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          Histórias do Futebol
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          O abjeto caso de Villaplane, o capitão francês fuzilado por crimes bárbaros a favor de Hitler

          Texto por Carlos Ramos
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          Capitão da França na primeira Copa do Mundo da história, Alex Villaplane poderia ter ficado marcado na história por uma carreira nobre, por uma grande capacidade futebolística. Mas pelo contrário: é um personagem ignóbil, desprezível, pérfido, que morreu fuzilado como um dos maiores traidores da história do país. 

          Nascido em 12 de setembro de 1905 em Argel, capital da Argélia (na época sob domínio francês), Villaplane era um promissor jogador de futebol. Deixou a África, como muitos, em busca de uma vida melhor na França. 

          No início, uma história comum

          Aos 16 anos, foi morar com os tios na França e começou a jogar no FC Sète, comandado pelo técnico escocês Victor Gibson. Sua habilidade logo chamou a atenção do comandante, que o promoveu a equipe principal. 

          ©Domínio Público

          Meia, Villaplane era conhecido por dar passes preciosos e também por ser um exímio cabeceador. Logo se transferiu ao Nimes, com a promessa de receber para jogar. 

          E aí vale uma contextualização: o futebol francês na época era amador. Ou seja, os jogadores não poderiam receber para entrar em campo. Mas alguns clubes, como os ingleses já fizeram anos antes, davam empregos aos atletas em outros negócios para atraí-los a jogar futebol (no caso inglês comumente em fábricas). 

          Villaplane seguiu com bom desempenho no Nimes, passou a virar figura regular na seleção francesa e disputou primeiro as Olimpíadas de 1928. Em 1930, foi escolhido como capitão da França na Copa do Mundo de 1930, e atuou nas três partidas francesas no Uruguai. 

          O status de grande jogador foi logo se esvaindo. O extra-campo foi acabando com o foco de Villaplane, que passou a virar mais uma celebridade fora do que dentro dos gramados. 

          ©Domínio Público

          Villaplane tornou-se presença regular em eventos sociais, cabarés e corridas de cavalo. As polêmicas, então, começaram. Em 1932, foi acusado de ter armado um jogo entre Antibes e SC Fives Lille. Seu destino seguinte foi o Nice, mas lá o jogador foi diversas vezes multado por faltas a treinamentos. Em campo, se mostrou desinteressado e acabou dispensado. 

          Não havia mais espaço para Villaplane no futebol, que usou todo o dinheiro que ganhou no esporte para abastecer seu estilo de vida egocêntrico e ostentador. Em 1935, o jogador foi multado por ter armado corridas de cavalos em Paris e na Costa Azul. 

          Atrocidades nos tempos de guerra 

          As trapaças de Villaplane, infelizmente, não ficaram apenas em armações de jogos. A Segunda Guerra Mundial aguçou o que havia de pior no ex-capitão francês. 

          Paris foi tomada pelos Nazistas em junho de 1940. Os alemães procuraram aliados na capital para, além de tomar toda a riqueza dos locais, perseguir judeus e grupos de resistência. 

          Um dos aliados foi um policial corrupto chamado Henri Lafont. Ele formou um grande grupo criminoso que ficou conhecido como a Gestapo Francesa. 

          qo grupo de Villaplane saqueou, estuprou, roubou, matou e se uniu com os alemães para os piores feitos, efetuando as mais terríveis execuções. E Villaplane fazia tudo sorrindo, calmo, sereno, parecendo revigorado

          Um dos braços dessa gangue foi a "Brigade Nord Africain", um grupo formado por imigrantes que estavam na França. Entre os imigrantes estava... Villaplane. 

          Se havia uma chance de conseguir dinheiro "fácil", o ex-meia não poderia perder. E Villaplane foi promovido a um dos sub-comandantes do nefasto grupo. 

          A unidade de Villaplane foi conhecida como uma das mais cruéis. Além de roubar, o grupo estuprava mulheres e matava sem qualquer tipo de piedade. 

          "Eles saquearam, estupraram, roubaram, mataram e se uniram aos alemães por feitos ainda piores, efetuando as mais terríveis execuções. Deixaram fogo e destruição por onde passaram. Uma testemunha nos contou como viu com os próprios olhos esses mercenários pegando joias dos corpos ainda contorcidos e manchados de sangue das vítimas. Villaplane estava no meio disso tudo, calmo e sorridente. Alegre, quase revigorado", disse o promotor do julgamento de Villaplane depois da libertação de Paris. 

          Villaplane sorria enquanto matava. Gostava do caos, da balbúrdia, da destruição. Do massacre. Foi um protagonista da desumanidade, do despudor. 

          Um intrujão nato, Villaplane mudou sua estratégia quando viu que os alemães estavam perto de perder a guerra. Fingiu estar ao lado dos franceses. 

          "Oh, em que tempos vivemos! É uma época terrível! A que extremo sou reduzido, eu, um francês, obrigado a usar um uniforme alemão! Vocês viram, meu valente povo, que atrocidades terríveis esses selvagens cometeram? Não posso ser responsável por eles, não sou o chefe deles. Eles vão matar vocês! Mas vou tentar salvá-los, arriscando a minha própria vida. Já salvei muitas pessoas. Posso salvar vocês se me derem 400.000 francos", teria dito, segundo relatos de uma testemunha transcritos nas páginas do periódico britânico The Guardian

          Villaplane se aproveitou do desespero de seus compatriotas para juntar ainda mais dinheiro. Mas acabou preso e julgado assim que as tropas francesas retomaram o controle. 

          Foi condenado a pena de morte e, junto com Lafont e os demais criminosos do grupo, foi fuzilado no dia 26 de dezembro de 1944, no Forte de Montrouge. 

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