desse razão ao Benfica.

Enfim, em Lisboa

Eusébio estreou em um duelo de reservas contra o Atlético e marcou três gols. Cinco dias depois, via a sua nova equipe vencer a Liga dos Campeões em Berna, batendo o Barcelona na final. Impedido de jogar, sonhou com o dia que poderia jogar uma final assim, longe de imaginar que um ano depois teria papel fundamental no bicampeonato. 

Na temporada seguinte, a sua primeira no Benfica, Eusébio já fez parte da gloriosa vitória na final da Champions contra o Real Madrid, de Di Stéfano, por 5 a 3. Com dois gols, Eusébio foi a estrela da equipe e viu reconhecido o seu valor pela France Football, ficando em segundo na Bola de Ouro.

Em 1962, Eusébio ainda protagonizou grandes duelos com o Santos, de Pelé. Diante de um Maracanã com quase 100 mil pessoas, viu o Rei marcar duas vezes, com vitória do Peixe por 3 a 2. Na volta, em Lisboa, Eusébio marcou, mas Pelé fez três, o Santos goleou e foi campeão mundial. 
 
No Português, o Benfica só conseguiu o terceiro lugar, vencendo a Copa. Nos anos seguintes, porém, Eusébio conquistaria o Campeonato por onze vezes, em catorze temporadas no time da Luz.
 
A Juventus tentou contratar a Pantera Negra e o oferece um grande contrato. A tentação era enorme e Eusébio só não sai para Itália porque é convocado para o serviço militar e fica proibido de abandonar o país.
 
Na seleção, Eusébio estreou dia 08 de Outubro de 1961, marcando um gol na humilhante derrota por 4 a 2 contra Luxemburgo. Seria nas Eliminatórias para a Copa de 1966 que Eusébio começaria a deixar a sua marca na seleção, marcando sete gols em seis jogos. Já na Inglaterra, foi além e, com nove tentos, foi o artilheiro daquela Copa. 

Copa de 66
 
Eusébio voltou a reencontrar Pelé na Copa na Inglaterra. No duelo, Pelé passou em branco, o português marcou duas vezes e os Tugas venceram por 3 a 1. Foi uma das partidas inesquecíveis do atacante na quela Copa. 

Contra a Coreia do Norte, nas quartas de final, fez quarto gols, sendo fundamental para uma reviravolta no placar, que ficou 5 a 3. Na semifinal, marcou um gol, mas quem avançou foi a Inglaterra, que conquistaria seu único título mundial. Portugal acabou por conquistar o terceiro lugar com mais um gol de Eusébio na vitória por 2 a 1 contra a União Soviética. 

Uma carreira ímpar
 
Após o sucesso na Inglaterra, recebeu a Bola de Ouro da France Football como o melhor jogador a atuar na Europa. Nos anos seguintes, venceria também por duas vezes a Chuteira de Ouro, destinada ao melhor artilheiro europeu.
 
Além do terceiro lugar na Inglaterra e de ter sido uma vez campeão europeu, Eusébio jogou ainda por três vezes a final da Liga dos Campeões, ganhou 11 campeonatos nacionais e cinco Copas de Portugal. Individualmente, ganhou sete vezes a Bola de Prata, destinada ao artilheiro do Campeonato Português.
 
Em toda a carreira, marcou 733 gols em 745 jogos, além de ter feito 64 jogos pela seleção portuguesa, conseguindo 41 gols.
 
Depois da Revolução que aconteceu em Portugal em abril de 1975, Eusébio, que havia sido "nacionalizado" pelo então ditador Salazar, pôde, finalmente, sair de Portugal e, em 1975, foi explorar o mercado da América do Norte, tendo jogado nos Estados Unidos, Canadá e México.

Regressou a Portugal mais tarde para jogar pelo Beira-Mar e União de Tomar, mas as muitas lesões e inúmeras operações tinham feito miséria no seu massacrado joelho. Depois de terminar a carreira, Eusébio viu reconhecido o seu talento pelo seu adorado Benfica, que o homenageou com uma estátua em frente ao Estádio da Luz. A seleção o nomeou embaixador itinerante e a Uefa o considerou melhor jogador português de todos os tempos. Já uns anos antes, a Fifa havia considerado o Pantera Negra o sétimo melhor jogador da história.

No dia 05 de Janeiro de 2014, Eusébio disse "adeus" ao mundo, mas a sua história ficará para a eternidade...

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