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Sócrates Brasileiro: ídolo dentro e fora de campo

Texto por Carlos Ramos
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Seria impossível falar de Sócrates só com a bola nos pés. Seria impossível contar a trajetória de Sócrates só através de gols e títulos. Não porque faltassem bolas na rede ou troféus na galeria. Mas porque Sócrates foi o exemplo de que um jogador pode ser muito mais que um atleta. 

Sócrates Brasileiro nasceu em Belém do Pará. Com nome de filósofo, nunca deixou os livros. Afinal, estes foram herança de seu pai, Seu Raimundo Vieria, que tinha muito interesse em filosofia e lia muito Platão. O filho também lia. Quando iniciava a carreira como jogador, no Botafogo de Ribeirão Preto, cursava medicina. Mais tarde, se tornou Doutor e foi eleito, pelo jornal inglês Guardian, um dos seis atletas mais inteligentes da história. 

Entre o futebol e a medicina

Sócrates gostava de viver em Ribeirão Preto. No Botafogo, tinha permissão do clube para não treinar e se dedicar aos estudos. Mas quando a bola rolava nos jogos, decidia. Sempre chamava a atenção das principais equipes de São Paulo, mas não deixava Ribeirão. 

Até porque Seu Raimundo só deixaria Sócrates sair da cidade ao terminar os estudos. Foram anos dedicados a medicina e ao Botafogo. Até que, aos 24 anos, se formou. Os gigantes da capital, então, duelaram para contar com o atacante. 

O São Paulo aparecia na frente do Corinthians, mas o Timão ofereceu 350 mil dólares ao Botafogo. As cifras eram inéditas no futebol nacional, e o time de Ribeirão Preto não pensou duas vezes. Sócrates foi para a capital. 

Aposta e ídolo da Fiel

No Parque São Jorge, muita gente achava que Sócrates era uma aposta. Afinal, que jogador era aquele que não treinava e cursava medicina? Só que em campo, Sócrates acabou logo com as dúvidas. Com a bola nos pés, convenceu os corintianos. 

Apesar de grande (1,92m), Sócrates impressionava pela classe com que jogava. Tanto que teve no toque de calcanhar uma das principais marcas da carreira. Com grande visão de jogo, dispensava o estereótipo de "atacante trombador". 

Era ele quem achava os espaços em campo. Sócrates jogava futebol por arte. "Eu jogava por prazer", chegou a dizer. O atacante nasceu na época certa, podendo jogar com grandes nomes do "futebol arte". Por falar nisso, estreou na seleção em 1979, em amistoso contra o Paraguai. No time, estavam Júnior, Edinho, Falcão, Carpegiani, Toninho Cerezo, Roberto Dinamite... 

Ao mesmo tempo que ia ganhando espaço no Corinthians, Sócrates conseguia se firmar na seleção brasileira. No ano da primeira convocação, foi campeão paulista pelo clube. Em 1982, voltaria a conquistar o torneio. E 1982 foi um grande ano para Sócrates... 

Futebol por música

O atacante esteve entre os lembrados por Telê Santana para a Copa do Mundo da Espanha. Aquele time, com alguns dos maiores artistas da história do futebol brasileiro, encantou o mundo e ganhou logo o público espanhol. 

A estreia de Sócrates em Copas foi logo com gol: o atacante fez o primeiro na vitória sobre a então União Soviética, vencendo o goleiro Dasaev. O Brasil engrenou no segundo jogo, enfiando 4 a 1 na Escócia. No terceiro, marcou de novo quatro, sem sofrer nenhum da Nova Zelândia. 

A prova de fogo parecia ser contra a Argentina, de Diego Maradona e Mario Kempes. Maradona acabou expulso, Kempes saiu no intervalo e a seleção brasileira fez 3 a 1, jogando por música. Encantados, os espanhóis aplaudiam. 

Até que apareceu Paolo Rossi. No dia 05 de julho de 1982, aconteceu a Tragédia do Sarrià. Na Catalunha, Rossi falou mais alto. Apesar de Sócrates ter marcado, e Falcão também, o atacante italiano fez três gols e acabou com o sonho de uma das gerações mais talentosas da história do futebol brasileiro. 

Sócrates ainda jogou outra Copa do Mundo, em 1986: fez outros dois gols e foi titular de um Brasil que só caiu nas quartas nos pênaltis, para a França de Michel Platini. Mas o atacante nunca mais jogou com outro time tão genial quanto o de 1982, considerando o jogo do Sarrià a maior frustração da carreira. 

Muito além do futebol

Apesar de jogar por música, e de ter feito, com Casagrande, uma das maiores duplas da história do Corinthians, Sócrates nunca foi só futebol. Na década de 1980, ficou marcado por comemorações contra a ditadura, como quando erguei o punho cerrado diante de um estádio lotado. 

Sócrates teve papel de líder na Democracia Corintiana, quando os jogadores passaram a participar das decisões do clube e se juntaram em protesto contra a Ditadura Militar, lutando por democracia. 

Por ser "um guerreiro da luta do povo", Sócrates abandonou a ideia de parar de jogar após a Copa de 1986. Nessa época, já tinha atuado um ano na Itália, com oito gols em 29 jogos pela Fiorentina, e já vestia o rubro-negro do Flamengo. 

No Rio, Sócrates brilhou mais fora de campo do que nas quatro linhas. Com problemas físicos e na luta contra o alcoolismo, jogou pouco na Gávea. Não conseguiu repetir as atuações mágicas com Zico na seleção. Acabou deixando o clube em baixa, jogando ainda pelo Santos antes de se aposentar no Botafogo, da sua Ribeirão Preto, em 1989. 

Sócrates ainda tentou ser técnico, mas não conseguiu. Foi mesmo Doutor, mas perdeu a luta contra o alcoolismo em 2011, no dia 04 de dezembro. Aos 57 anos, Sócrates falecia no mesmo dia que o Corinthians se sagrou pentacampeão brasileiro. 

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Comentários (1)
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motivo:
Sócrates
2019-02-19 09h11m por ScPKoHx
Um ícone do futebol, uma lenda fora dele.

Sócrates foi o pilar da famosa Democracia Corinthiana. Era um cara inteligente e determinado. E claro, jogava muita bola, era craque.

Não à toa é um dos maiores ídolos da Fiel.
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