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        Números do século

        Evolução da hegemonia: Como a Libertadores se tornou um Brasil x Argentina

        2021/05/27 12:16
        Paulo Mangerotti
        E8

        A fase de grupos da Copa Libertadores se encerra nesta quinta-feira (27), mas já há um fato consumado e inalterável: seis brasileiros e seis argentinos ocupam 12 das 16 vagas nas oitavas de final do torneio. O fato não é inédito, já que aconteceu também em 2018, mas é o retrato perfeito da desproporcional polarização do futebol dos dois países sobre o continente. Enquanto em 2021 75% do mata-mata será composto por Brasil e Argentina, no início do século, em 2001, o percentual correspondia a 43,7%.

        Lá em 2001, quatro brasileiros (Cruzeiro, Palmeiras, São Caetano e Vasco) e três argentinos (Boca, River e Rosário Central) chegaram nas oitavas de final, após passarem pela fase de grupos. Este não é o pior registro de Brasil e Argentina no século, que em 2002 viu os uruguaios serem maioria na primeira fase eliminatória. Daí, então, vem a pergunta: o que aconteceu?

        A verdade é que a resposta para a questão não pode ser respondida por apenas um fator. Existe, pelo menos, quatro grandes motivos para o domínio de Brasil e Argentina.

        Aumento do número de vagas

        Sem dúvidas, este é o ponto mais lembrado e que gera maior polêmica pela América do Sul. A partir de 2017, com a saída dos clubes mexicanos da Copa Libertadores, mais vagas foram distribuídas para Brasil (duas), Argentina, Chile e Colômbia (uma cada).

        Com, pelo menos, sete integrantes na Libertadores desde 2017, o Brasil passou a classificar sempre para as oitavas de final seis equipes: foi assim em 2017, 2018, 2019, 2020 e, agora, em 2021. Ao olhar para o século XXI como um todo, apenas em 2013 seis clubes brasileiros haviam passado de fase também. O pior cenário registrado pelo país foi em 2002, quando dois brasileiros chegaram nas oitavas de final (São Caetano e Grêmio). Naquele ano o campeão foi o Olimpia, do Paraguai.

        O ano de 2002 é um bom modelo para ser utilizado como exemplo. Naquela edição, clubes de nove países passaram pela fase de grupos e quem dominou a primeira fase foram os uruguaios. Agora, em 2021, o auge da polarização Brasil-Argentina, assim como em 2018, apenas cinco países avançaram para o mata-mata.

        Enfraquecimento colombiano e uruguaio

        Sabe aquele "domínio" uruguaio de 2002? Pois é, nunca mais aconteceu. O país, que tem oito títulos de Copa Libertadores, passa cada vez mais por maus bocados na competição.

        Depois de classificar três equipes em 2002 para as oitavas, o máximo que o Uruguai conseguiu desde então foi levar dois clubes para a fase eliminatória. O pior nem é esse registro, uma vez que é sabido o amplo domínio que Nacional e Peñarol possuem no país. O que mais assusta é que apenas duas vezes, em 19 anos, dois times uruguaios avançaram para as oitavas de final. Fora este fato, em quatro oportunidades nenhuma equipe uruguaia passou da fase de grupos.

        No século XXI, 336 vagas para as oitavas de final estiveram em disputa e somente 21 delas (6,2%) ficaram com clubes do Uruguai.

        Outro país que decaiu de forma impressionante é a Colômbia. No intervalo entre 2001 e 2008 o país foi a terceira principal força do continente, levando 16 equipes para as oitavas de final nesse período. De 2009 para frente, apenas em 10 oportunidades os colombianos se garantiram na fase eliminatória. Nos últimos cinco anos, só uma vez um clube colombiano chegou nas oitavas de final.

        Saída do México

        A já citada saída dos clubes mexicanos na Libertadores é um ponto-chave para a história recente do torneio. A explicação é simples: o país, ainda que nunca tenha vencido o torneio, era o terceiro a mais vezes se classificar para o mata-mata: Brasil (101), Argentina (75), México (30), Paraguai (27), Colômbia (26), Equador (24), Uruguai (21), Chile (15), Bolívia (7), Peru (6) e Venezuela (4).

        Se a vantagem do México não surpreende tanto, é importante lembrar que o número acumulado de todos os clubes é entre 2001 e 2021. No caso do México, são cinco anos a menos na conta, de 2001 a 2016. Ou seja, mesmo há cinco anos sem disputar a Libertadores, o país ainda detém o posto de terceiro lugar nessa conta.

        Fortalecimento de Brasil e Argentina

        É inegável que, ao longo das últimas duas décadas, os clubes brasileiros e argentinos fortaleceram-se muito no continente, pelo menos em comparação com os clubes adversários.

        Independente do número de vagas ter crescido para os países, o que cresceu também foi o poderio financeiro e a soberania sobre os rivais. Lembra-se que Chile e Colômbia também ganharam mais vagas a partir de 2016? O efeito foi nulo para ambos países, que tiveram no último intervalo de cinco anos (2016-2021) o pior desempenho no século.

        Evolução das vagas por país*:

        2001 - 2006: Brasil (23), Argentina (18), Colômbia (13), México (12), Equador (8), Uruguai (7), Paraguai (6), Chile (6), Peru (2), Venezuela (1) e Bolívia (0);

        2007 - 2011: Brasil (25), Argentina (14), México (11), Uruguai (7), Colômbia (6), Paraguai (5), Chile (4), Equador (3), Peru (3), Venezuela (2) e Bolívia (0);

        2012 - 2016: Brasil (23), Argentina (20), México (7), Colômbia (6), Paraguai (6), Equador (5), Uruguai (4), Bolívia (4), Chile (3), Peru (1) e Venezuela (1);

        2017 - 2021: Brasil (30), Argentina (23), Paraguai (10), Equador (8), Uruguai (3), Bolívia (3), Chile (2), Colômbia (1), Peru (0) e Venezuela (0).

        Percentual de vagas conquitadas nas oitavas de final no século:

        • Brasil - 30%
        • Argentina - 22,3%
        • México - 8,9%
        • Paraguai - 8%
        • Colômbia - 7,7%
        • Equador - 7,1%
        • Uruguai - 6,2%
        • Chile - 4,5%
        • Bolívia - 2%
        • Peru - 1,8%
        • Venezuela - 1,2%

        *Destacado em negrito o melhor desempenho dos países por intervalo de 5 anos. Note-se que o primeiro intervalo possui, excepcionalmente, seis anos.

        Comentários (8)
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        motivo:
        Conmebol
        2021-05-29 09h57m por JP_Tricolor
        Que eles são um lixo todos sabem. . . Mas ainda acho que existe falta de interesse do outro lado também. Fora a questão logística que é o único entrave que independe desses corruptos (a Concacaf também é um ninho de corrupção)
        JP_Tricolor
        2021-05-28 12h55m por Lucas17
        Acho que é justamente o contrário. O problema é que os corruptos da CONMEBOL não querem perder poder político unindo Libertadores e Concachampions. Está provado que a Concachampions não é desafio para os times mexicanos, e não é uma boa vitrine para os estadunidenses. A CONCACAF tem total interesse não só em juntar as competições, mas em de fato "fundir" as organizações, até porquê existe a ameaça de uma Superliga, com a junção da MLS e da Liga MX. Tanto que a Liga MX deixou de ter rebai...ler comentário completo »
        Libertadores
        2021-05-28 11h54m por JP_Tricolor
        Infelizmente perdeu força e a gente ainda consegue chegar no fim do Brasileiro sem entender quantas vagas realmente temos. Os times do México eram bons concorrentes, e tava na hora de pensar em uma competição das Américas mesmo, com México e Estados Unidos. Mas acho que nunca veremos isso por conta das distâncias e do fato de não quererem lá abrir mão de um torneio que podem vencer para entrar em um em que são azarões.
        Vagas
        2021-05-28 08h00m por Lucas17
        Acho um absurdo que tenham tantas vagas na Libertadores e. na Sul-americana para o Brasil. Isso enfraquece o Brasileirão. Desde de que não se caia para a Série B, os clubes tem uma competição continental praticamente garantida. Ao meu ver, esse tipo de situação tira o mérito das competições e premia gestões ruins. De 4 a 5 vagas na Libertadores e 3 na Sul-americana são mais do que suficientes para o Brasil.
        México.
        2021-05-27 18h29m por CRUZPH
        Essa parte sobre o México chamou-me a atenção, como é que nenhum "país" sequer empatou em número de participações nas oitavas mesmo com esses cinco anos de diferença? Quer dizer, não é tão inexplicável, mas é bizarro e meio triste.
        Bela matéria. . .
        2021-05-27 13h42m por grandejogadoor
        Ao trabalho de quem fez a matéria e teve que fazer todos os cálculos, meus parabéns. . .
        Rapaz. . .
        2021-05-27 13h38m por Okocha10
        Que loucura esse % do Uruguai, fraquíssimo.

        O melhor para a Libertadores era se juntar a Concacaf e fazer uma supercompetição. Diminuir as vagas por país, incluir logo os EUA.

        O problema é o calendário? Concordo. Mas o dinheiro que isso iria gerar, daria a oportunidade de utilizar o sub-23 em estaduais, e creio que valorizaria mais a Sul-americana.

        Com a sula restrita a sulamericanas, teria outra cara.
        Libertadores
        2021-05-27 13h38m por MuriCrespo
        Treis Zaguero Y Justica e San Paolo nas oitavas. Legado Y legado.
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