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2002: o fim de uma era e o início do domínio dos Meninos da Vila

Texto por Carlos Ramos
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2002 foi o último Campeonato Brasileiro antes de a CBF adotar como fórmula os pontos corridos. Marcou o fim de uma era, e o início de outra: a dos Meninos da Vila, que dominaram o Brasil. 

Para quem teve a dura missão de explicar a fórmula do Brasileirão de 2000, a Copa João Havelange, falar do Brasileirão de 2002 é fácil. Foram 26 participantes, que jogaram entre si para definir os oito melhores que iniciariam o mata-mata. Foi a mesma fórmula de 2001, que, como você já viu, acabou com o título do Athletico Paranaense. 

O Furacão, dessa vez, não chegou ao mata-mata: terminou a primeira fase em 13°. Ano novo, vida nova. E uma nova geração, criada na Vila Belmiro, pedia passagem. 

Os Meninos da Vila 

O Santos não vivia um ano fácil. Léo, um dos pilares daquele time, lembrou, em entrevista para oGol, que Emerson Leão assumiu com a missão de evitar o rebaixamento, depois de um início de temporada complicado. "Pífio", como definiu. 

"Iniciamos a temporada completamente desacreditados, o clube sem dinheiro para contratações. Fizemos um primeiro semestre pífio, sendo eliminados do Rio-São Paulo ainda na primeira fase. Ficamos quatro meses sem jogos oficiais, de abril a agosto. Chegou o Leão, que recebeu a missão de evitar o rebaixamento no Brasileirão. O elenco era formado basicamente por garotos, com exceção do Robert, de mim e do Fábio Costa, que ainda lesionou o joelho antes do início do campeonato e só voltou nas finais", recordou.

Também ouvido por oGol, Robert, um dos reforços para a disputa daquela competição, garantiu que Leão não tinha a menor ideia da sorte que deu... 

@Getty / MAURICIO LIMA

"O Leão montou o que tinha na mão, sem ter noção do que tinha, e depois começou a entender que tinha na mão jogadores diferenciados, como Robinho, Diego, Léo, Alex, Elano, Renatinho, Fábio Costa. Todo mundo pegou seleção, foram campeões em vários lugares do mundo. Quando cheguei, o time já estava montado. Tive de ficar no banco em boa parte da campanha, mas me senti honrado por ter contribuído", disse Robert. 

Léo destacou a chegada também de Alberto, "um centroavante com trajetória até então irregular, mas que no Santos teve o melhor momento da sua carreira".

O contestado Santos foi aos trancos e barrancos. De campanha irregular, que chegou a ter sequência de três derrotas seguidas, o Peixe quase perdeu a vaga no mata-mata para o Cruzeiro, mas, apesar de ter terminado a primeira fase com a mesma pontuação da Raposa, avançou nos critérios de desempate. 

Léo recordou que a equipe foi se acertando durante a competição. "O time se encaixou com perfeição, foi crescendo durante o campeonato, ganhou confiança e faturou o título". 

O grande salto veio mesmo no mata-mata: "Atropelou, com cinco vitórias nos seis jogos do mata-mata, diante do São Paulo, Grêmio e Corinthians", fez questão de ressaltar Léo.

São Paulo que, inclusive, havia liderado a primeira fase. Foram duas vitórias santistas contra o Tricolor, com 5 a 2 no agregado e um gol de Léo no triunfo do Morumbi

A vitória contra o Grêmio, no jogo da ida, foi uma das mais sólidas durante o campeonato, com um acachapante 3 a 0, com dois gols do então contestado Alberto e um de Robinho. 

A decisão foi contra o Corinthians, que era o grande favorito. Robert lembrou como era a expectativa para o jogo, contra um adversário muito forte. 

"Jogamos contra um timaço, o Corinthians já tinha sido campeão do Rio-São Paulo, Copa do Brasil, estava atrás de mais um. Não tinha perdido ainda dois jogos seguidos no ano. E a gente ganhou tanto o primeiro quanto o segundo jogo", relembrou. 

A decisão do Morumbi foi a das pedaladas de Robinho contra Rogério. Foi o jogo que consagrou de vez os "Meninos da Vila". Robert viu os primeiros três minutos do banco, até que teve de entrar em campo.  

"Na minha cabeça, o Leão ia adiantar o Diego para jogar com o Robinho no ataque e ia me colocar no meio. Eu era a primeira opção sempre para entrar. E fiquei a semana toda achando que ia jogar. Foi quando, no hotel, ficamos sabendo que ele resolveu escalar o William, que jogou muito bem a final, e eu fiquei muito chateado, bravo. Fui bem chateado e com muita vontade de entrar. Foi quando o Diego caiu, por causa da lesão, e eu já dei um salto do banco, já colei no Leão. Estava 'P da vida'. Estava com muita gana de entrar e jogar bem. Deu certo, ajudei meus companheiros, joguei muito bem e entramos para a história", revelou. 

Robert entrou, e Léo fez o gol da vitória. Já nos acréscimos, o lateral marcou um dos gols mais marcantes da carreira, da vitória por 3 a 2, e garantiu o título do Peixe. 

"Aquela decisão contra o Corinthians foi espetacular. O Robinho jogou muito, o Fabio fechou o gol e eu ainda tive a felicidade de fazer o gol da vitória, fechando uma campanha espetacular. A festa da torcida no Morumbi lotado, aquele mar de gente na entrada da cidade e também na Praça Independência, no Gonzaga, são cenas que jamais sairão da minha memória. Fui campeão da Libertadores em 2011, mas o título brasileiro de 2002 foi ainda mais especial. Foi um marco na história do clube", finalizou Léo. 

Números da edição

Média de gols: 3,02 gols/jogo

Melhor ataque: Santos e São Paulo - 59 gols

Melhor defesa: São Caetano e Juventude - 31 gols

Artilheiro: Luís Fabiano (São Paulo) e Rodrigo Fabri (Grêmio) - 19 gols

Jogador com mais partidas: Renato (Santos) e Deivid (Corinthians) - 31 jogos

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