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Michael Laudrup: o Rei Dinamarquês

Texto por ogol.com.br
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Michael Laudrup foi um dos grandes jogadores da história da Dinamarca. Famoso por sua dupla com seu irmão, Brian, foi o protagonista da Dinamáquina, o grande time da história do país. 

A relação da família Laudrup com o futebol, entretanto, vem de bem antes de Brian e Michael surgirem. Finn Laudrup, pai dos dois, foi jogador da seleção dinamarquesa na década de 1970 e Ebbe Skovdahl, tio, foi técnico de equipes na Dinamarca, Escócia e Portugal. 

Quem conseguiu ir mais longe na família foi mesmo Michael, que nasceu em Frederiksberg em 15 de junho de 1964. Deu seus primeiros chutes no Vanlose, time da cidade, até se mudar para Brondby. 

Michael foi, assim, seguindo os passos do pai. Onde Finn jogava, Michael treinava na base. O próximo passo foi o Kjøbenhavns Boldklub. Foi neste clube que iniciou a carreira como profissional. 

Mais tarde, porém, voltou para Brondby, de novo para seguir o pai, que dessa vez era o treinador do clube. Foi com o pai que Michael passou a ser protagonista, levando o Brondby a outro patamar. Mesmo com 18 anos, já era o grande nome do time em 1982. 

O sucesso chamou a atenção dos maiores clubes da Europa. O Liverpool chegou a estar perto de contratar o craque, mas Laudrup, que havia aceitado um contrato de três anos, se recusou a assinar quando os Reds, de última hora, tentaram aumentar a duração para quatro. 

Laudrup acabou em Turim. Quer dizer, a Juventus até havia anunciado a sua compra, mas, já com as vagas de estrangeiros preenchidas por Platini e Boniek, emprestou a então promessa para a Lazio. 

As campanhas na capital italiana foram difíceis, sempre com a luta contra o rebaixamento. Ainda assim, foi titular da seleção da Dinamarca na Eurocopa de 1984 e jogou todos os minutos até a derrota para a Espanha, nas semifinais, nos pênaltis. 

Turim e a primeira Copa

Quando Boniek se mudou para a capital, para jogar na  Roma, a Juventus estava certa: chegara a hora de dar uma oportunidade para Michael Laudrup. O dinamarquês, enfim, pôde vestir bianconeri

Ao lado de Michel Platini viveu uma temporada de protagonismo no futebol italiano, se destacando como um meia habilidoso e com bom poder de conclusão das jogadas. Seus passes também eram geniais, sabendo usar as duas pernas. 

Laudrup foi protagonista no título italiano da Velha Senhora e, na final do Intercontinental, marcou um dos gols contra o Argentinos Juniors. Nos pênaltis, a Juve se sagrou campeã. 

Se havia conquistado o mundo com a Juventus, Laudrup recebeu a mesma missão, em 1986, de ao menos tentar tal façanha com a Dinamarca na Copa do Mundo disputada no México. 

Ao lado de Preben Elkjær, Laudrup elevou o futebol dinamarquês a um nível diferente e o time ganhou o apelido de Dinamáquina, pela forma como derrubava os rivais. 

Na primeira fase daquela Copa, os dinamarqueses superaram com maestria o chamado grupo da morte, derrubando Escócia, Uruguai e Alemanha. O jogo contra os uruguaios foi o maior da história do país em Copas: uma goleada por 6 a 1, com um gol e uma assistência de Laudrup e três gols de Elkjær. 

O status de favoritismo após as grandes atuações, porém, pesou nas oitavas de final, e lá estava de novo a Espanha no caminho. Em uma partida mágica de Butragueño, a Fúria vingou os uruguaios e venceu por 5 a 1, derrubando a Dinamáquina com requintes de crueldade. 

O protagonismo sem Platini

Depois da Copa, Laudrup jogou sua última temporada com Platini em Turim, a última temporada da carreira do francês. Dessa vez, porém, a Velha Senhora ficou apenas com o vice-campeonato italiano. 

Sem Platini, todas as atenções se voltaram a Laudrup. Só que a primeira temporada sem o craque francês foi um fracasso, com apenas a quinta colocação no Campeonato Italiano. 

Laudrup foi criticado e ficou conhecido como "fominha", por muitas vezes prender demais a bola. O dinamarquês terminou aquela Serie A sem marcar nenhum gol. 

As críticas não deixaram o jogador nada satisfeito. Tanto que em 1989, Laudrup resolveu mudar de ares, e escolheu um lugar onde sua qualidade teria de ser admirada: a Catalunha

A passagem pela Espanha

Convidado por Johan Cruyff, um admirador de seu jogo, Laudrup fez parte do Dream Team do Barcelona, um time dos sonhos que fez todo mundo sonhar. 

qLaudrup foi o melhor companheiro que tive em toda a carreira. Ele tem dois pés ótimos e era brilhante nos passes. Para um atacante como eu, jogar ao seu lado era uma bênção

Naquele momento, a mágica começou a ser feita no Camp Nou. Não só com Laudrup, mas também com nomes como Zubizarreta, Ronald Koeman, Pep Guardiola, Hristo Stoichkov e Romário. 

Os cinco anos de Laudrup na Catalunha foram mágicos. O camisa 10 era o que o torcedor catalão aprendeu a chamar de arte, o jogador símbolo do clube, servindo de exemplo para gerações de craques catalães. 

"Laudrup foi o melhor companheiro que tive em toda a carreira. Ele tem dois pés ótimos e era brilhante nos passes. Para um atacante como eu, jogar ao seu lado era uma bênção", resumiu Romário. 

Em cinco anos, o Barça conquistou quatro vezes o título do Campeonato Espanhol, enfiou uma goleada histórica por 5 a 0 em cima Real no Camp Nou e deu também um passo inédito na história: a conquista da Europa. 

Em 20 de maio de 1992, em Wembley, o Barcelona superou a Sampdoria, na prorrogação, e conquistou, pela primeira vez, a Liga dos Campeões da Europa. 

O clube ainda voltaria a outra final de Champions, mas esta marcou o fim da trajetória de Laudrup no Camp Nou. Sem ser utilizado contra o Milan por Cruyff em Atenas, Laudrup viu do banco o Barça ser goleado e resolveu deixar o clube. 

Deixou, mas não foi para qualquer lugar. Foi logo para o maior rival, o Real Madrid. Na capital, Laudrup quis mostrar que Cruyff estava errado. E o fez! 

Se havia participado dos 5 a 0 do Barça no Camp Nou em 1994, Laudrup esteve na vingança do Real um ano depois, devolvendo o placar com um show de Zamorano. 

Os Merengues terminaram a temporada com o título espanhol, e Laudrup deixou a Espanha sendo campeão tanto pelo Barça quanto pelo Real Madrid. 

Em seguida, o meia teve uma experiência no Vissel Kobe, do Japão, e depois se mudou para a Holanda, para dar a chance do Ajax desfrutar um pouquinho de seu futebol.

Os holandeses, que tentaram levar Laudrup para Amsterdã no início da carreira do craque, ainda saborearam do futebol de Michael em um título nacional por lá. 

A despedida 

Se nos tempos que esteve na Espanha Laudrup não disputou nenhuma Copa do Mundo, em 1998, depois da temporada no Ajax, o craque pôde se despedir do futebol em seu maior palco, um Mundial. 

Na França, fez a Dinamarca, enfim, ser a Dinamáquina em uma Copa. Mesmo veterano, Laudrup desfilou toda a sua categoria pelos gramados franceses. O meia, inclusive, marcou seu único gol naquela Copa diante dos donos da casa, que seriam os campeões. 

Nas oitavas de final, talvez sua grande atuação, com duas assistências na goleada por 4 a 1 em cima da Nigéria, de Jay-Jay Okocha e do atacante Kanu. 

Os dinamarqueses venderam caro a eliminação, que veio pelo Brasil. Nas quartas de final, em um dos grandes jogos daquela Copa, Michael viu seu irmão, Brian, assumir as rédeas com uma grande atuação, mas os brasileiros avançaram com vitória de virada, por 3 a 2. 

Michael, então, se despediu do futebol como começou: em família, tentando dar orgulho ao seu país. Sem dúvida, isso o craque conseguiu, e ganhou até o apelido de "Rei da Dinamarca". 

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Michael Laudrup (DEN)
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