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Miroslav Blazevic: O técnico dos técnicos

Texto por Leonardo Parrela
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"Eu poderia ganhar cinco medalhas, mas você permaneceria como o técnico dos técnicos". Essa frase foi dita por Zlatko Dalic, técnico croata vice-campeão mundial em 2018 e terceiro lugar na Copa de 2022, após a confirmação do resultado no Catar, dedicando o resultado para Miroslav "Ciro" Blazevic. 

O bósnio-croata foi o treinador da seleção croata que inspirou todos os jogadores comandados por Dalic: na Eurocopa de 1996 e na Copa do Mundo de 1998, Blazevic era o treinador da Croácia.  

A dedicação de Dalic tem ainda um quê a mais pessoal. Quando Ciro foi treinador do modesto Varteks, ele viu o recém-aposentado Dalic começar sua carreira fora de campo como diretor do clube. Pouco depois, passou para função de assistente técnico e construiu uma relação de respeito com o comandante. 

Nascido na então República da Iugoslávia (em território que hoje pertence à Bósnia), Miroslav Blazevic tinha família católica e croata. Cresceu em lugar humilde e, quando adolescente, chegou a ganhar um campeonato nacional de esqui.

"Muito rapidamente percebi que não há dinheiro no esqui, então me mudei para o futebol", brincou em entrevista a uma revista croata. 

O caminho antes de chegar ao futebol também passou por um convento. A mãe, católica, o colocou no caminho de estudo para ser padre. O amor por uma freira o tirou do sacerdócio e abriu as portas para a vida no esporte. Ponta direita discreto, passou por Dínamo Zagreb, Lokomotiv Zagreb, Sarajevo, Rijeka, Sion e Moutier. Aos 31 anos, uma lesão no joelho abreviou a carreira em campo e passou a almejar outros cargos.

Relativo sucesso nos clubes e revolução tática

Ciro, como ficou conhecido, passou por muitos clubes. Seus maiores feitos passam por conquistar um campeonato suíço pelo Vevey, Copa da Suíça com o Sion e encerrar um jejum de 24 anos no comando do Dinamo Zagreb - campeão iugoslavo na temporada 1981-82. Passou por clubes croatas, bósnios, suíços, eslovenos e iranianos. 

E foi exatamente com o título croata que ele instaurou uma pequena revolução tática no mundo do futebol. Aquele time campeão do Dínamo foi um dos primeiros a jogar no 3-5-2.

"Surgiu completamente do nada. Tive que inventar o sistema porque tinha um tipo diferente de jogador no meu time. Você precisa de organização básica e coesão entre as linhas", disse em entrevista ao The Guardian, anos depois. 

Passou também, sem muito destaque, pelo Nantes. Apesar de não conquistar títulos, foi com ele no comando que jogadores como Karembeu, Deschamps e Desailly surgiram na equipe profissional. 

Primeiro treinador de seleção na Croácia 

Ciro tinha retornado ao país, em 1992, para comandar novamente o Dínamo Zagreb. A Croácia, recém-independente, tinha seu primeiro campeonato nacional disputado - conquistado pelo treinador. Muito ligado ao futebol da sua nação, foi escolhido como treinador da seleção. 

Naquele momento, pouco depois de sair da guerra e com um país precisando de ligação com seu povo para construir uma nação, Blazevic foi peça fundamental. Próximo ao presidente Franjo Tudman, tinha visão nacionalista da Croácia. No entanto, sempre repudiou grupos neonazistas - dos quais os próprios irmãos fizeram parte na adolescência. 

Ele liderou uma talentosa geração que contava com Davor Suker, Niko Kovac, Zlatko Kranjcar, Slaven Bilic, Igor Stimac e o atual treinador, Zlakto Dalic. Todos passaram pela Federação Croata, sejam como treinador ou dirigentes - Suker se tornou presidente. Os resultados em campo foram de um sucesso absurdo: classificação e quartas de final na Eurocopa em 1996 e terceiro lugar na Copa de 1998. O povo croata, recém-independente, viu no futebol um motivo para se orgulhar depois de um período marcado por guerras e muita dor. 

Por toda essa influência, ficou conhecido, no imaginário croata como "O técnico dos técnicos". Dalic, em comunicado após a morte do seu mestre em fevereiro de 2023, o chamou de "pai do futebol". 

Personalidade conciliadora e legado 

Ciro era conhecido, além da inteligência tática, por sua forma de gestão de grupo. Sempre próximo aos atletas, conseguia conciliar vontades e gerenciar as personalidades dentro do vestiário. Via de regra, treinava equipes que eram muito unidas. Personagem "bom de entrevista", sempre rendia manchetes e se orgulhava de, mesmo numa época tão tensa, não ter uma só briga no vestiário da seleção que teve mais sucesso. 

Além do excelente trabalho à frente da Croácia, teve destaque comandando a seleção natal. Assumiu a Bósnia em 2008, nas Eliminatórias para Copa de 2010, contando com a liderança de um tal Edin Dzeko no ataque. Falhou na classificação, mas firmou bases para a equipe que se classificaria para a Copa do Brasil, em 2014. 

O "Técnico dos Técnicos" sempre foi muito querido por onde passou. Em meio a situações controversas como a não escalação de Robert Prosinecki na Copa de 98 até um suposto envolvimento com manipulação de resultados, saiu com a reputação ilesa em todos os casos. Deixou como legado a implementação de um esquema tático que foi aperfeiçoado ao longo dos anos e o início do futebol numa nação que hoje é respeitada no mundo da bola. 

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Miroslav Blažević (CRO)

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