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      Histórias do Futebol

      Aston Villa: o campeão da taça roubada

      Texto por Carlos Ramos
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      O Aston Villa surpreendeu a todos ao se sagrar campeão da Liga dos Campeões na temporada 1981/82 diante do poderoso Bayern de Munique, em final disputada em Roterdã, na Holanda. A conquista, única na história do clube, já seria marcante por si só. Mas ficou também conhecida pela lenda do troféu roubado. Como ensinamento, ficou para as gerações seguintes a lição: nunca levar uma taça importante para uma comemoração em um pub... 

      Antes de nos aprofundarmos nessa deliciosa história, vale um contexto histórico. Apesar de se tratar de uma das equipes mais tradicionais do futebol inglês, um dos primeiros campeões, o Villa passou por uma seca que durou décadas e décadas. Em 1981, já eram 71 anos sem títulos nacionais. Até que, em campanha histórica, dirigido por Ron Saunders, o time de Birmingham conquistou a então Division One, com quatro pontos de frente para o vice-campeão, Ipswich Town. 

      Foi uma liga bastante equilibrada. O Villa, mesmo sem ter o melhor elenco, usando apenas 14 atletas durante toda a campanha, acabou campeão e se classificou, pela primeira vez na história do clube, para a Liga dos Campeões. 

      Pouco antes do duelo das quartas de final, contra o Dínamo Kiev, o técnico Ron Saunders surpreendeu a todos e pediu demissão após não chegar a um acordo para um novo contrato. Assumiu, então, seu auxiliar, Tony Barton, até então pouco conhecido da mídia local. 

      Apesar de ter conquistado a Community Shield ainda com Saunders, o Villa não fazia grande temporada. Sem reforçar o elenco campeão na temporada anterior, o time sucumbia no Campeonato Inglês e fazia campanha de meio de tabela para baixo. Só que na Liga dos Campeões...

      A campanha histórica 

      Na época, o torneio era bem mais conciso. Para chegar na final, os Villains eliminaram o modesto Valur, da Islândia; o Dynamo Berlin; o Dínamo Kiev e, por último, o Anderlecht, da Bélgica. Só que na decisão, teriam pela frente o gigante Bayern de Munique. 

      "Quando chegamos no estádio, todo mundo estava meio que maravilhado. Tínhamos muitos jogadores jovens naquele time, e nós estávamos todos tirando fotos uns dos outros. 'Tira uma foto minha aqui atrás do gol, tira uma foto minha aqui'", relatou Peter Withe sobre o clima antes do jogo. 

      Na decisão de Roterdã, logo com dez minutos de jogo, o então goleiro titular, Jimmy Rimmer, saiu machucado. Entrou, então, Nigel Spink, que havia jogado apenas duas partidas em cinco temporadas como profissional. O capitão da equipe, Dennis Mortimer, contou anos mais tarde sobre aquele momento. 

      "Ele era, do ponto de vista dos jogadores, virtualmente um estranho para a gente. Mas ele teve a oportunidade de entrar e fazer o que sabe de melhor", brincou o capitão para a BBC. 

      Spink foi bem, com defesas importantes, incluindo em um chute de Karl-Heinz Rummenigge que ficou marcado para muitos, manteve a meta intacta. O goleiro, que nas temporadas seguintes se tornaria titular, com quase 400 jogos na carreira pelos Villains, jamais esqueceu aquela noite em Roterdã. 

      "Ajudou que o Bayern era um time tão bom, porque eu não tive chance de pensar no que estava acontecendo. Quando fiz a primeira defesa, já pensei: 'Talvez eu esteja bem'. A defesa no chute do Rummenigge passa bastante (na TV), mas foi na minha direção", explicou o goleiro ao Daily Mail

      Além de segurar o rival, o Aston Villa marcou com Peter Withe já no segundo tempo. A jogada do gol foi absolutamente brilhante: Gary Williams fez uma jogadaça pelo meio e descolou grande passe para Tony Morley na área. O atacante gingou para cima da marcação e deixou com Peter Withe só para o toque final. O golaço que fez David derrubar o Golias na Holanda. 

      O campeão da taça roubada 

      Imagina, o time nunca havia disputado uma Liga dos Campeões... Estava há sete décadas sem ser campeão inglês... Quando voltou para Birmingham com a taça, o Aston Villa encontrou uma festa não vista na cidade há muitos anos! 

      O lateral Collin Gibson, que nem titular foi na decisão, e o meia Gordon Cowans tiveram a brilhante ideia, então, de colocar a "Orelhuda", troféu da Champions que pesa cerca de 15kg, no carro e ir com ele celebrar o título em um pub da cidade. 

      "Nós costumávamos levar o troféu para onde conseguíamos para mostrar aos torcedores e deixá-los tirar fotos. Gordon e eu tomamos algumas, e estávamos jogando dardo quando alguém gritou: 'o troféu já era, foi roubado!'", lembrou Gibson para a BBC anos mais tarde. 

      O troféu foi aparecer 160 km distante dali, em uma delegacia de polícia em Sheffield. Segundo a versão da polícia local, um homem ligou para a delegacia dizendo ter o troféu da Liga dos Campeões no carro. Em seguida, o troféu apareceu na recepção da delegacia. 

      Quase 30 anos depois, foram vazadas fotos da taça com policiais da delegacia e um homem, nunca identificado, que teve o rosto apagado das imagens. Com a taça na delegacia, os policiais se dividiram em dois times e, então, disputaram uma "pelada". O vencedor ficaria com a "Orelhuda". Foi a partida mais aleatória da história. 

      Eventualmente, a taça retornou para seu dono. E o Aston Villa ainda disputou a Liga dos Campeões na temporada seguinte, mas caiu nas quartas de final para a Juventus. Depois, ficou mais de quatro décadas sem jogar o torneio. Uma espécie de castigo do universo pelo troféu roubado... 

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