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        Brasileirão
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        1975: O início de um domínio colorado

        Texto por Paulo Mangerotti
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        Ao voltar os olhos para a história do futebol brasileiro, difícil é imaginar que em algum momento faltou ao futebol gaúcho, tão campeão em solo nacional e internacional, algum protagonismo. Talvez seja até mesmo um exagero pensar isso. Talvez não. Por via das dúvidas, o Internacional na segunda metade da década de 1970 se impôs como poucos fizeram ao longo de tantos anos no país, e o Campeonato Brasileiro de 1975 foi o propulsor para isso.

        Mesmo que Grêmio e Internacional sempre tenham integrado o rol de grandes clubes brasileiros, faltava para eles uma grande conquista que ajudasse a reverberar para todos os cantos o poder do estado. É bem verdade que antes de 1959 não existiam competições nacionais no Brasil, mas o limbo de 16 anos até o primeiro título nacional do Rio Grande do Sul estava aquém de sua história. Antes de 1975, o Inter vinha batendo na trave há algum tempo: por pouco não foi finalista em 1972, terminou em quarto em 1973, em terceiro em 1974... A conquista já estava sendo desenhada.

        Em 1975, a Copa Brasil, como era conhecido o Brasileiro naquele ano, foi disputada por 42 clubes, com 430 jogos no total. O novo acréscimo em relação a edição anterior seguia a lógica da época de incluir o maior número possível de estados, sendo o angariado da vez a Paraíba, com o Campinense, que terminou na lanterna do campeonato.

        O Brasil ficou vermelho

        O Internacional já vinha ganhando força no cenário do futebol nacional desde a inauguração do Beira-Rio, em 1969. O clube, que até então havia vivido a melhor época de sua história duas décadas antes, com o "Rolo Compressor" de 1950, via o rival Grêmio comemorar o hepta campeonato em 1968. O Beira-Rio foi o símbolo do reencontro do Inter com as conquistas, que ultrapassaram as barreiras estaduais seis anos depois de sua inauguração.

        “Você sabe que foi muito importante esse título, né? Aconteceu depois da Copa do Mundo de 1974 onde eu, Paulo César Carpegiani e o Figueroa fomos convocados. Na época, o Inter sempre tinha jogador na seleção. Era o time da moda, que todo mundo queria ver jogar. Em 1974 quase que nós ganhamos o título, nós beliscamos o Brasileiro. Em 1975 nosso time mudou muito pouco, veio o Flávio como atacante. Já tinha eu e o Carpegiani mais experientes devido a Copa, em que fomos titulares", afirma o ex-atacante Valdomiro, em entrevista ao oGol.

        Ao relembrar a conquista, Valdomiro faz questão de ressaltar a qualidade daquele time do Inter. No gol, o lendário goleiro Manga, de 38 anos, que ainda teria uma longeva carreira pela frente. Na defesa, a estrela era o chileno Figueroa. O meio de campo era encabeçado por Carpegiani, que tinha como companheiros os então jovens Falcão e Caçapava. Além de Batista, Jair e Escurinho, que eram todos reservas e poderiam ser titulares, segundo o ex-atacante.

        "Era um grande time do Inter. Esse título de 75 não foi importante só a nível de futebol gaúcho, mas para a economia gaúcha. Os times do interior ganharam com isso. A maioria dos jogadores que jogavam no interior eram 'obrigados' a passar por Inter ou Grêmio. Depois que o Inter foi campeão, o pessoal viu com olhos diferentes o futebol do Rio Grande do Sul. O Inter onde ia jogar todos respeitavam. Jogávamos igual fora ou dentro de casa. Nós queríamos ganhar", explica.

        Dono do melhor ataque da competição, ao lado do Fluminense, o Internacional espantava adversários. O clube colecionou goleadas como um 5 a 0 contra o Vitória e outro contra o Sergipe.

        "Nós jogamos contra o Remo em Porto Alegre e com 20 minutos já estava 3 a 0. Até o treinador do Remo na época pediu pra gente e pro Minelli para não fazermos muito gol. Aí o Minelli chegou e pediu para descansarmos. A gente não queria descansar, queria era jogar e fazer gol", recorda o atacante.

        A finalíssima daquele Campeonato Brasileiro foi contra o Cruzeiro, talvez o principal rival interestadual do Inter naquela época. Também em entrevista ao oGol, Nelinho, lateral direito da Raposa derrotado naquele confronto, disse não lamentar a derrota justamente pela qualidade daquele time Colorado. A recíproca serve para o campeão Valdomiro.

        "Não tinha favorito. Você olhava para o Cruzeiro, só jogador de seleção. Você olhava para o Inter e era a mesma coisa. Aquele jogo não tinha favorito. Tanto fazia jogar no Beira Rio ou Mineirão. Cruzeiro tinha Raul, Nelinho, Piazza, Joãozinho… Tudo jogador de seleção. Eu sempre digo que foi um jogo muito difícil pra nós. O gol saiu naquela jogada que a gente ensaiava sempre com o Figueroa. Treinávamos muito falta e escanteio. O Piazza até hoje cobra de mim que não foi falta. Mas eu falo que se o juiz deu né, é porque foi falta. O Figueroa foi iluminado. E foi aí que começou o Internacional em uma carreira brilhante: em 76 ganhamos novamente, em 78 quase ganhamos de novo, e em 79 fomos campeões", finalizou.

        Números da edição

        Média de gols da edição: 2,27 gol/jogo

        Melhor ataque: Fluminense e Internacional - 51 gols

        Melhor defesa: Internacional* - 12 gols sofridos

        Artilheiro: Flávio Minuano (Internacional) - 16 gols

        Jogador com mais partidas: Manga (Internacional) - 30 jogos

        *Graças a média de gols sofridos por jogo (0,4). O Fortaleza sofreu um gol a menos, 11 no total, no entanto em um número inferior de jogos, ficando assim com uma média superior de gols sofridos por partida, 0,69.

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