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Peter Shilton: o ídolo inglês que sofreu com La Mano de Dios

Texto por ogol.com.br
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Peter Shilton foi um dos grandes goleiros da história do futebol inglês. Tido como sucessor de Gordon Banks, talvez o goleiro mais lendário do país, assumiu o posto de Banks primeiro no Leicester, e depois na seleção inglesa, onde jogou três Copas do Mundo. 

Peter Shilton é natural de Leicester, na Inglaterra, e ainda menino entrou nas divisões de base do clube da cidade. Com 16 anos, jogou sua primeira partida no profissional e, na época, era reserva de Gordon Banks, que estava em alta com a conquista da Copa de 1966 com a Inglaterra. 

A titularidade e o gol

Depois de Banks ter sido vendido ao Stoke City, em 1967, Shilton passou a ser o titular dos Foxes, e se firmou na meta do clube com grandes exibições. Além de grandes defesas, Shilton ficou marcado por um gol em sua primeira temporada como titular. 

Os Blues venciam o Southampton, por 4 a 1, quando Shilton mandou um chutão para frente. A enorme névoa que estava em Leicester o impediu de ver que a bola acabou morrendo no fundo das redes, no único gol da carreira do goleiro. 

"Eu chutei a bola e a perdi de vista. Eu vi o grande Mike Stringfellow (atacante do time) correndo atrás dela e pensei que havia sido ele a marcar. Pensei que só tinha dado um chutão. No vestiário, os caras disseram que eu havia feito um gol", contou o goleiro mais tarde para John Hutchinson, historiador do clube. 

O auge na Floresta 

Shield seguiu sendo destaque do Leicester em campanhas de acesso e levou o clube até a final da Copa da Inglaterra, perdendo para o Manchester City, por 1 a 0. Foram 349 jogos (e um gol) pelo time de sua cidade até Shilton dar mais um passo para ser o sucessor de Banks. 

Depois de perder Banks pelo acidente que tirou parte da visão do goleiro, em 1973, o Stoke City apostou em Shilton em 1974. Nessa época, o goleiro já assumia também o posto de Banks na seleção inglesa. 

Shilton não durou muito em Stoke: fez 121 jogos pelo clube até se juntar a Brian Clough no Nottinham Forest. Os dois viveriam no clube o período de maior sucesso, que começou logo na primeira temporada de Shilton. 

O goleiro se mudou para Nottingham em setembro de 1977 e, nos 37 jogos que fez pelo clube na Liga Inglesa daquela temporada, passou incríveis 23 sem sofrer qualquer gol e foi fundamental na conquista do título pelo clube da Floresta. 

O goleiro, e o clube, foram ainda mais longe e conquistaram a Liga dos Campeões, com Shilton mantendo a meta intacta no jogo decisivo da semifinal e na decisão do torneio, contra o Malmo. 

Campeão na temporada seguinte da Supercopa da Europa, freando o Bacelona, que na época contava com o ídolo vascaíno Roberto Dinamite, Shilton foi a mais uma decisão da Liga dos Campeões e o filme se repetiu: grande atuação, meta intacta contra o Hamburgo e título continental de uma equipe que entrou para a história. 

Primeira Copa e La Mano de Dios

Depois de sua última temporada com a camisa do Nottingham Forest, em um total de 272 jogos pelo clube, Shilton disputou sua primeira Copa do Mundo com a Inglaterra, em 1982. O goleiro sofreu apenas um gol em cinco jogos, o que não bastou para o time inglês cair na segunda fase de grupos. 

Quatro anos depois, Shilton voltou a um Mundial, já consolidado na meta inglesa e ídolo também do Southampton, seu novo clube. Mais uma vez, somou jogos sem sofrer gols (foram três seguidos), até que viu pela frente Diego Armando Maradona. 

Inglaterra e Argentina se enfrentaram pelas quartas de final da Copa de 1986, no Estádio Azteca, na Cidade do México. Os ingleses tinham um timaço, que começava por Shilton e terminava em Gary Lineker, um dos grandes goleadores do país. Mas a Argentina tinha Maradona.

O jogo estava 0 a 0 até o sexto minuto do segundo tempo. Maradona tentou arrancada, Steve Hodge teve tudo para afastar a bola, mas mandou para trás. Maradona subiu com Shilton e, com a mão, mandou a bola para dentro do gol. Os ingleses pediram o toque, mas o árbitro confirmou o gol, que ficou conhecido como La Mano de Dios. Depois, Maradona ainda marcou mais uma vez e, apesar do gol de Lineker, a Inglaterra acabou eliminada do torneio. 

A reta final

Um ano depois daquela Copa, Shilton se mudou para o Derby County e se manteve em alta. Chegou em forma para a Copa de 1990 e, novamente com a companhia de Lineker, levou o time a melhor campanha desde o título de 1966, com Banks. 

Os ingleses chegaram até a semifinal, mas, nos pênaltis, a Alemanha acabou classificada. A disputa do terceiro lugar daquela Copa, vencida pela Itália, acabou por ser o último dos 125 jogos de Shilton pela seleção inglesa, até hoje o jogador com mais jogos pelo país. 

Por clubes, Shilton ainda seguiu por Plymouth Argyle, Wimbledon, Bolton, Coventry, West Ham e Leyton Orient, até se aposentar em 1996, depois de 1375 jogos oficiais, e um gol que nem ele mesmo viu. 

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Diego Maradona cumprimenta Peter Shilton no início do jogo da meia-final
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