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Palmeiras

Texto por Carlos Ramos
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Desde o início, o futebol atuou como ferramenta de inclusão social. E foi assim que nasceu o Palmeiras: para ajudar imigrantes italianos a se integrarem na sociedade brasileira. Luigi Cervo, Luigi Marzo, Vincenzo Ragognetti e Ezequiel Simone divulgaram em um jornal voltado aos imigrantes a intenção de se formar um time de futebol em São Paulo. 

O ano era 1914. No dia 26 de agosto, no extinto Salão Alhambra, na Sé, foi fundado o Palestra Itália. O time realizou peneiras por meses na Vila Mariana até começar suas atividades contra os demais rivais da cidade. 

O primeiro jogo registrado pelo clube aconteceu só dia 24 de janeiro de 1915. Bianco e Alegretti marcaram os primeiros gols palestrinos em duelo amistoso contra o Savóia, em Votorantim. Só no ano seguinte o time passou a disputar competições oficiais. 

A estreia palmeirense no Paulista foi contra o Mackenzie, em empate em 1 a 1. Naquela campanha, porém, o time venceu apenas três jogos (um deles o primeiro duelo contra o Santos), terminando em penúltimo na tabela. 

O Palestra se recuperou no ano seguinte, quando acabou vice-campeão. Foi então que começou a grande rivalidade com o Corinthians. O primeiro clássico terminou com triunfo palestrino por 3 a 0, três gols de Caetano. 

Estádio impulsiona títulos 

Apesar da vitória sobre o rival, o Palestra demorou mais uns anos para ser campeão. Em 1920, a disputa pelo troféu do Estado foi intensa. Tanto que Paulistano e Palestra terminaram empatados na tabela, com 26 pontos, apenas um a mais que o Corinthians. 

A decisão foi feita em jogo desempate. O Palestra venceu por 2 a 1, e celebrou a conquista, impulsionada pela compra do Parque Antártica. Ainda naquele ano, o clube registra goleada sobre o Internacional, por 11 a 0, a grande goleada da história da equipe. 

O estádio levou o clube a outro patamar. Tanto que, em 1922, o Palestra venceu a seleção paraguaia campeã sul-americana, por 4 a 1. Naquela década, o clube faturou ainda o primeiro bicampeonato paulista, em 1926 e 1927. 

Nova casa, novos títulos

A década de 1930 foi de nova casa para o Palestra, que reinaugurou o Estádio Palestra Itália após grande reforma. A festa foi feita com impiedosa goleada sobre o Bangu, por 6 a 0. O mesmo ano de 1933 foi também de goleada marcante contra o rival, Corinthians: 8 a 0. 

Com um fortíssimo ataque, comandado pelo ponta Avelino, o Palestra voltou a ser bicampeão paulista (seria tri no ano seguinte) e conquistou ainda o primeiro Rio-São Paulo da história. 

O Palestra fechou a década inaugurando o Pacaembu com goleada sobre o Coritiba (6 a 2) e celebrando o primeiro título no estádio, com vitória sobre o rival, Corinthians, por 2 a 1. 

De Palestra a Palmeiras 

O Palestra teve de mudar de nome na década de 1940. Durante a Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas proibiu no Brasil qualquer uso de nomes relacionados aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). O Palestra Itália virou Palestra de São Paulo, mas não agradou as autoridades. Virou, então, Sociedade Esportiva Palmeiras nas vésperas do jogo decisivo do Paulista de 1942 contra o São Paulo. 

Perdendo o jogo por 3 a 1, o Tricolor deixou o campo alegando que os rivais eram inimigos da pátria. O Palmeiras, que havia entrado em campo com a bandeira brasileira, celebrou o título no Pacaembu. "Dormiu líder, nasceu campeão", estamparam algumas manchetes da época. 

No topo do mundo?

Em 1951, o Palmeiras disputou a Copa Rio, competição que reunia as principais equipes do mundo. Vasco da Gama (Brasil), Áustria Viena (Áustria), Nacional (Uruguai), Sporting (Portugal), Juventus (Itália), Estrela Vermelha (Iugoslávia) e Olympique de Nice (França) disputaram o torneio com os paulistanos. 

O Verdão passou da primeira fase vencendo Nice e Estrela Vermelha, e derrubou o poderoso Vasco na semifinal. A decisão, em dois jogos, foi contra a Juventus, que havia goleado o time brasileiro nos grupos, por 4 a 0. 

A poderosa Juve, campeã italiana do ano anterior, perdeu o primeiro jogo da decisão, no Maracanã, com gol de Rodrigues. No duelo decisivo, o time, comandando por Jair da Rosa Pinto, um dos grandes jogadores brasileiros da época, segurou o empate e acabou campeão. O Palmeiras considera, a Copa Rio de 1950 como o primeiro mundial de clubes da história. 

O título foi a cereja do bolo de um time supercampeão. Campeão paulista, da Taça Cidade de São Paulo, do Rio-São Paulo, o Verdão encerrou uma década de glórias levantando o Supercampeonato paulista de 1959, vencendo o Santos, de Pelé, com gols de Julinho Botelho e Romeiro.

A Academia 

Julinho Botelho seria um dos grandes líderes palmeirenses na década seguinte. O time do Parque Antártica foi o único a desafiar o Santos, de Pelé. Entre 1959 e 1969, o Peixe foi oito vezes campeão paulista, e só o Palmeiras, com três conquistas, se meteu no meio da hegemonia da equipe de Pelé. 

O time palmeirense naquela época ficou conhecido como a Academia de Futebol, por sua excelência técnica. Além de Julinho, Valdir de Moraes, Djalma Santos e Ademir da Guia foram outros grandes ídolos formados naquela época em que o Palmeiras conquistou o Roberto Gomes Pedrosa e duas vezes a Taça Brasil. 

Na década de 1970, o Verdão ainda formou a segunda Academia, ainda com a presença de Ademir da Guia. O time foi três vezes campeão paulista (uma invicta), bicampeão brasileiro e venceu troféus no exterior (entre eles um Ramón de Carranza na Espanha contra o Real Madrid. 

O ápice do time foi em 1972, com a conquista do Paulista invicto e do Brasileiro. Émerson Leão, Luis Pereira e Leivinha foram alguns dos grandes destaques da Segunda Academia. 

O time da Parmalat

O Palmeiras aproveitou o suporte da Parmalat, empresa italiana que investiu muito no clube na década de 1990, para montar quase uma seleção. Em 1993, acabou com um jejum de 16 anos sem títulos goleando o Corinthians, por 4 a 0, na final do Paulista. 

Os rivais voltaram a se enfrentar na decisão do Brasileiro, e o time de Velloso, Antônio Carlos, Rivaldo, Flávio Conceição, César Sampaio, Zinho, Evair, Edmundo e companhia levou a melhor. O clássico, por sinal, esteve em alta na década. 

Palmeiras e Corinthians formaram grandes times nos anos 1990 e dividiram os títulos paulistas de 1993 até 1997. Em 1998, sob o comando de Luiz Felipe Scolari, um dos técnicos mais vitoriosos da história do clube, o Palmeiras faturou a Copa do Brasil e a Mercosul. 

No ano seguinte, com milagres de São Marcos, bolas certeiras de Arce, maestria de Alex e gols de Oséas e Evair, conquistou a Libertadores. Felipão, anos depois, voltou a comandar equipes vitoriosas do Palmeiras. O time, que chegou a cair para a segunda divisão em 2002, formou novos ídolos, como Dudu, mas seguiu fazendo o que o Palmeiras fez desde o seu primeiro dia de vida: conquistando títulos. 

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