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      Histórias do Futebol
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      A lenda de Rosário que superou Maradona e humilhou a seleção argentina

      Texto por Eduardo Massa
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      Quando Diego Armando Maradona retornou ao futebol argentino em 1993 para defender o Newell's Old Boys, o consagrado ídolo foi recebido como "o melhor jogador da história", no que respondeu: Não sei bem se é verdade, aqui jogou um tal de Carlovich. As palavras podem não ter sido exatamente estas, mas a precisão histórica não nos serve para falarmos da maior lenda do futebol de Rosário, uma história que mistura realidade e fantasia de uma era mágica para o futebol argentino.

      Mas não se engane, o homem que foi "melhor que Maradona" realmente existiu, e se tornou em um mito por seu futebol de categoria refinada. Tomás Felipe Carlovich, "El Trinche", foi um jogador de imenso talento, e ninguém que o viu questiona isso. Mas foi também um atleta pouco disciplinado, e que confessou nunca ter tido maiores ambições. Não o suficiente para se dedicar a um futebol cada vez mais exigente fisicamente na década de 70. Não por acaso passou a maior parte da carreira em times menores e em divisões inferiores.

      O estilo de Carlovich era de um meia inteligente, de extrema habilidade e visão de jogo, embora lento. Técnico campeão mundial com a Argentina em 1978, César Luis Menotti compartilhou os gramados com a lenda e comparou o seu estilo com Riquelme. Pekerman, técnico da Argentina em 2006, também era fã do futebol de El Trinche e preferia o comparar com Redondo.

      A marca registrada de Carlovich era a "caneta dupla", quando colocava a bola entre as pernas dos adversários em ida e volta. Segundo o próprio, um exagero do povo local, pois embora tenha realizado o drible em algum momento, não era algo comum e rotineiro.

      O dia em que Carlovich humilhou a seleção argentina

      As origens do mito sobre Carlovich são difíceis de se encontrar, mas há um momento marcante em sua carreira que pode ter sido determinante para a construção da lenda de Rosário. Foi o dia em que um combinado da cidade aplicou uma lição de futebol sobre a seleção argentina, que se preparava para a Copa do Mundo de 1974, e contando com a classe de Carlovich.

      Trinche já era um ídolo em Rosário. Tanto que foi o único atleta do combinado da cidade que não pertencia à elite. Ao seu lado estavam nomes como Mario Kempes, uma das maiores figuras da história do futebol argentino, campeão mundial quatro anos depois, em 1978. Mas foi Carlovich quem roubou a cena. Alguns relatos falam até que o meia teria aplicado a sua famosa caneta dupla em um rival da seleção.

      O placar ao intervalo marcava 3 a 0 para o combinado de Rosário. A humilhação era tanta que o técnico da seleção, Vladislao Cap, teria pedido a saída de Carlovich para evitar um abalo maior. Sem a lenda em campo, a Argentina marcou seu gol de honra. O placar final do histórico confronto foi de 3 a 1.

      A lenda de Carlovich sobreviveu ao tempo em Rosário. E o mais folclórico jogador da cidade acabou por ter um final trágico, morto na sequência de um assalto, com uma pancada na cabeça em troco de uma bicicleta. A Argentina chorou a morte de um ídolo e prestou as homenagens a um craque que preferiu ser um mito em seu bairro a conquistar o mundo.

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