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        Carles Puyol: O Tarzan da Catalunha

        Texto por Ryann Gomes
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        Raça, técnica e, acima de tudo, lealdade às suas convicções. Qualidades que ajudam a resumir o que foi Carles Puyol. Um dos maiores defensores da história do futebol, que dedicou a sua vida a um certo clube azul e grená da Catalunha.

        Nascido na província de Lérida, no dia 13 de abril de 1978, Carles Puyol i Saforcada sempre foi um grande fã do futebol e investiu, mesmo contra a vontade dos pais, na carreira de jogador desde muito jovem.

        Peregrinação de posições até chegar na defesa

        Se engana quem pensa que "Carlito", como era conhecido em sua cidade, foi um grande zagueiro desde os primeiros toques na bola. Pelo contrário, Puyol experimentou algumas posições no campo até chegar na defesa. A primeira aventura foi como goleiro, mas a pouca estatura e uma lesão o tiraram do foco de seguir embaixo das traves.

        Depois da frustração no gol, Carles partiu para o ataque, literalmente. Quando chegou ao Barcelona, em meados de 1995, o eterno Tarzan ganhou notoriedade, pasmem, pela quantidade de gols marcados. Nos primeiros treinos pelo seu clube de coração, Puyol se destacou na frente e chegou a ser apelidado de Romário, já que o Baixinho já havia passado pelos Culés e era referência ofensiva no país.

        Já na fase final da sua formação no Barça, Puyol recuou para volante, e foi quando chegou à equipe B do clube catalão, enfim, completou a sua transição para a defesa, onde viria a se tornar uma ícone.

        Competente com os dois pés, Carles Puyol era uma opção para qualquer posição na defesa. Fosse de lateral esquerdo, direito, ou zagueiro central, o espanhol se firmou como um dos melhores jogadores do time B do Barcelona. O destaque de Carles chamou a atenção Louis Van Gaal, então treinador da equipe principal, que fez um convite para o jovem de 21 anos.

        No dia 2 de outubro de 1999 foi chamado para entrar no lugar de Simão Sabrosa, num jogo em que venceram o Real Valladolid, por 2 a 0. Depois da estreia, Puyol levou um ano para se firmar como titular na defesa. Foi o suficiente para se destacar e começar a ser convocado para a seleção espanhola.

        Não era o mais alto entre os defensores, pelo contrário, nem sequer dos mais fortes, mas Puyol era rápido e eficaz nas antecipações, além da sabedoria na hora de usar o seu corpo. Valente e perspicaz, era também uma pedra no sapato dos atacantes, quando surgia e roubava a bola sem fazer falta nos momentos mais agudos. 

        O nascimento de um líder

        Quando começou a temporada de 2004/05, Puyol já acumulava quase 200 jogos pelo Barcelona e tinha se tornado um dos jogadores mais influentes do plantel. Apesar de sua fase contrastar com a de seu clube, o zagueiro rejeitou uma grande proposta do Manchester United porque tinha fé num clube que estava prestes a mudar.

        Com a chegada de Joan Laporta na presidência e Frank Rijkaard para treinador, a braçadeira de capitão agarrou-se ao braço esquerdo de Puyol. Bons tempos estariam para vir.

        Logo nesta temporada, o Barcelona foi campeão espanhol pela primeira vez no novo milênio. No ano seguinte, defenderam o título de campeão e acrescentaram a conquista da Liga dos Campeões. Com um elenco recheado de prata da casa, que tinha nomes como Messi, Xavi, Iniesta e Victor Valdés, somado a magia de um certo Ronaldinho Gaúcho, o Barça passou a esbanjar talento e a acumular troféus.

        Além da glória pelo Barcelona, Puyol também esteve presente nas conquistas da La Roja durante aquela que foi a sua geração de ouro. Pela seleção, o 'Tarzan' não usava a braçadeira de capitão, que pertencia a Iker Casillas, mas não foi por isso que deixou de ser um líder dentro de campo, sendo a voz de uma das equipes mais talentosas da história do futebol.

        Em 2008, fez dupla com Carlos Marchena na conquista da Eurocopa disputado na Áustria e Suíça, e dois anos mais tarde foi o grande capitão na seleção espanhola que venceu a Copa do Mundo de 2010, em que foi decisivo com o único gol da seminal contra a Alemanha: uma cabeçada potente que bateu Neuer na baliza. 

        Com a conquista do Mundial, Puyol fez história ao conquistar tudo, completamente tudo, na sua carreira. Ainda em 2008, o zagueiro voltou da conquista europeia para encontrar grandes alterações no Barcelona. Rijkaard saiu e Pep Guardiola chegou, trazendo consigo uma nova filosofia. Muitos jogadores tiveram suas saídas decretadas do clube catalão. Puyol, não.

        Logo na primeira temporada, os Culés atingiram o mundo do futebol como um furacão: a tríplice coroa, Campeonato Espanhol, Copa del Rey e a Champions League. Nos anos seguintes, a La Liga não escapou, e, em 2011, surgiu a terceira e última Liga dos Campeões da vitoriosa carreira de Puyol.

        Com as ideias de Pep, o futebol de Xavi e Iniesta e a magia de Messi, o Barcelona tornou-se uma força imparável, mas a importância da solidez de uma defesa liderada por Puyol nunca foi esquecida.

        O legado do eterno capitão

        Aquilo que diferenciou Puyol dos seus companheiros e fez dele um dos grandes líderes que o esporte já viu foi a seriedade com que encarava os jogos. Tinha mais respeito que ninguém pelo futebol, e adorava estar em campo, razão pela qual nunca relaxou.

        O espanhol simplesmente dava extremo valor a todas as oportunidades que tinha de representar a sua equipe. Talvez por isso se recusasse a envolver em tudo o que acontecia em campo que não fosse propriamente o futebol.

        Num jogo contra o Mallorca, em 2005, levou uma entrada dura de Sergio Ballesteros. Puyol não reagiu, de todo, apenas virou costas. Ronaldinho não gostou do que viu e foi lançado para confrontar Ballesteros, que foi imediatamente protegido pelo próprio Puyol.

        Existem muitos momentos que definem El Capitan como um excelente jogador, líder e pessoa, mas um deles é certamente o gesto que levou Eric Abidal a se emocionar quando, após a conquista da Liga dos Campeões em 2009, Puyol entregou a Taça ao francês durante a apresentação aos torcedores. Abidal tinha acabado de se recuperar de uma cirurgia para remover um tumor do fígado.

        Em 2014, com 35 anos, Carles Puyol anunciou que no final da temporada iria pendurar as chuteiras. Foi um momento emocionante para o jogador, que várias vezes tinha mostrado vontade de jogar até aos 40 anos, mas o corpo não acompanhou a mente e as lesões foram se acumulando.

        Para a história ficaram os 593 jogos pelo Barcelona, 99 pela Seleção, e os 23 troféus que levantou. Sem dúvida, um dos grandes nomes da história do futebol mundial.

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        Carles Puyol (ESP)
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