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        Fernando Torres: El Niño que encantou a Europa

        Texto por Ryann Gomes
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        Fernando Torres foi vários jogadores em um só. É possível dividir sua trajetória em vários momentos. A carreira de El Niño não foi uma constante como muitos apostavam, mas o auge do centroavante, todavia, já valeu para colocá-lo entre os melhores de seu tempo, bem como entre os melhores de todos os tempos da seleção espanhola.

        O craque nasceu em Fuenlabrada, uma cidade que fica em Madri, e desde muito cedo manifestou o desejo de ser um jogador de futebol. No início de tudo, em sua infância, El Niño quis ser goleiro, mal sabia o que o futuro reservava para o garoto. Para o bem do esporte, o menino Fernando, após quebrar uns dentes, não seguiu com a ideia e foi jogar no ataque.

        O prodígio colchonero

        Não demorou para a paixão pelo amor Atlético de Madrid, herança construída pelo avô, se transformar numa histórica relação intensa de amor e glórias. Quando tinha 14 anos, Fernando Torres chegou para seu time de coração e começou a ser lapidado com muito carinho no Vicente Calderón. 

        Não demorou a ser considerado um dos melhores e mais talentosos jovens da Europa. El Niño, o fenômeno que causava vendavais na cantera, surgiu em um momento oportuno para o Atleti. Despontou no time que caíra à segunda divisão do Espanhol e deu sua contribuição para reerguê-lo na segunda tentativa de acesso. Contudo, o seu verdadeiro impacto viria já na primeira divisão, para restabelecer os rojiblancos como uma potência nacional.

        Àquela altura, Torres era a imagem da recuperação, o sinônimo e a cara do gol no lado colchonero da capital. À medida em que foi se ambientando ao ritmo da elite e ao peso da responsabilidade, El Niño ganhou mais importância para o clube e o seu nome não tardou a passar a fronteira.

        Foi marcando cada vez mais gols e, em 2003, num amistoso com a seleção portuguesa, debutou pela seleção principal da Espanha, com a qual viria a estar no Euro 2004. Apesar do insucesso de La Roja, Torres voltou mais forte e partiu para mais três épocas de grande nível nos colchoneros.

        O amor de Torres pelo Atlético de Madrid nunca viria a morrer e a história ainda não tinha acabado, mas o momento que muitos temiam acabou por acontecer.

        Com o Atleti precisando encher os cofres para melhorar o plantel e um Fernando Torres cheio de sonhos a cumprir no futebol, a separação acabou acontecendo em 2007. Pela 'bagatela' de 38 milhões de euros fizeram de Torres o espanhol mais caro até então e a contratação mais cara do futebol inglês. Newcastle e Chelsea tentaram, mas o vermelho continuou a fazer parte da vida de El Niño, o novo avançado do Liverpool.

        Os anos dourados ao som do heavy metal

        Desejo declarado de Rafa Benítez, que, dois anos antes, não tinha conseguido retirar o melhor de Morientes, Torres não demorou muito até ser um ídolo para os apaixonados torcedores do Liverpool. O espanhol não acusou os valores pagos pela sua contratação e cedo arrebatou os corações de Anfield Road e os palcos da Premier League, onde, logo na primeira temporada, se sagrou melhor marcador estrangeiro da competição até então, com 22 gols marcados.

        Números que fizeram de Torres o segundo melhor jogador da Premier League, apenas atrás de Cristiano Ronaldo. Era, de fato, a era dourada de Fernando Torres.Consolidado como um dos melhores avançados do futebol mundial, El Niño era uma das grandes esperanças de uma seleção espanhola recheada de talento, orientada pelo mentor Luís Aragonés, a quem Torres fez juras de amor eterno.

        Xavi, Iniesta e até David Villa estiveram mais em foco ao longo da Eurocopa 2008, mas o papel de herói acabou mesmo por pertencer a Fernando Torres, fadado a momentos de maior responsabilidade. O lance está na memória de todos os espanhóis: Torres ganhou em velocidade de Lahm e não tremeu quando viu Lehmann pela frente. Colocou a bola por cima do goleiro alemão e fez história. 1 a 0 para a Espanha, campeã da Europa 44 anos depois.

        O ano de 2008 foi inesquecível para El Niño, cada vez menos uma criança, cada vez mais uma figura. Foi ele o primeiro a lutar com Messi e Cristiano Ronaldo pelo prémio de melhor jogador do Mundo. Acabou num honroso terceiro lugar, o primeiro dos mortais tendo em conta as duas estrelas.

        O toque dos Beatles nos pés de Fernando Torres fez de El Niño um centroavante temido por muitos e respeitado por todos. Num Liverpool longe dos seus tempos de conquista, Torres, juntamente com Steven Gerrard, era uma espécie de coca cola no deserto. Sem concorrência à altura e sem companhia ao mesmo nível, Torres foi sempre um jogador difícil de ser substituído.

        Rápido nos movimentos, o espanhol foi apurando sua qualidade técnica e gosto pelo gol, fazendo da arte de vencer os goleiros uma identidade. Apesar do mau momento do clube de Anfield, o Liverpool era temido pelos grandes, porque El Niño tinha a sina de marcar nesses jogos, mas tão rápida foi a subida como foi a queda.

        Torres acabou 2009/10 com 22 gols em 32 jogos pelos Reds. Pela Espanha, os problemas físicos o atrapalharam, mas não o impediram de estar presente no Mundial de 2010. A importância que El Niño tinha tido em 2008 não foi a mesma, no entanto, apesar de ter terminado a competição sem qualquer gol, Fernando voltou a conquistar um grande troféu com La Roja, a Copa do Mundo.

        De volta ao território inglês, e em conflito com a direção do Liverpool, Torres emitiu um pedido de transferência e acabou por trocar Anfield Road por Stamford Bridge. Embora já tenha dito, em várias entrevistas, que não se arrepende dos passos que deu no mundo do futebol, esse acabou por ser o primeiro rumo ao declínio. Um declínio cheio de belos momentos para contar. Era assim Fernando Torres.

        De aposta a odiado, de 'flop' a herói local

        A saída de Anfield Road foi tudo menos pacífica e chegou mesmo a virar os torcedores do Liverpool contra o jogador que, semanas antes, era idolatrado no templo do futebol dos Reds. A chegada ao Chelsea, a troco de 58 milhões de euros, era há muito objetivo de Abramovich, que bateu novo recorde de transferências da Premier League para contratar o centroavante espanhol. O que se viu a seguir foi... uma desilusão.

        Torres sempre rejeitou o fato de ter sentido nas costas o peso do valor que os Blues investiram na sua contratação, mas a verdade é que El Niño foi uma sombra de si mesmo nos primeiros tempos em Stamford Bridge. Quiseram os deuses dos calendários do futebol que a estreia fosse contra o seu Liverpool. Não marcou aí, nem nos 12 jogos que se seguiram. De forte aposta de Ancelotti, Torres passou a ser suplente.

        Depois de meia temporada de adaptação, esperava-se que o Torres de Londres voltasse a ser o Torres de Liverpool ou de Madri, mas à medida que o tempo foi passando as esperanças eram cada vez menores. A velocidade e agilidade de outrora pareciam perdidas, e de figura do futebol mundial Torres passou a ser visto como um flop, que acumulava chances perdidas.

        Em plena crise de confiança, o irreconhecível Torres acabaria por ficar ligado à maior conquista da história do Chelsea, a Liga dos Campeões, quando percorreu meio campo isolado, ultrapassou Valdés e levou os Blues à final da Champions. Um gol ao seu estilo no final de uma temporada que, apesar de tudo, teve um final memorável.

        Essa reta final na Inglaterra fez com que Vicente del Bosque levasse o eterno talismã à Eurocopa e o treinador não viria a se arrepender. Quatro anos depois, Fernando Torres estava de volta à competição que o levou para o topo do futebol, ainda que na condição de suplente de luxo. Foi nessa condição que acabou por ser bicampeão europeu e artilheiro do certame, com três gols marcados, um deles na final. Torres tinha sido mesmo feito para os momentos decisivos.

        Decepção em Milão e a volta para casa

        Após mais uma conquista pela seleção, Torres retornou mais confiante para o Stamford Bridge. Se no Campeonato Inglês a maldição de Torres continuou – em toda a carreira nunca conquistou a Premier League –, na Europa, El Niño voltou a fazer estragos. O homem dos jogos decisivos marcou na final da Liga Europa e ajudou o Chelsea a derrotar o Benfica. Um dos poucos momentos altos vividos com a camisa dos Blues.

        Se o currículo em Londres enriqueceu, o certo é que nos gramados não se via o mesmo Torres dos tempos de Liverpool. Em todos os mercados era abordada uma possível saída do espanhol, que procurava, a todo o custo, afastar fantasmas e desconfianças. Não poderia ter escolhido pior destino na hora da mudança.

        Foi para um Milan destruído em pedaços, de onde saiu meia temporada depois, com apenas um gol marcado. Milão seria apenas um ponto de passagem para voltar ao destino de uma vida: Madri.

        De volta ao Vicente Calderón, Torres não foi indiscutível como em outros tempos e não voltou a ser o jogador que tinha encantado milhões de torcedores pelo mundo fora, mas a felicidade no rosto do Niño, que já não era assim tão criança, era clara. Foi com o símbolo do Atlético de volta a casa que foi feita a despedida do Vicente Calderón, mas não a despedida de Torres.

        Essa estava guardada para 2018. No penúltimo jogo pelos colchoneros, El Niño levantou finalmente um troféu de destaque pelo clube, depois de, tão novo, ter vencido a Segunda Divisão espanhola. A conquista da Liga Europa foi a melhor forma de se despedir daqueles que sempre lhe deram a alma e o coração e a quem Torres prometeu amar até ao último segundo.

        A carreira acabaria no Japão, representando do Sagan Tosu. Talvez por querer terminar perto dos desenhos animados que o apaixonaram pelo futebol, talvez por não suportar a despedida tão perto dos seus fãs. Da tristeza pelo declínio à felicidade das enormes conquistas, Fernando Torres acabou como começou. De início ao fim, El Niño.

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        Fernando Torres (ESP)
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