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        Verón, o bruxo argentino

        Texto por Paulo Mangerotti
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        Falar de Juan Sebástian Verón e de Estudiantes é quase a mesma coisa. O argentino, revelado pelo clube da região metropolitana de Buenos Aires, carregou desde o berço a responsabilidade de um legado em La Plata. Não decepcionou.

        É que antes de contar a história de La Brujita, como é carinhosamente conhecido na Argentina, é preciso lembrar do bruxo-pai, Juan Ramón Verón. Ex-jogador do Estudiantes, Ramón Verón foi um atacante habilidoso, que marcou época nos anos mais gloriosos do clube, em final dos anos 1960. Foi tricampeão da Copa Libertadores e campeão do Mundial de Clubes. Naquela altura, os Pincharratas eram os maiores vencedores da competição continental.

        Verón-pai teve dois filhos, Juan Sebástian, e o mais novo, Iani Martín. Coube ao primogênito devolver o clube ao posto mais alto da América do Sul.

        As primeiras magias e uma divindade

        O início de Juan Sebástian Verón no futebol, como não poderia ser diferente, foi no Estudiantes de La Plata. Mesmo muito jovem, aos 19 anos, La Brujita estreou em um dos momentos mais difíceis da história do clube, na luta contra o rebaixamento na temporada 1993/1994. Ainda em transição da categoria de base para o elenco profissional, ele não conseguiu ajudar a evitar o descenso.

        No ano seguinte, a luta pelo acesso para a primeira divisão seria liderada pelo prodígio, que não estava sozinho. Também, naquela mesma época, surgia no Estudiantes outra lenda do futebol argentino, o atacante Martín Palermo - maior artilheiro da história do Boca Juniors.

        O Estudiantes não só subiu, como foi campeão da Primera Nacional B, com pontuação recorde. Parecia para Verón o sentimento de missão cumprida não só como jogador, mas como torcedor e membro da família - afinal foi isso que o clube sempre representou para ele. Já reconhecido desde aquele tempo pela ótima visão de jogo e precisão nos passes, trocou o clube de coração pelo Boca.

        Foram apenas seis meses, é verdade, mas La Bombonera foi um salto necessário para sua carreira. No Boca, atuou ao lado de ninguém menos que Diego Armando Maradona, no último ano que ele jogou com regularidade na carreira, e também com outras lendas, como Claudio Caniggia e um jovem Kily González. Não se intimidou, foi titular, encantou e rumou para a Europa.

        Multicampeão e decepção

        Fora da Argentina, Verón atuou em clubes da Itália e da Inglaterra. Na Velha Bota foi onde se sentiu mais à vontade. Seu primeiro clube no país foi a Sampdoria, onde ficou por duas temporadas, em anos de boas campanhas da equipe na Serie A.

        Convocado para a Copa do Mundo de 1998, já trocaria de equipe logo após o Mundial da França. No Parma, iniciou uma história de colecionar troféus por onde passava. Em um elenco estrelado, que tinha um dos maiores investimentos da época no cenário europeu, Verón era a cabeça pensante do time campeão da Copa da Itália e da inédita Liga Europa.

        Não demorou e foi logo captado por outro grande esquadrão da época, uma Lazio que encerraria um jejum de 26 anos sem conquistar o Campeonato Italiano. Lá, passaria a jogar mais avançado, mais do que criando jogadas, fazendo também gols - seria o vice-artilheiro daquela conquista.

        Aos 27 anos, considerado no início dos anos 2000 como um dos principais meias do futebol mundial, se transferiu para o Manchester United. Mesmo que tenha sido titular nos tempo que passou por lá - e onde levantou uma Premier League -, decepcionou. Nunca chegou a justificar os 42 milhões de euros, investimento de altíssimo padrão naquela época. 

        "Ele era um jogador fantástico. A razão que as coisas não deram certo para ele, na minha opinião, é que tínhamos o melhor meio de campo da história do futebol inglês", disse Gary Neville, ao ser questionado sobre a razão da passagem apagada de Verón no clube. Naquele Red Devils, o destaque principal ficava para David Beckham, Ryan Giggs, Paul Scholes e Roy Keane.

        Na Inglaterra, ainda defenderia, novamente sem destaque, o Chelsea. Era hora de retornar para sua (segunda) casa, a Itália.

        Pela Internazionale, Verón reencontrou o bom futebol, ainda que não tenha sido o cara do time, como foi na primeira passagem pelo país. No esquadrão argentino da Inter, que contava também com Zanetti, Burdisso, Cambiasso, Kily González e Julio Cruz, foi peça importante na conquista do triplete da temporada 2005/2006.

        Rei da América

        Com troféus a perder de vista no currículo, uma história de respeito pela seleção argentina - pela qual já havia disputado duas Copas do Mundo (a terceira viria anos depois) - Verón não hesitou em voltar para casa. O Estudiantes precisava dele.

        Não foi, simplesmente, um fim de carreira. Verón retornou para La Plata aos 32 anos e ficou por lá mais oito temporadas. Na primeira delas, foi o craque que guiou o time na conquista do Campeonato Argentino. Na seguinte, assombrou o continente. La Brujita deixou em prantos um Mineirão lotado, em atuação memorável na conquista do clube da Copa Libertadores contra o Cruzeiro, título última vez levantado 39 anos antes, num time ainda que contava com os gols de seu pai.

        Verón foi o Rei da América por duas vezes consecutivas, em 2008 e em 2009. Decidiu pela aposentadoria em 2014 e, três anos depois, voltaria aos gramados como presidente-jogador. Verón foi e Verón sempre será Estudiantes de La Plata.

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        Juan Sebastián Verón (ARG)
        Juan Sebastián Verón (ARG)
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