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    2011: O renascimento da Fênix e mais um título da superação corintiana

    Texto por Carlos Ramos
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    As glórias corintianas são sempre contadas com suor. Com drama. As vitórias são conquistadas na raça. Até por isso para torcer por esse time, a torcida tem que ser Fiel. Nada vem fácil. Assim foi em 2011. Um ano que tinha tudo para dar errado, mas que terminou com a conquista do quinto título brasileiro da história do Corinthians. 

    O Brasileiro de 2011 teve ainda um Vasco que surpreendeu a muitos, lutando até a última rodada pelo título. Aliás, um G4 quase inteiro carioca, exceto pelo Timão. E com campanhas desastrosas dos mineiros: América rebaixado e Cruzeiro e Atlético na beira da degola. 

    Ao fim de 38 rodadas, prevaleceu o Todo Poderoso Timão. Com sua garra e, acima de tudo, com sua mania de tirar forças dos momentos mais difíceis. 

    O drama do Tolima e o pé firme da direção 

    Aquele 2011 começou difícil para o Corinthians. Logo no início da temporada, a equipe foi eliminada da pré-Libertadores para o modesto Tolima, da Colômbia, que ninguém, ou quase ninguém, conhecia por aqui até então. 

    A queda foi catastrófica. Ou ao menos assim foi encarada. Duas das principais estrelas do time, Ronaldo e Roberto Carlos, nunca mais jogaram pelo clube depois da eliminação. Tudo parecia ruir. Andrés Sánchez, então, tomou uma decisão: não ia se render às pressões e foi firme: "Tite fica". 

    qO Tite é, talvez, o grande responsável por aquele time ter obtido o resultado positivo que teve. Na forma como ele geria o grupo, além da qualidade como treinador e organizador de equipe que ele é, muito competente

    Tite era o técnico corintiano naquela temporada. Ainda estava longe de ser o Tite que viria a ser técnico da seleção brasileira. Longe de ter uma carreira gloriosa. Carreira esta que começou a ser construída pelo pulso firme de Andrés. 

    Wallace Reis, convidado de oGol para contar a história do título corintiano em 2011, acredita que "provavelmente sem Tite, o Corinthians não teria conquistado o que conquistou". 

    "O Tite é, talvez, o grande responsável por aquele time ter obtido o resultado positivo que teve. Na forma como ele geria o grupo, além da qualidade como treinador e organizador de equipe que ele é, muito competente", analisou o defensor.

    Wallace Reis fez parte daquele início de temporada complicado. Ele lembra do Tolima, mas também da reconstrução. Afinal, das cinzas renasceu a Fênix. 

    "O início foi bem difícil. A eliminação na pré-Libertadores foi desconfortável, a pressão no Corinthians é grande. Mas com a competência que o Tite tinha, ele foi nos fazendo acreditar que a gente poderia ir além. Logo depois da eliminação com o Tolima, a gente ganhou um jogo contra o Palmeiras, o que nos deu um suspiro e a equipe cresceu. Chegamos na final do Paulista e, no Brasileiro, a gente já estava na ponta dos cascos", recordou.

    Começo arrasador no Brasileiro

    O começo de Brasileiro do Timão foi simplesmente arrasador. Nas dez primeiras rodadas, o time conseguiu nove vitórias e um empate, acabando de vez com as críticas.  

    "Foi avassalador e surpreendente para a gente. Nove vitórias no Brasileiro é extremamente difícil. Talvez o Flamengo, só agora, conseguiu uma sequência tão longa quanto a nossa. A gente não foi muito pelas críticas, é falácia. É questão da qualidade do time. Se olhar jogador por jogador, você vê que é uma equipe qualificada. Porém a gente tem a mania de reconhecer só depois que as coisas acontecem. Mas nosso time era muito qualificado, estava entre as melhores equipes. O resultado de ter nove vitórias era surpreendente, mas a gente acreditava por saber da nossa qualidade. O Brasileiro é meio maluco, você ganha fora, perde dentro. Ganha dentro perde fora. Mas a equipe era extremamente qualificada para ter essa sequência". 

    @Getty / AFP

    Wallace fez questão de ressaltar a qualidade do elenco corintiano. Presente em 16 jogos na conquista, o jogador ressaltou a disputa sadia por posição no time.

    "Quem estava jogando não dava oportunidade para quem estava fora, e isso acabava beneficiando a equipe. Todo mundo jogou em alto nível", destacou.

    Ao logo das dez primeiras rodadas de sonho, um jogo é guardado em especial na memória do torcedor corintiano. Um histórico 5 a 0 sobre o São Paulo

    "Lembro da frieza do Danilo, um dos caras mais frios e espetaculares que já joguei. A tomada de decisão dele é impressionante. Foi divertido no vestiário, fomos para a casa tranquilos, com a consciência que tínhamos ganhado de uma grande equipe. A rivalidade entre Corinthians e São Paulo é bem acirrada", ressaltou. 

    Embalo até o título

    O Corinthians pegou o embalo do ótimo início de campeonato e foi embora. Um dos grandes destaques na campanha foi a solidez defensiva. Nas primeiras dez rodadas, foram apenas quatro gols sofridos. No total ao longo de toda campanha, 36, a melhor defesa do campeonato. 

    "Todo mundo que jogava, conseguia dar sua colaboração. Mas tudo passava pelos treinos, pelas correções. Os atletas ainda tinham uma parte cognitiva muito forte, entendimento de saber o que o Tite queria. Quando um saía na defesa que gerava desequilíbrio, o outro entrava. Havia uma solidez e uma solidariedade muito grande entre todos. Esse fator foi preponderante para que sofrêssemos poucos gols", explicou Wallace. 

    @Getty / Edu Andrade

    Apesar de ter uma defesa sólida e um ataque eficaz, o Timão teve seus tropeços no campeonato. E o Vasco quase aproveitou. A reta final da competição foi emocionante. 

    "A gente ganhava, o Vasco ganhava. No início da temporada, ninguém dizia que o Vasco podia brigar pelo título. O momento que a gente oscilou fez com que o Vasco nos passasse, mas não conseguiram ser tão regular como a gente. Eles foram mais regulares no último terço e encostaram, mas deu certo para a gente", contou Wallace.

    O Corinthians chegou na última rodada precisando do empate com o Palmeiras para ficar com o título. O jogo foi tenso. Choveu muito. Drama não faltou. Mas foi um típico filme corintiano.  

    "Foi um jogo tenso, a bola rolou muito pouco. Estava chovendo. Não foi um jogo muito plástico. O Palmeiras perdeu um jogador, eu também fui expulso no segundo tempo. Mas foi um jogo sem muitas opções de ataque tanto do nosso lado, quanto do Palmeiras. A gente estava ansioso para ouvir o apito final, ainda mais pelo Corinthians já estar há algum tempo sem ser campeão brasileiro. A gente queria sanar esse problema e, realmente a gente entrou sabendo que dependia do empate. Você depender do resultado é pior, te inibe um pouco. Nosso time não jogou tão solto como nas partidas anteriores. O Palmeiras já não tinha muito o que fazer, a responsabilidade era toda nossa, e acabou que não foi um grande jogo. Mas o que a gente tinha que fazer já tinha feito no decorrer da temporada para que chegássemos no final dependendo só do empate", resumiu Wallace. E assim, o Corinthians conquistou, mais uma vez, o Brasil.  

    Números da edição: 

    Média de gols: 2,68 gols/jogo

    Melhor ataque: Fluminense - 60 gols

    Melhor defesa: Corinthians - 36 gols sofridos 

    Artilheiro: Borges (Santos) - 23 gols

    Jogador com mais partidas: Fernando Prass (Vasco) e Márcio (Atlético Goianiense) - 38 jogos

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