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      Por Fora da Barreira
      Rodrigo de Brum

      Espanha, Uruguai, Colômbia... futebol como expressão

      2024/07/10
      E0
      Aqui o assunto é o futebol de seleções. Seja na bola alçada na área, ou no chute direto para o gol, o objetivo é não ter fronteiras.

      "Futebol não é cinco minutos de ação, é muito mais do que isso. É expressão cultural, uma forma de identificação" - disse recentemente Marcelo Bielsa, técnico do Uruguai.

      Muito se pregou, principalmente neste século, que os fins são mais importantes do que os meios. No caso do futebol, o resultado importaria mais do que o encantamento com o jogo.

      Salvo algumas exceções, o estilo burocrático tem sido a marca das seleções do continente europeu. Os exemplos mais óbvios são Portugal e França, com duas de suas gerações mais talentosas na história ficando em segundo plano em detrimento de uma segurança estrutural das equipes.

      De Fernando Santos à Didier Deschamps, chegamos a Roberto Martínez, que poderia ter entregado mais fantasia com a geração de ouro da Bélgica, e agora por uma melancólica seleção portuguesa na Eurocopa.

      Em uma longa divagação, Bielsa fez diversas críticas ao estado atual do esporte-rei. Entre críticas ao VAR e a discussões, segundo ele, vazias, o argentino chegou a dizer que o jogo vive um momento de decadência.

      "Na medida que o jogo se torne plenamente previsível cada vez irá perdendo o atrativo. Eu tenho a certeza que o futebol está em um processo decrescente. Não se privilegia o que tornou esse jogo o esporte número um do mundo. Ele não protege quem vê. Isso favorece o negócio, o negócio é que muita gente veja o jogo", atacou Bielsa.

      Do novo formato da Liga dos Campeões, uma resposta à Superliga que foi ensaiada pelos maiores clubes do mundo, até a Copa do Mundo com 46 seleções, a visão de Bielsa, de fato, se encaixa no cenário atual.

      Um respiro ao futebol

      Se o jogo burocrático e os calendários inchados são uma constante, ao menos no futebol de seleções temos visto na Copa América e na Euro uma tentativa de reavivar o jogo bonito.

      A Espanha, criticada por falta de objetividade em seu tiki-taka, atingiu novas dimensões sob o comando de Luis De La Fuente. Com o controle da posse, mas também verticalidade, com o trio Olmo, Yamal e Nico Williams, a Fúria tomou um susto contra a França, mas demonstrou novamente a sua maior qualidade e garantiu vaga na final do torneio europeu.

      Nesta quarta-feira (10), duas das seleções que melhor têm praticado o futebol na América do Sul se encontram. O Uruguai de Bielsa encara a perigosa e criativa seleção da Colômbia.

      Um duelo que, curiosamente, terá em campo diversos jogadores que desfilam talento no futebol brasileiro. Nico De La Cruz, James Rodríguez, Jhon Arias, entre outros, fazem uma semifinal tão aguardada quanto a de espanhóis e franceses.

      Não há uma receita infalível para conquistar títulos. A própria seleção brasileira já ganhou sendo reativa e também inventiva. Mas uma coisa é certa, a paixão pelo futebol, na essência, nasceu do jogo bonito. Principalmente para nós brasileiros. 



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