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        1978: O ano mágico do maior (e improvável) Guarani de todos os tempos

        Texto por Paulo Mangerotti
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        Quando alguém mais desavisado passar as páginas da história do Campeonato Brasileiro pode se surpreender com o capítulo de 1978 e se perguntar: 'como é que o Guarani foi o campeão?'. Por mais improvável que a conquista fosse também naquela época, quando se iniciava os anos áureos do Bugre, é melhor evitar essa heresia ao contemplar um dos grandes times da história do futebol nacional.

        O Campeonato Brasileiro de 1978, como era recorrente na época, contou com um novo acréscimo de equipes, parte da política da ditadura militar. 74 clubes, um recorde até então, foram divididos em seis grupos na primeira fase. Os seis primeiros avançariam para a segunda fase, desta vez formada por quatro grupos de nove equipes. Depois ainda viria uma repescagem, uma terceira fase, as quartas, as semis e a final. Um total de 32 partidas para quem quisesse levantar a taça.

        1978, por sinal, foi ano de Copa do Mundo, disputada em junho, enquanto o Brasileiro durou de março a agosto. Pela convocação de Cláudio Coutinho já era possível imaginar os times da moda: Vasco, São Paulo, Atlético Mineiro, Palmeiras, Flamengo, Cruzeiro... Todos tiveram jogadores convocados. Até mesmo o maior rival do Guarani, a Ponte Preta, enviou três jogadores. Do Guarani? Ninguém. Talvez estivesse aí uma falha da seleção não percebida na época.

        "Deu liga"

        Parece difícil buscar na lógica uma explicação fácil para como o Guarani bateu tantos favoritos ao título. O clube emplacou na reta final 15 jogos de invencibilidade, mas mais do que isso. Venceu dentro e fora de casa nas quartas, na semi e na final. Nas 32 partidas, foi derrotado apenas quatro vezes, sendo os responsáveis pelos tropeços o Vasco, na estreia, Volta Redonda, Remo e Portuguesa. Agora você pode estar se perguntando sobre aqueles tidos como favoritos: não foram páreo.

        "Foi um ano mágico. Conquistar o Brasileiro com um time do interior, onde nós entramos apenas para participar da competição, jamais imaginaríamos. Nós enfrentamos os grandes clubes da época: Flamengo, Atlético Mineiro, enfim... Só que o time do Guarani deu liga. Tínhamos uma sintonia e harmonia muito grande, inclusive com atletas de categorias de base, os jogadores que estavam ainda se formando na época", afirma Zenon, meio de campo titular daquele time, em entrevista ao oGol.

        "De veterano, cara experiente no time, tinha o Zé Carlos, que veio do Cruzeiro, com 34 anos e nosso zagueiro Edson. Aí tinha também CapitãoBozó com 25, eu com 23, Renato com 20, Careca com 17... Deu certo! O time começou a ter bom desempenho durante a competição e teve uma partida que foi determinante para acreditarmos que seria possível disputar o título Brasileiro", completa.

        Tal jogo mencionado por Zenon foi válido pela terceira fase do campeonato, no grupo Q, em que o clube disputava ponto a ponto com um favorito Internacional, bicampeão Brasileiro anos antes. O ex-jogador do Brugre lembra que o 'meio de campo mágico' do Colorado com Falcão, Caçapava e Bastita assistiu uma aula, como ele próprio se refere, do Guarani.

        "Foi 3 a 0 e ficou barato para eles. O resultado justo seria de 8 ou 10 a 0 para nós. A partir daquele jogo foi um divisor de água para que pudéssemos acreditar que seria possível chegar no título", conta.

        Aquele jogo contra o Internacional seria mesmo marcante na história não só do Guarani, mas também na do próprio Zenon. O meia marcou 12 gols naquele Brasileiro, balançou as redes nas quartas contra o Sport, duas vezes na semifinal contra o Vasco, e também na final contra o Palmeiras. Porém, o que não sai da memória mesmo, foi o gol "digno de Puskas", contra o Inter.

        "Eu recebi a bola do zagueiro Gomes na minha intermediária. Conduzi até a linha do meio de campo e ameacei lançar o Capitão na ponta direita. O Internacional utilizava muito a 'linha burra', comandada por Marinho Peres, que trouxe isso da Copa de 74. A Holanda, o Carrossel Holandês, fazia isso muito bem. O Marinho trouxe isso para o Internacional, essa tática de deixar o ataque do adversário em impedimento. Aí, quando ameacei lançar o Capitão, o Marinho deu um grito para todos saírem. Eles vieram ali até o grande círculo. Eu puxei a bola para mim e passei pelo meio de todo mundo, condução de bola... Tinha uns sete jogadores na minha frente. Saí lá de trás, passei pelo meio de todo mundo e fiz o terceiro gol. Quando cheguei próximo do goleiro, até olhei para trás para ver se tinha alguém atrás de mim. Deu tilt (sic) na cabeça dos caras, eles não entenderam nada", recorda.

        As finais de 1978 foram contra o Palmeiras, que teve uma campanha muito mais tímida que a do Bugre. O Verdão teve o mesmo número de empates e vitórias naquela edição, 13. Já sem as principais estrelas da "segunda era da Academia", o time ainda contava com grandes jogadores como Leão, Jorge Mendonça e Toninho, vice-artilheiro daquele ano. O Guarani venceu o primeiro jogo, no Palestra Itália, com gol de Zenon. A finalíssima foi no Brinco de Ouro e Careca foi o responsável por marcar o gol do título.

        Números da edição

        Média de gols da edição: 2,24 gol/jogo

        Melhor ataque: Vasco - 61 gols

        Melhor defesa: Atlético Mineiro - 12 gols

        Artilheiro: Paulinho (Vasco) - 19 gols

        Jogador com mais partidas: Sílvio (Palmeiras) e Renato (Guarani) -  ambos com 32 jogos

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