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      Na Terra do Soccer
      Carlos Ramos

      Dá para o soccer sonhar na Copa América?

      2024/06/17
      E0
      A América do Norte é a terra do Donuts, do Maple Syrup, do Poutine, de calor e frio extremo. Do basquete da NBA, do hockey da NHL, do baseball da MLB. E também é a terra do soccer.

      O que esperar do soccer na Copa América? A pergunta é das mais difíceis, na verdade. Mais fácil responder, de cara, o questionamento que o convidou para esta coluna: não, Canadá e Estados Unidos não sonham com algo maior nesta Copa América (se considerarmos o título algo maior). 

      Na verdade, é tudo uma questão de administrar as expectativas. Se John Herdman, técnico anterior, já chegou a dizer que era possível o Canadá sonhar em chegar longe e, quem sabe, até ganhar uma Copa, Jesse Marsch sabe que a realidade é outra. A seleção canadense disputará, pela primeira vez na história do país, uma Copa América. 

      A competição irá ser transmitida por dois canais no país, a TSN (versão canadense da Espn) e a CTV (um canal local de notícias). Mas se você caminhar pelas ruas de Toronto ou mesmo da capital, Ottawa, provavelmente pouco irá ouvir sobre o campeonato. A Eurocopa, inclusive, talvez seja mais assunto, com diversos bares e pubs recebendo comunidades como a italiana, a inglesa, a escocesa, e a alemã para os jogos. 

      Ainda assim, será uma competição importante para o técnico Jesse Marsch. Apesar de, diferente da Copa do Mundo, o torneio ser apenas disputado no vizinho Estados Unidos, a Canada Soccer, federação canadense, trata a Copa América como um grande teste para o ciclo até o Mundial de 2026. 

      Depois de mais de um ano de conflito com os jogadores, os dirigentes da federação tentam fazer as pazes com novos contratos comerciais para não ter problemas em acordar as premiações aos atletas pela participação nos campeonatos. Se na Copa o clima era de tensão nos bastidores, dessa vez tudo parece bem mais leve. 

      Em campo, Marsch buscou renovar a equipe, deixando de lado veteranos como Milan Borjan e Steven Vitória. Filho de imigrantes colombianos, Jonathan Osorio, meia de 32 anos, capitão do Toronto F.C, será uma das principais lideranças da equipe. Ele e o goleiro Crépeau são os únicos atletas acima de 30 anos na convocação final. Mas o capitão será Alphonso Davies, a estrela do Bayern de Munique que é o grande nome da seleção canadense.

      Um time mais jovem, com a presença de nomes como Luc de Fougerolles (18 anos),  Koné (22 anos), Ahmed (23) e Jacen Russell-Rowe, que seguirá com Cyle Larin (Mallorca) e Jonathan David (Lille) como referências ofensivas. 

      Na preparação para a Copa América, nos únicos amistosos sob o comando de Marsch, a seleção canadense foi bipolar. Levou de 4 a 0 para a Holanda, mas conseguiu arrancar um empate sem gols diante da França, mostrando a solidez defensiva que Marsch espera. 

      O Canadá está no grupo A, com Argentina (adversária da estreia), Chile e Peru. Apesar da fase não tão boa da seleção chilena, que ainda não conseguiu uma renovação tão necessária, os canadenses entram na chave como azarões. Mas podem, sim, pleitear uma segunda vaga. A partir daí, o que vier é, literalmente, lucro. 

      Nenhuma novidade

      Se a Copa América é um torneio inédito para o Canadá, os Estados Unidos disputarão o torneio pela quinta vez. Será a segunda Copa América disputada em solo norte-americano. 

      Em 2016, os EUA sediaram a Copa América Centenário. A seleção estadunidense conseguiu uma grande campanha, e avançou até a semifinal, sendo eliminada pela vice-campeã, Argentina.  

      Em 1995, os Estados Unidos também chegaram nas semifinais, com direito a uma vitória por 3 a 0 sobre a Argentina na fase de grupos. Depois de eliminar o México, nos pênaltis, nas quartas, os EUA caíram na semifinal para o Brasil, de Zagallo, por 1 a 0, gol de Aldair. Os brasileiros perderam a final, nos pênaltis, para o Uruguai. 

      Comandada por Gregg Berhalter, a seleção estadunidense começou 2024 com o título da Nations League diante do México, confirmando uma superioridade nunca vista contra os vizinhos. Os Estados Unidos têm a chamada "Geração de Ouro", com atletas como Tyler Adams, Giovanni Reyna, Weston McKennie e Christian Pulisic. Jogadores que atuam em alto nível na Europa há bastante tempo. 

      Na preparação para a Copa América, os estadunidenses levaram um choque de realidade ao serem goleados pela Colômbia, por 5 a 1. A atuação ruim no empate em 1 a 1 contra a seleção brasileira também serviu para deixar mais dúvidas do que certezas. 

      Uma coisa é certa: os EUA entram como favoritos no grupo C, ao lado do Uruguai. É difícil projetar um cenário no qual as duas seleções, ou, ao menos, uma delas, ficará pelo caminho para Bolívia e/ou Panamá. 

      No mata-mata, é certo, também, que a seleção estadunidense tem mais time para sonhar que os canadenses. Mas os embates contra os dois rivais sul-americanos mostraram que será difícil sonhar com o título. Quem sabe, de novo, uma semifinal?

      A abertura da Copa América será nesta sexta-feira, no duelo entre Argentina e Canadá. Donos da casa, os EUA jogam só na segunda, 19h, tentando confirmar o favoritismo contra a Bolívia. 



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