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        Edwin van der Sar: o Holandês Voador

        Texto por Paulo Mangerotti
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        Entre a década de 1990 e os anos 2000, é difícil citar goleiros que estiveram acima do nível de Edwin van der Sar. Talvez você possa apostar em outros nomes do mesmo calibre, mas o Holandês Voador marcou uma era, desde muito jovem no Ajax, até quando já era um veterano no Manchester United.

        Quem acompanhou a carreira Van der Sar sabe que a qualidade do goleiro ia muito além do apresentado com as mãos, de baixo das traves. Tamanha era sua habilidade com os pés, que o sucesso como arqueiro veio ao acaso - quando iniciava a trajetória no futebol, na categoria de base do Foreholt. Alto e esguio, o jovem Edwin foi chamado para completar uma partida no gol: o fez com tanta maestria, que de lá nunca mais saiu.

        A profissionalização aconteceu ao final da década de 1980, no Noordwijk. De lá o goleiro daria o primeiro grande salto da carreira

        Pupilo de Van Gaal nos anos de ouro do Ajax

        Van der Sar chegou ao Ajax sob a recomendação de ninguém menos que Louis Van Gaal. Tudo bem, é verdade que naquela época isso não queria dizer muita coisa. O hoje lendário comandante sequer era um treinador conhecido, afinal ele também estava em início de carreira, como auxiliar técnico.

        O goleiro estreou pelo clube saindo do banco de reservas, em abril de 1991, depois de uma lesão do titular Stanley Mezo. A temporada seguinte, em que o Ajax foi campeão da Liga Europa, foi inteira no banco.

        Em 1992/1993, no entanto, as coisas começariam a mudar. Van Gaal já havia deixado o trabalho como auxiliar para assumir de vez o Ajax e, então, resolveu dar a chance para seu pupilo brilhar. Van der Sar não estava sozinho. Naquele ano davam também os primeiros passos no clube jogadores como Litmanen, Overmars, Seedorf e Davids, além de outros que estariam por surgir ou já estavam por lá, como Bergkamp, Rijkaard, Kluivert e os irmãos De Boer.

        Mesmo entre tantos craques, Van der Sar fazia valer mais do que a máxima de que um bom time começa por um grande goleiro. Era como se ele fosse a personificação de Van Gaal dentro das quatro linhas, com um importante papel de liderança e, principalmente, de organização da defesa.

        Foram nove anos no Ajax, tempo suficiente para vários daqueles nomes que despontavam (ou encerravam a carreira) terem tomado outros destinos. Ele foi um dos últimos moicanos. Nesse período, o goleiro ajudou o clube a ser tetracampeão holandês e teve como auge a conquista da Liga dos Campeões de 1995, título que o clube não via desde a década de 1970, com Johan Cruyff.

        Aos 28 anos, então, rumou para o desafio mais difícil de sua carreira.

        Sem grande brilho na Itália e um início 'menor' na Inglaterra

        Van der Sar já era reconhecidamente um dos melhores goleiros do mundo quando trocou o Ajax pela Juventus. Além do sucesso pelo clube, ele já acumulava a experiência de uma Copa do Mundo e uma Eurocopa pela Laranja Mecânica. O holandês, porém, chegou na Itália com a ingrata missão de substituir um dos ídolos da Velha Senhora naquela altura, o goleiro Peruzzi, tricampeão italiano e da Liga dos Campeões pelo clube.

        Mesmo que tenha sido titular absoluto durante os dois anos que esteve na Itália, Van der Sar jamais chegou a gozar do mesmo prestígio que tinha em sua terra natal. Ficou marcado, ao final, pelas falhas que acumulou e que culminaram na perda dos títulos italianos em disputas apertadas com a Lazio e a Roma.

        Em baixa depois de tanto tempo no auge, o goleiro parecia aceitar um desafio que estava aquém de suas capacidades. Se transferiu para o modesto Fulham, da Inglaterra. Foram quatro temporadas de grandes defesas, mas sem o destaque que merecia. Ainda que o time não ajudasse, teve o árduo trabalho reconhecido para reencontrar a glória, já veterano.

        Um veterano de respeito

        Van der Sar desembarcou, em 2005, aos 34 anos, num estrelado Manchester United. Os Red Devils viam surgir o talento de um jovem Cristiano Ronaldo e ainda contavam com Rooney, o conterrâneo van Nistelrooy, Scholes, Giggs, Ferdinand... Com companheiros à altura e novamente pronto para o sucesso, o goleiro atendeu às expectativas desde o primeiro dia.

        "Talvez eu tenha chegado aqui um pouco tarde. Gostaria de ter chegado antes, adorei todos os momentos que vivi aqui", disse o goleiro, em sua despedida do clube, aos 40 anos.

        As seis temporadas no United foram de sucesso absoluto sob comando de Sir Alex Ferguson. Edwin até parecia o garoto de outrora no Ajax: foi novamente tetracampeão nacional (desta vez da Premier League), ganhou mais uma vez a Liga dos Campeões, além de muitas copas. Quando saiu do clube, pareceu deixar o vazio de alguém que esteve por lá a vida toda.

        O Holandês Voador levantou 28 troféus ao longo da carreira, é o segundo jogador com maior número de jogos pela seleção holandesa, foi considerado o melhor goleiro da Europa em 2008, e foi muito mais que um goleiro. Foi um líbero, um jogador que sabia extrair ao máximo de seus treinadores e levar para o campo a responsabilidade de um campeão. Van der Sar foi, sem dúvidas, um dos grandes goleiros da história do futebol.

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