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Friedenreich, o primeiro ídolo do futebol brasileiro

Texto por Carlos Ramos
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A história do futebol no Brasil foi escrita inicialmente por estrangeiros e endinheirados paulistanos. Basicamente, era a elite que chutava as bolas de couro que quicavam nos esburacados gramados brasileiros no início do século XX. O povo, o verdadeiro estereótipo que faria do futebol brasileiro o mais conhecido do mundo, demoraria a entrar em cena. 

Mas, no meio da elite, no meio dos endinheirados estrangeiros e paulistanos, apareceu Arthur Friedenreich. Friedenreich meio que se camuflou no meio dos jogadores da época. Não era nem 100% elite, nem 100% povo. Era uma mistura dos dois. Filho de um alemão, Oscar Friedenreich, com uma ex-escrava, Matilde, Arthur foi o contraponto do futebol brasileiro nos primeiros anos. 

Mulato, era um ponto fora da curva no Germânia, equipe dos descendentes alemães. Mas sua ginga era usada a favor do time. Ele abriu as portas do futebol para um novo estilo de jogo. Era a improvisação em um jogo cheio de teorias e táticas vindas da Europa. Arthur queria era jogar bola. 

Desde menino, percorria as ruas de São Paulo em busca de uma bola para jogar. Tanto que chegou a ser quase atropelado por um carro. Das ruas para os campos, não demorou muito. 

Friedenreich se associou ao Germânia, clube da comunidade alemã em São Paulo, mas o estilo de jogo do clube, baseado mais no físico do que na parte técnica, não agradou ao brasileiro, acostumado aos dribles da várzea. Friedenreich foi, então, ao Ypiranga, que estava subindo para a primeira divisão paulistana. 

Jogando no centro de ataque, Fredenreich já foi artilheiro do Paulista em 1912 com o Ypiranga. Em 1914, Fried estava no primeiro jogo da seleção brasileira na história, no campo das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, contra o Exeter City, da Inglaterra. O atacante paulistano acabou perdendo dois dentes após encontrão durante a partida, mas o Brasil venceu por 2 a 0. 

A fama do atacante, pelos gols no Ypiranga e amistosos em outros Estados (seja pela seleção ou por combinados), ia aumentando cada vez mais. Já considerado o primeiro grande ídolo do futebol brasileiro, Fried trocou o Ypiranga pelo Paulistano, onde voltou a ser artilheiro e, dessa vez, também campeão paulista. 

Primeiro título da seleção

Friedenreich disputou o primeiro Sul-Americano da história em 1916. A competição, que depois virou Copa América, acabou com título uruguaio. Mas três anos depois, o Brasil sediou o Sul-Americano, e aí a história foi diferente. 

O Fluminense construiu as arquibancadas das Laranjeiras para receber 18 mil pessoas no evento. O Brasil empatou com o Uruguai, venceu a Argentina e goleou o Chile. Friedenreich conseguiu um hat-trick contra os chilenos, mas o torneio teve de ir para o jogo desempate. 

O Brasil x Uruguai decisivo foi, como todos os outros jogos no torneio, nas Laranjeiras. Foi um embate dificílimo, que não era definido nunca. Foi para a prorrogação, e nada de gols. Na época, uma partida ia de uma prorrogação para a outra até que as coisas fossem definidas.

Nas Laranjeiras, foram 150 minutos de futebol. Os jogadores já estavam fartos, quase caindo em campo. Até que o primeiro ídolo da história do futebol brasileiro conseguiu resolver o confronto. Arthur Friedenreich venceu o goleiro Cayetano Saporiti com a perna direita e garantiu o primeiro título da história da seleção brasileira. 

O rei do futebol

Pelas grandes participações em sul-americanos, Fried ganhou o apelido de "o namorado da América". A imprensa estrangeira, por sinal, ficava encantada em ver o atacante jogar. Os uruguaios o chamavam de El Tigre

Friedenreich voltaria a ser campeão sul-americano em 1922. Dessa vez, sem o mesmo brilho, atuando só duas vezes, por conta de lesões, e sem marcar. 

Foram 23 jogos oficiais com a seleção brasileira, com dez gols marcados. O atacante se despediu na Copa América de 1925. Em 1930, chegou a marcar em amistoso contra a França, mas não chegou a jogar uma Copa do Mundo. Os franceses, por sinal, chamavam o brasileiro de "Le roi du football' (O Rei do Futebol).

Fried ainda consolidou idolatria no Paulistano, com títulos paulistas e presenças marcantes em excursões fora do país. Na década de 1930, foi um dos fundadores do São Paulo, e ajudou o clube no primeiro título paulista. Lá, marcou o primeiro gol do futebol profissional no Brasil.

A carreira do atacante acabou no Rio de Janeiro. Como uma espécie de agradecimento ao público carioca, que o viu ser campeão pela seleção, Fried fez amistosos pelo Flamengo.

El Tigre, para muitos historiadores, marcou mais de 500 gols da carreira e teria, ainda, média de gols superior a Pelé. Verdade ou não, sabemos que, de fato, se trata de um dos grandes ídolos da história do futebol brasileiro, mais especificamente o primeiro ídolo do esporte por aqui. 

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