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A história das Copas
Copas do Mundo

Copa do Mundo 1930: do olimpo para o topo do mundo

Texto por Carlos Ramos
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O final do século XIX e início do XX marcou o início da era dos esportes. Wimbledon recebeu sua primeira competição em 1877, e o primeiro torneio de golfe aconteceu em 1885. O basquete foi inventado em 1891, o vôlei em 1895 e no meio disso aconteceu o primeiro torneio de esgrima (1893). O futebol passou a contar, em 1882, com a International Football Association Board para padronizar as regras, e mais tarde seria fundada a Fifa. A evolução global dos esportes deu início as competições internacionais. As Olimpíadas modernas foram idealizadas pelo historiador francês Pierre de Coubertin, em jogos realizados em 1896, em Atenas. Para o futebol, durante muitos anos a Olimpíada foi uma espécie de "grande torneio internacional", reunindo as melhores seleções. Mas no fim da década de 1920, o francês Jules Rimet decidiu que o futebol merecia um campeonato só para ele. Uma Copa do Mundo. 

A primeira Copa do Mundo da história foi proposta, e aprovada, em reunião dos membros da Fifa em Amsterdã, em 1928, para acontecer dois anos depois, em 1930. A sede escolhida foi o Uruguai, que celebrava o centenário da independência e era, até então, a grande potência do futebol mundial, bicampeão olímpico. Daí a Celeste Olímpica.

Os ausentes 

Para a primeira Copa do Mundo, não houve sistema de eliminatórias. Portanto, todos os 13 países que disputaram o torneio foram convidados pela Fifa. Algumas nações, por outro lado, rechaçaram o convite e não viajaram até o Uruguai. 

A Inglaterra, que já vivia sob o profissionalismo do futebol, se recusou a jogar contra adversários ainda amadores, assim como os outros membros da Football Association (especificamente Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales). Por sinal, convencer os europeus a viajarem por semanas em um navio para disputar a Copa não foi tarefa fácil. 

Jules Rimet teve papel crucial para conseguir a participação de europeus. Se a Itália, que havia se candidatado a sediar o torneio, também recusou a viagem, Bélgica, Iugoslávia, França e Romênia aceitaram o desafio de Rimet e foram de navio para Montevideu (as delegações de belgas, franceses e romenos viajaram, inclusive, junto com os dirigentes da Fifa no navio que levou também o troféu). 

As seleções europeias se prepararam durante a viagem, no convés do navio, tentando manter a forma para não chegar com tanta desvantagem em solo uruguaio. A seleção romena tinha uma especificidade: o Rei Carol II,  escolheu pessoalmente os jogadores e os treinou durante a viagem. 

O navio desembarcou no Rio de Janeiro e ainda pegou a delegação da seleção brasileira antes de alcançar seu objetivo final, em Montevidéu, palco dos jogos da primeira Copa do Mundo da história. 

Os participantes e o local 

No fim, além das quatro seleções que vieram da Europa, Estados Unidos e México representaram a América do Norte e Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Peru foram as seleções sul-americanas. Além, é claro, da seleção da casa. Nenhum time africano viajou ao Uruguai. 

Todos os jogos daquela Copa foram realizados na capital uruguaia. Foram três os estádios palcos de jogos: Estadio Centenario, com capacidade para 90 mil pessoas, Estadio Pocitos (10 mil) e o Gran Parque Central (20 mil). 

 O Estadio Pocitos foi o palco do primeiro jogo da história das Copas. A partida começou às 15h locais do dia 13 de julho de 1930 e reuniu a seleção francesa e a seleção mexicana. Em arremate forte aos 19 minutos, o francês Lucient Laurent, jogador do CA Paris, foi o autor do primeiro gol em Copas

Os grupos e participação brasileira

As 13 seleções foram divididas em quatro grupos. O grupo 1 foi o único a ter quatro seleções (Argentina, Chile, França e México), enquanto as outras chaves todas tiveram três seleções cada uma. Só o primeiro de cada chave avançava, e cada vitória valia dois pontos. 

No grupo 1, a Argentina foi a grande soberana. O duelo mais difícil foi contra a França, em vitória magra com gol de Luis Monti. Depois, os argentinos golearam o México (6 a 3) e venceram o Chile (3 a 1) e somaram seis pontos, contra quatro dos chilenos que venceram franceses e mexicanos. 

A seleção brasileira, dirigida por Píndaro Caravalho, ficou no grupo 2 com Iugoslávia e Bolívia. Na época, o Brasil levou apenas jogadores cariocas, por desavenças entre a então Confederação Brasileira de Desportos com a Federação Paulista.  

A estreia foi contra os iugoslavos, e foi fatal. Na fria Montevidéu, que marcava 0º na hora do encontro, o time brasileiro sucumbiu e viu a seleção europeia abrir 2 a 0 no primeiro tempo, gols de Aleksandar Tirnanic e Ivica Bek. No segundo tempo, Preguinho, capitão daquela seleção, ganhou dividida com a defesa e mandou bola para o fundo da rede, no primeiro gol da história da seleção brasileira em Copas. A derrota, porém, não foi evitada. 

A goleada sobre a Bolívia no jogo seguinte, 4 a 0, com dois gols de Preguinho e outros dois tentos de Moderato, não evitou a eliminação brasileira, já que os iugoslavos venceram os bolivianos pelo mesmo placar e avançaram para as semifinais. 

No grupo 3, a seleção da casa eliminou a Romênia, do Rei Carol, e o Peru; no grupo 4, os Estados Unidos deixaram pelo caminho Bélgica e Paraguai. Estavam definidas, então, as semifinais: Argentina x EUA e Uruguai x Iugoslávia. 

A celeste campeã do mundo 

As semifinais foram absolutamente um massacre dos sul-americanos. A Argentina jogou primeiro e enfiou 6 a 1 nos Estados Unidos no Estádio Centenário. No dia seguinte, a Celeste Olímpica repetiu o placar sobre a Iugoslávia

A decisão aconteceu no dia 30 de julho de 1930, diante de 90 mil pessoas no Estádio Nacional de Montevidéu, o Centenário. 30 mil argentinos cruzaram o Rio La Plata para acompanhar a final e estavam confiantes no título dos argentinos. Apesar de o jogo ser no Uruguai, a Argentina tinha superioridade nos números no histórico de confrontos entre as equipes na época. 

Depois de ainda brigarem pela escolha da bola (cada seleção tinha uma bola, e ficou decidido que cada tempo seria jogado com uma), argentinos e uruguaios fizeram a primeira final de Copas. E foi uma grande decisão, com seis gols. 

Juan Bottaso deu a vantagem aos donos da casa com 12 minutos, mas Peucelle e Guillermo Stábile viraram para a Argentina ainda no primeiro tempo. Na segunda etapa, jogando com a bola preferida o Uruguai conseguiu a reviravolta, com gols de Pedro Cea, Iriarte e Hector Castro, o autor do gol do título. A Celeste Olímpica se tornava a primeira campeã do mundo. Quer dizer, a primeira campeã de uma Copa do Mundo! 

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