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2014: O 'tiki-taka' da Raposa é bicampeão brasileiro

Texto por Carlos Ramos com Paulo Mangerotti
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Marcelo Oliveira, e o Cruzeiro, já haviam dominado o Brasil em 2013, com sobras (11 pontos de distância para o vice-campeão). Em 2014, o tiki-taka de Marcelo Oliveira voltou a funcionar, e a Raposa se manteve no topo. 

De novo, os rivais não conseguiram fazer frente (o São Paulo ficou a dez pontos). Com a manutenção da base do ano anterior, Marcelo Oliveira repetiu a receita para o sucesso. 

Esse Brasileirão teve o desespero de Botafogo e Palmeiras: os cariocas foram rebaixados, os paulistanos, quase. E teve, mais uma vez, Fred artilheiro

A manutenção do grupo campeão

O grande segredo daquele Cruzeiro, para muitos, não estava em campo. Alexandre Mattos, diretor de futebol, foi responsável por segurar os craques que no ano anterior arrebentaram. Nilton, um dos remanescentes da conquista de 2013, lembrou, em conversa com oGol, que cobrou Mattos pela permanência dos companheiros. E teve o desejo atendido. 

"Em 2013, todo mundo tinha recebido muita sondagem, principalmente para a Europa. Quando retornarmos para começar a pré-temporada, eu lembro que, na sala do Mattos, saia Ricardo Goulart, entrava Éverton Ribeiro, depois não sei quem. Eu fui um dos últimos a entrar. A única coisa que disse foi: 'Vai segurar os homens, né?'. Vai segurar o 'baixola', vai segurar o artilheiro...'. Ele falou: 'Nilton, não está sendo fácil, mas a gente está fazendo de tudo. Falei: 'Não, vocês tem que fazer mais ainda'. O Éverton foi eleito o melhor do campeonato, o Goulart brigou pela artilharia, o Dagoberto, apesar da idade, foi decisivo em várias partidas, o próprio Borges. Não tem como ter um elenco bom sem investimento. O próprio Dedé, ele tinha proposta da Juventus, do Manchester United e mais uma. Ele tinha o propósito de jogar Copa do Mundo. Eu falava: 'Cara, você vai ter um período de adaptação (na Europa). Se for para você ir (para Copa), você vai para o Cruzeiro'. E ele acabou segurando", recordou Nilton. 

O volante relembra que o dirigente "não se comportava como um diretor, mas como um amigo de todos. Tinha um linguajar de boleiro". Com a base mantida, o Cruzeiro teve, em campo, a força necessária para brigar por mais um título. 

O tiki-taka mineiro

Não foi só o elenco que foi mantido. Marcelo Oliveira seguiu no comando e reforçou o tiki-taka que se tornou marca daquele Cruzeiro bicampeão brasileiro, sendo fundamental também na gestão do grupo.

"O Marcelo sabia fazer essas mudanças no time, não é fácil dirigir 20 jogadores que todos acham que podem jogar, que são campeões, principalmente no segundo ano, depois que foi campeão... Aí tem que reunir a galera e falar: 'já ganhamos ano passado, mas futebol brasileiro é o maior triturador do mundo, não tem outro campeonato que tritura mais jogador em menos tempo que o brasileiro. Ganhamos ano passado, se não ficarmos em cima do título, imprensa não perdoa, torcida não perdoa'. É esse tipo de coisa que os jogadores me agradecem. Tem jogador que me chama de ministro, outro chama de presidente, por eu ter esse trabalho de maior ensinamento", disse Tinga, um dos líderes do elenco, para oGol

"Você pegava dos 25 jogadores, todos poderiam ser titular. Não é conversa de grupo, é a realidade. Tinha jogador com quatro Brasileiros no currículo, cara que tinha vindo da Europa e ficava no banco vendo os outros jogarem. Como que que tu deixa o Dagoberto no banco, eu, o Júlio (Baptista), o Borges? Fazer com que os atletas entendam que no momento o melhor é jogar outro, para mim, é o maior trabalho dentro do clube", completou. 

Nilton, por sua vez, fez questão de endossar o discurso do companheiro, mas ressaltou a liderança de Tinga, que foi fundamental em uma mudança que alterou a dinâmica do meio-campo cruzeirense. 

 "Não posso deixar de frisar a liderança do Tinga. Ele foi um dos caras mais importantes para mim no Cruzeiro. Ele fez eu ter uma visão ampla de posicionamento, aonde eu poderia me beneficiar mais, o que poderia agregar ao time mais ainda. E dito e feito: foi através dos conselhos que ganhei algumas premiações de melhor volante. Ele me chamava no canto e falava: 'Nilton, por mais que você tenha essa forma de querer chegar na área, é melhor você trabalhar seu elemento surpresa. Você é um cara que tem muita força, uma forma de marcação muito agressiva. Assim, você vai agregar mais ao time e você vai se destacar e o holofote vai brilhar em você'. Foi quando cheguei no Marcelo Oliveira e pedi para recuar para primeiro volante. Ele falou: 'Nilton, eu tenho projetado para você um segundo volante'. Aí falei: 'Não, vamos fazer esse teste e se não der certo eu volto como segundo'. Mas deu tão certo... Foi até contra o Santos, no Mineirão. Destruí na partida, fui o melhor do jogo. Aí falei: 'Marcelo, a minha atuação já mostrou a resposta que eu queria dar'. E ele falou: 'Não, não, você vai ser o primeiro volante mesmo'". 

@Getty / Cristiano Andujar

Na campanha de 2014, Nilton ressaltou também a importância de Henrique e Lucas Silva, e a movimentação de Willian Bigode, fundamental para o tiki-taka de Marcelo Oliveira. 

"O Henrique retornou e ajudou a dar mais opções na equipe, o Lucas (Silva) acrescentou mais ainda, ajudou mais. O próprio Marcelo Moreno teve mais o faro do gol junto com o Ricardo Goulart, duas peças que se encaixaram muito bem. O Willian Bigode, que é um cara muito inteligente. A gente gostava de jogar um jogo curto, dinâmico, que surpreendia os adversários. Ele era muito importante nesse 'tique-taque' que nossa equipe era. Conseguimos a colocar isso em prática pela função do Willian, um cara mais solto, mais aberto, mas quando tínhamos a bola, ele tinha total liberdade para jogar mais por dentro com o Éverton Ribeiro. Então ele e o Éverton, dois jogadores de pensamento rápido, ajudavam nossa equipe a subir de uma maneira muito rápida", analisou. 

Com toda essa força do elenco, o Cruzeiro conseguiu uma campanha memorável. Mais uma. Teve uma sequência de 12 jogos sem perder e conseguiu resultados categóricos. Destaque para um 5 a 0 sobre o Figueirense e duas vitórias de 3 a 0, sobre Flamengo e Santos

A Raposa manteve a regularidade mesmo quando tinha outras competições no radar. A sequência que confirmou o bicampeonato aconteceu entre os jogos da final da Copa do Brasil. Nilton lembra bem. 

"Foi um momento marcante para a gente. O Marcelo Oliveira chamou a gente no quarto dele e falou: 'É o seguinte: a gente está na final da Copa do Brasil, mas ainda tem mais quatro jogos, se não me engano, para sermos campeões. Se ganharmos contra o Grêmio e depois contra o Goiás, a gente se consagra campeão matematicamente. O que vocês acham: posso poupar vocês, ou querem ir para o tudo ou nada?'. Cada um olhou para cara do outro e todo mundo respondeu ao mesmo tempo: 'Vamos com tudo que a gente tem'. Jogador nunca vai querer ser poupado. Naquele momento, a gente falou: 'vamos com força e seja o que Deus quiser. Vamos correr até ter perna'. A gente sabia que era muita coisa que estava em jogo. Aí ganhamos do Grêmio na Arena, atuação brilhante da nossa equipe, e no jogo seguinte, contra o Goiás, com a chuva, fizemos mais força ainda para nos consagrarmos campeões. Mas nesse jogo contra o Grêmio ficou marcada essa reunião. Jogar contra o Grêmio lá não é fácil, mas essa união do grupo fez a diferença". 

No tiki-taka de Marcelo Oliveira, a Raposa terminou aquele Brasileiro com 24 vitórias, oito empates e seis derrotas. Foi, mais uma vez, campeã nacional. E com sobras... 

Números da edição: 

Média de gols: 2,26 gols/jogo

Melhor ataque: Cruzeiro - 67 gols

Melhor defesa: Grêmio - 24 gols sofridos

Artilheiro: Fred (Fluminense) - 18 gols

Jogador com mais partidas: Vanderlei (Coritiba), Magrão e Renê (Sport) - 38 jogos

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