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        São Paulo 2005-2008: A era do 'Soberano'

        Texto por Rodrigo de Brum
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        Entre 2005 e 2008, o São Paulo estabeleceu um domínio poucas vezes visto no futebol brasileiro. O Tricolor do Morumbi faturou uma Copa Libertadores, o Mundial de Clubes, e o tricampeonato brasileiro de forma consecutiva. Apenas o Santos de Pelé, com o penta da Taça Brasil, havia dominado o cenário nacional por tantos anos.

        O time paulista ficou conhecido pelo forte sistema defensivo, pelo papel importante desempenhado por ótimos volantes do período, além, é claro, da estrela e liderança de Rogério Ceni, que atuou em seu mais alto nível tanto debaixo das traves, quanto no papel de goleiro artilheiro.

        No banco de reservas, o técnico Muricy Ramalho não esteve no início do processo, mas foi a personificação do time, aguerrido, competitivo e sólido. Os bordões do técnico marcaram época, em especial o 'Aqui é trabalho, meu filho'. 

        O início da engrenagem

        O São Paulo não disputava a Libertadores desde a campanha vice-campeã de 1994 quando garantiu uma vaga na disputa para 2004. Com o técnico Cuca no comando, o Tricolor chegou até às semifinais e já contava com uma base importante que traria frutos ao clube.

        Com Rogério Ceni no gol e jogadores como Cicinho, Fabão e Danilo o até então bicampeão da América caiu para o surpreendente Once Caldas, mas a derrota serviu como uma dura lição para o que viria a seguir.

        No ano seguinte, já com Emerson Leão como treinador, o clube faturou o Paulistão com sobras e já contava com o sistema de jogo que seria imortalizado por Muricy Ramalho, o 3-5-2, e com a dupla de volantes Josué e Mineiro, além do lateral Júnior.

        Pela Libertadores, depois de iniciar a campanha com duas vitórias e dois empates, o São Paulo se viu sem técnico para a quinta partida da Fase de Grupos. Emerson Leão rumou para o Vissel Kobe, do Japão, e para o seu lugar o Tricolor acertou com Paulo Autuori, que já tinha a experiência de ser campeão do torneio sul-americano com o Cruzeiro, em 1997.

        O São Paulo avançou como líder de seu grupo, passou com dificuldades pelo Palmeiras, nas oitavas, e não deu chances ao Tigres, nas quartas de final e ao River Plate nas semis.

        Na decisão, contra o Athletico Paranaense, o São Paulo arrancou um empate na ida por 1 a 1, no Beira-Rio, e no Morumbi foi simplesmente arrasador. O placar de 4 a 0 foi construído com gols de Amoroso, Fabão, Luizão e Diego Tardelli. O Tricolor dominava a América pela terceira vez em sua história.

        O passo seguinte era o Mundial de Clubes da Fifa de 2005. Em um dos jogos mais difíceis de sua história, o São Paulo segurou o Liverpool de Gerrard, Xabi Alonso, Luis García e Morientes graças a uma das maiores atuações de um goleiro na história do futebol. Rogério Ceni fechou o gol no estádio de Yokohama, no Japão.

        E lá na frente, o gol do título saiu em três atos. O lançamento de Fabão chegou até Aloisio Chulapa. O 'Chula', em suas próprias próprias palavras, meteu um passe de três dedos 'à la Ronaldinho Gaúcho do Paraguai', e Mineiro bateu sem chances para o goleiro Pep Reina. São Paulo tricampeão mundial. E essa historia não acabaria aí.

        O domínio no Brasileirão

        Depois de reconquistar a América, o São Paulo voltou suas atenções também ao Campeonato Brasileiro. Muricy Ramalho assumiu o clube e a equipe, que já era sólida, ficou ainda mais 'cascuda'.

        A perda do título da Libertadores de 2006 para o Internacional não fez o elenco tricolor desanimar no Brasileiro. Para não deixar dúvidas, aquele São Paulo fechou a disputa com o melhor ataque, a melhor defesa, e teve jogadores eleitos como melhores do campeonato em todos os setores. Depois de 15 anos, o clube espantava o jejum também de títulos a nível nacional.

        Para repor saídas importantes como as de Lugano e Cicinho, o clube acertou com o ainda pouco conhecido Miranda, que estava no Sochaux, da França, e o lateral Ilsinho. Esta seria a marca daquela era. Sempre que o São Paulo perdia jogadores importantes, conseguia trazer substitutos à altura para manter a engrenagem funcionando.

        O São Paulo mais dominante viria a seguir, no ano de 2007. Naquele ano, o clube teve baixas importantes no elenco, entre elas Fabão, Mineiro e Josué, este último em meio à disputa do Brasileirão.

        Mas jogadores formados no clube, ou que já faziam parte do elenco, ganharam importância. Na defesa, Breno, com apenas 17 anos, parecia um veterano em campo e acabou vendido depois ao Bayern de Munique.

        No meio-campo, o São Paulo acabaria por encontrar uma nova dupla. Hernanes, cria da base, e Richarlyson, parte do elenco desde o Mundial de 2005, eram o pulmão de um time inquestionável. No ataque, Leandro foi peça fundamental de Muricy nesses dois anos, e ainda ganhou as importantes companhias de Borges e Dagoberto.

        Até a 28ª rodada, o time do Morumbi havia sofrido apenas nove gols. O título viria ao término da rodada 34, com uma vitória por 3 a 0 diante do América de Natal. Nas dez rodadas finais, o São Paulo relaxou e sofreu mais gols do que nas citadas 28 rodadas, fechando a participação sendo vazado 19 vezes. A segunda melhor defesa, a do Fluminense, sofreu 39 tentos.

        São Paulo faz história em 2008

        Depois do bicampeonato, o pentacampeão Brasileirão teria em 2008 a sua missão mais complicada para ficar com o título nacional. Ao término do primeiro turno, o São Paulo era o quarto colocado na tabela, a oito pontos do líder Grêmio.

        Somente na 33ª rodada o time paulista assumiria a liderança do campeonato. E ela veio em grande estilo, com uma vitória diante do Internacional por 3 a 0, no Morumbi, e o empate do Grêmio, em casa, contra o Figueirense.

        O título poderia ter acontecido diante da torcida são-paulina, na penúltima rodada, contra o Fluminense. Mas o tropeço por 1 a 1 deixou a disputa aberta até o último jogo. 

        Foi sofrido, mas o gol do título saiu da forma que o torcedor do São Paulo se acostumou naqueles anos de domínio. Falta batida na área por Rogério Ceni e tento anotado pelo atacante Borges, na sobra. Pela primeira vez na história do Brasileirão, um clube era tricampeão de forma consecutiva.

        Na disputa ferrenha do Brasileirão de 2008, o Tricolor do Morumbi terminou com a segunda melhor defesa e o segundo melhor ataque. Pouco importava para o clube que chegava ao hexacampeonato.

        Os presentes em mais conquistas na era

        Como de costume no futebol brasileiro, é muito complicado um elenco se manter intacto durante muito tempo. No caso do São Paulo de 2005 a 2008, podemos destacar quatro jogadores. Apenas dois deles estiveram presentes nas conquistas da Libertadores, do Mundial, e do tricampeonato brasileiro: O goleiro Rogério Ceni e o lateral esquerdo Júnior.

        Já o volante Richarlyson chegou ao clube ainda em 2005, vindo do Santo André, e esteve presente no elenco a partir do do Mundial de Clubes da Fifa. Mesmo caso do centroavante Aloisio Chulapa, que chegou ao clube para substituir Luizão.

        Do tricampeão brasileiro, somente outros cinco jogadores estiveram no clube durante todo este período. O goleiro Bosco, o lateral direito Reasco, os zagueiros Miranda, Alex Dias, André Dias.

        O São Paulo de 2005 a 2008 marcou história no futebol brasileiro e internacional. Um time que não ficou conhecido por dar show, mas que ganhou tudo no período. Já diria Muricy Ramalho: 'Quem quiser ver espetáculo que vá ao Teatro Municipal'.

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