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2006: São Paulo encerra jejum e inicia trilogia

Texto por Caio Fiusa
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Em 2006, o Campeonato Brasileiro viu o início de um domínio incontestável. O São Paulo, de Muricy Ramalho, Rogério Ceni, defesas sólidas e futebol eficiente, conquistou o primeiro de seus três títulos em sequência, algo jamais repetido até hoje. O clube chegou à quarta conquista em quatro décadas diferentes (já havia vencido o nacional em 1977, 1986 e 1991). Mas para poder gritar ‘’É tetra!’’, o torcedor são-paulino precisou esperar.

A história do São Paulo na edição de 2006 começou ainda em 2005, mais precisamente no dia 30 de dezembro, quando Paulo Autuori, então campeão da Libertadores e Mundial, aceitou oferta do Kashima Antlers, do Japão e deixou o Morumbi. O clube agiu rápido e três dias depois, Muricy Ramalho era anunciado. Era o início da triologia.

A primeira competição sob o comando do novo técnico foi o Estadual. Também em formato de pontos corridos, o São Paulo brigou até o final contra o Santos, mas não conseguiu o bi e viu o rival ficar com o caneco. Atenções voltadas para a Libertadores. Mais uma vez, o Tricolor do Morumbi estava na final do torneio continental e a ambição era repetir 1992 e 1993, ganhando o bi da América, mas...O clube parou no Internacional, antiga casa de Muricy Ramalho. Mais adiante, o time ainda perdeu a Recopa para o Boca Juniors. 

Aqui é trabalho!

Assim, restou o Brasileiro. Se no Paulista, Libertadores, Mundial e até mesmo Rio-São Paulo (vencido em 2001), os títulos eram recentes, na competição nacional o Tricolor do Morumbi amargava um longo jejum de 15 anos. O zagueiro Edcarlos, um dos campeões em 2006, falou com oGol e lembrou da caminhada são-paulina rumo à conquista do troféu.

‘’Quando se trata de São Paulo, sempre tem pressão por títulos. A torcida tem uma obsessão por Libertadores e, por alguns anos, o Brasileiro ficou em segundo plano, mas chegou uma hora que o torcedor queria a conquista também. Quando fomos eliminados no Paulista e perdemos a final da Libertadores para o Internacional, o nacional foi o que nos restou. Nós sabíamos a pressão que seria chegar ao final do ano sem títulos, seria frustrante. Existia a pressão de nós mesmos, jogadores, para marcarmos nossos nomes na história’’, contou o zagueiro.  

Embora as derrotas no Paulista e, principalmente, na Libertadores, ainda estivessem presentes no dia a dia tricolor, o zagueiro destacou a participação do comandante para que o grupo seguisse focado.

‘’O Muricy foi de suma importância, foi o pilar do time. Ele tinha uma personalidade muito forte e sempre pontuou a grandeza do São Paulo, até porque foi jogador do clube. Ele era simples e direto. Um cara que jamais se deixa abater, mesmo com as derrotas que tivemos, nunca deixou o moral do grupo baixar. Era um grupo experiente, de bons jogadores, mas ele sempre nos blindou bastante’’, contou o defensor.  

Naquela temporada, o Campeonato Brasileiro, que já no formato de pontos corridos desde 2003, enfim chegava ao número de 20 participantes, o que se manteve nos anos seguintes. O torcedor ainda estava se adaptando à nova fórmula de disputa que, embora não tivesse mais os jogos finais, de maior tensão, ficou mais difícil para o zagueiro Edcarlos. 

@ Rubens Chiri / saopaulofc.net No

‘’Aumentou a dificuldade porque se tratando de Brasileiro, a competitividade é grande. Jogar final é uma coisa, jogar 38 jogos como finais, é muito difícil. Isso exige mais do elenco. Os jogadores precisam esperar o seu momento, porque não tem como todos jogarem’’, opinou Edcarlos.

No ano anterior, o Brasileiro tinha tido uma enorme mancha: o escândalo da Máfia do Apito, protagonizada por Edílson Pereira de Carvalho, que culminou na remarcação de 11 jogos. Para 2006, era natural haver uma preocupação com a arbitragem, porém, o zagueiro garantiu que esse não era um dos temas de conversa entre os jogadores.

‘’A diretoria sempre deu suporte, foi muito ativa e presente e nos passava que a única preocupação era jogar e fazer o nosso papel dentro de campo. Nós não precisávamos nos preocupar com o extra-campo porque deixávamos tudo com a diretoria’’, revelou o jogador.

 Em ano de Copa do Mundo, a competição nacional foi interrompida na décima rodada. Àquela altura, o São Paulo era o terceiro colocado, com 20 pontos, um atrás do líder Cruzeiro e do segundo, Internacional.

Até a pausa, o clube havia vencido seis jogos, sendo três contra rivais paulistas: 1x0 Flamengo, 4 x 0 Santa Cruz, Corinthians 1 x 3, 1 x 0  São Caetano, 4 x 1 Palmeiras e 1 x 0 Fluminense. Além disso, foram dois empates por 1 a 1, diante de Vasco e Juventude e duas derrotas, 1 a 0 contra o Fortaleza e 3 a 1 contra o Internacional, ambas fora de casa.

A paralisação foi de 4 de junho até 12 de julho. Na volta, um clássico tricolor: o São Paulo recebeu o Grêmio, no Morumbi. Com dois de Ricardo Oliveira e um contra de Alex Bruno, o time paulista venceu por 2 a 1 e seguiu na cola dos líderes. Mais uma vez, Edcarlos atribui à Muricy Ramalho os méritos de manter o elenco na mesma pegada de antes da Copa do Mundo.

‘’O ponto principal do Muricy foi a forma de conduzir o grupo. Ele consegue extrair bastante do jogador e deixava explícito que não podíamos deixar a oportunidade passar. Ele foi importante para nos manter concentrados e não relaxarmos durante esse período’’, contou o jogador.

Duelos do Choque-Rei e sequências invicto

O São Paulo ainda venceu mais duas partidas, diante de Figueirense, por 2 a 1, em casa, e Ponte Preta, por 3 a 1, em Campinas até encontrar o Santos, na 14ª rodada. O time de Muricy Ramalho já era o líder da competição, com uma folga de quatro pontos para o Cruzeiro, mas foi surpreendido em pleno Morumbi. O Peixe goleou por 4 a 0, na pior das 12 derrotas do Tricolor, em 73 jogos, na temporada.

Apesar disso, a recuperação foi imediata e o São Paulo conseguiu engatar uma sequência invicta de dez jogos, com cinco vitórias, sobre Goiás ( 2x 1), Paraná (3 x 2), Santa Cruz (1 x 3), Internacional (2 x 0) e São Caetano (0 x 1) e cinco empates, diante de Botafogo (1 x 1), Cruzeiro (2 x 2), Flamengo (1 x 1), Fortaleza (1 x 1) e Corinthians (0 x 0).

Na 26ª rodada, o clube foi até o Palestra Itália para um Choque Rei e até saiu na frente com Souza. Entretanto, Nen, Paulo Baier e Marcinho viraram o jogo e deram a vitória por 3 a 1 ao Palmeiras. Como o Grêmio foi goleado pelo Goiás, no Serra Dourada, por 4 a 0, a distância de cinco pontos para o vice-líder se manteve. Os confrontos contra o alviverde ficaram marcados para Edcarlos.

‘’Acredito que naquela temporada os jogos contra o Palmeiras foram mais especiais. Das cinco partidas, só perdemos uma’’, disse o zagueiro, lembrando das vitórias por 4 a 2 no Paulista e 2 a 1, na Libertadores, além do empate por 1 a 1, no torneio continental, ambos pelas oitavas de final.

E novamente, o São Paulo repetiu a fórmula que havia dado certo após o revés contra o Santos: uma sequência invicta. E essa perdurou até o final da competição. Foram 13 partidas, a começar pelo empate em 0 a 0, diante do Athlético Paranaense, fora de casa, em jogo atrasado. Foi justamente o Furacão o rival na partida que definiu o título tricolor e, com um novo empate em 1 a 1, na 36ª rodada. Fabão abriu o placar e faltando dez minutos para o fim da partida, Cristian empatou. 

Mesmo com o empate, o São Paulo voltou a levantar o troféu de campeão brasileiro, isso porque o Internacional não venceu o Paraná (0 a 0). O título foi para o Morumbi.depois de dois anos seguindo indo para os rivais Santos e Corinthians, que comemoraram em 2004 e 2005, respectivamente. Situações que mexiam com o sentimento dos jogadores e, principalmente, dos torcedores são-paulinos.

‘’Não era uma conversa explícita, mas no fundo sabemos que isso aumentou e acarretava em uma pressão com o torcedor, que é quem mais sofre. Nós vivemos o nosso mundo de treino e casa, às vezes uma pressão maior da imprensa, mas quem vive o dia a dia é o torcedor’’, lembrou Edcarlos.

O São Paulo ainda teve mais dois compromissos. Na penúltima rodada, venceu o Cruzeiro por 2 a 0, no Morumbi, com gols de Rógerio Ceni, artilheiro do time na temporada com 16 gols, e novamente, Fabão e fechou a campanha com empate de 0 a 0 diante do Paraná, em Curitiba.

Ao final da competição, o Tricolor do Morumbi somou 78 pontos, com 22 vitórias, time que mais venceu, e apenas quatro derrotas, o que menos perdeu. Os comandados de Muricy marcaram 66 gols e sofreram 32, obtendo o melhor ataque e a defesa menos vazada. Rogério Ceni, Ilsinho, Fabão, Mineiro e Aloísio integraram receberam o Prêmio Bola de Prata e integraram a seleção do campeonato. 

Números da edição: 

Média de gols: 2,71 gols/partida

Melhor ataque: São Paulo - 66 gols

Melhor defesa: São Caetano - 32 gols sofridos

Artilheiro: Souza (Goiás) - 17 gols

Jogador com mais partidas: André (Juventude) - 38 jogos

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