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        Brasileirão
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        1971: O pioneiro Atlético Mineiro

        Texto por Carlos Ramos
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        Em 1971, a então Confederação Brasileira de Desportos criou o Campeonato Nacional de Clubes. A competição ficou marcada na história como a primeira edição do Campeonato Brasileiro. 

        Outros torneios nacionais de clubes existiram antes, como a Taça Brasil e o Roberto Gomes Pedrosa. Muito mais tarde, até a CBF abraçou ambos como campeonatos nacionais, em decisão que causou certa controvérsia principalmente por conta da inclusão da Taça Brasil, com modelo de disputa mais próximo da atual Copa do Brasil. 

        Na época, a proposta do Campeonato Brasileiro veio para englobar clubes de todas as regiões do país, uma proposta devido muito a ideia de uma integração nacional defendida pela ditadura militar. 

        Foram 20 clubes participantes da edição: cinco do Rio, cinco de São Paulo, dois gaúchos, três mineiros, um paranaense, um baiano, um cearense e dois pernambucanos.

        As equipes foram divididas em um turno e, em seguida, os 12 melhores foram divididos em três grupos. Os três melhores decidiram o título e o Atlético Mineiro se sagrou o primeiro campeão do Campeonato Brasileiro. 

        Superando os favoritos 

        Telê ainda no início de carreira
        O Campeonato Brasileiro de 1971 teve a presença de craques que brilharam um ano antes na conquista do tricampeonato mundial da seleção brasileira. Rivellino, do Corinthians; Tostão, do Cruzeiro; Paulo César Caju e Jairzinho, do Botafogo; Gerson, do São Paulo; e claro, Pelé, do Santos. Só para citar alguns. 

        Por curiosidade, o Rei, em si, esteve longe de fazer um grande campeonato. Pelé marcou apenas um gol em 21 partidas daquela edição. O Peixe terminou eliminado na fase de grupos, na chave liderada pelo... Atlético Mineiro. 

        O Galo estava longe de estar entre os favoritos da edição. O time vinha apenas de uma terceira colocação no Campeonato Mineiro, vencido pelo América. Em conversa por telefone com a reportagem de oGol, o campeão de 71, Wanderley de Paiva, recordou que o Alvinegro estava longe de ser um favorito. 

        "Existiam várias equipes que entraram como favoritas. Santos, Palmeiras, o Flamengo, o Vasco, Internacional tinha um timaço, o Grêmio... O Atlético foi comendo pelas beiradas. Quando acordaram, a gente já estava dentro", brincou Wanderley, que lembrou da desconfiança em cima do time.

        "Na cabeça da gente, a gente sempre pensa no melhor. Mas era um time que muitos não acreditavam e achavam que não poderia chegar onde chegou. O time ainda teve um percalço na primeira rodada contra o América, mas depois se encontrou. O Telê era o técnico na ocasião e ajeitou a equipe, que fez uma campanha fenomenal", ressaltou. 

        O  Galo, então, foi avançando. Terminou a primeira fase em terceiro, atrás do Corinthians e do Cruzeiro. Na fase de grupos, liderou um grupo que eliminou Internacional, Santos e Vasco. Mesmo sem ter uma grande referência no time, apostando na força da base.

        "Nossa equipe não tinha, assim, um ídolo. Era uma equipe de jogadores jovens procurando o espaço. A maioria dos jogadores era oriunda das categorias de base. Mas foi um time muito regular. Ganhar do Atlético era muito difícil. Tinha um esquema definido e muito consistente", garante Wanderley. 

        Dadá Maravilha, artilheiro de 71
        Na fase seguinte, um triangular com Botafogo e São Paulo. Mesmo com a boa campanha, o Galo ainda assim não era favorito. Mas seguiu comendo pelas beiradas.  

         "Nós falamos: 'Nós podemos. Temos condições de chegar e vamos lutar para isso'. Foram 27 jogos, joguei os 27 sem ser substituído um jogo sequer. Foi um campeonato muito disputado. As finais foi um triangular com Botafogo, São Paulo e Atlético. Primeiro jogo ganhamos do São Paulo, 1 a 0. Segundo o São Paulo goleou o Botafogo. Fomos ao Rio para jogar por um simples empate. Houve um disse me disse que o Botafogo poderia facilitar as coisas, porque teria de golear para ser campeão. Mas fomos ao Rio cientes que seria difícil. E fomos felizes, ganhamos e foi só festa". 

        Ídolo atleticano, Wanderley foi um dos jogadores com mais minutos jogados naquele campeonato, atuando todos os minutos dos 27 jogos da edição. O jogador entrou para a história, com o Galo, do artilheiro Dadá Maravilha, levando para Belo Horizonte o primeiro Campeonato Brasileiro. 

        "Eu me sinto muito feliz por ter jogado sempre. Continuo sendo um cara lutador, não em entrego por nada. A gente pode se deparar com coisas difíceis na frente, mas não me entrego. Acho que sempre a gente pode lutar pelo melhor. Então eu não me entregava, a equipe a mesma coisa, uma equipe de muitos meninos da base. E era um time de irmãos. Todo mundo era amigo. Continuamos até hoje. Infelizmente, já perdemos alguns para o andar de cima, mas os que se encontram vivos ainda a gente é amigo até hoje", finalizou. 

        Números da edição: 

        Média de gols da edição: 1,83 gol/jogo

        Melhor ataque: Atlético Mineiro - 39 gols

        Melhor defesa: Fluminense - 13 gols sofridos

        Artilheiro: Dadá Maravilha (Atlético) - 15 gols 

        Jogador com mais partidas: Wanderley Paiva, Vantuir, Renato, Dadá Maravilha (Atlético Mineiro), Gilberto Sorriso (São Paulo) e Waltencir (Botafogo) - 27 partidas. 

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