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        Flávio Costa, o técnico explosivo perseguido pelo Maracanazo

        Texto por Carlos Ramos
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        Flávio Costa foi o técnico que domou feras, o técnico que conseguiu implementar uma revolução tática no Brasil, um técnico com um currículo invejável. Tudo isso diz quase tudo sobre a carreira do treinador, embora muita gente lembre dele por apenas um jogo... 

        Mineiro de Carangola, se mudou ao Rio de Janeiro para tentar a sorte no futebol. Foi lateral direito e meia no Flamengo nas décadas de 1920 e 1930, mas não foi como jogador que deixou seu legado no esporte. Foi, na verdade, fora das quatro linhas. 

        Depois que se aposentou, Flávio Costa começou a trabalhar na comissão técnica do Flamengo. Sua trajetória inicial como técnico não deu muito certo, e só depois da influência estrangeira que sofreu de Izidor Kürschner conseguiu ser campeão. 

        O húngaro Izidor Kürschner chegou no Rubro-Negro no fim da década de 1930. Kürschner foi o responsável por trazer ao Brasil o esquema WM, que já vinha sendo usado há algum tempo na Europa. No Brasil, o 2-3-5 ainda era a opção tática mais usada. Na Gávea, porém, Kürschner queria a mudança para o WM, apesar de ter de colocar Fausto, a Maravilha Negra, mais recuado em campo. 

        Fausto não gostou e, se aproveitando do fato de o húngaro não falar português, Flávio Costa minou o trabalho do estrangeiro. Defendeu Fausto e fez de tudo para Kürschner ir embora, o que de fato aconteceu após uma derrota para o Vasco da Gama, na Gávea, na partida que fora a primeira disputada no estádio. 

        Flávio Costa, então, assumiu, mas esteve longe de jogar fora o trabalho de Kürschner. Por outro lado, resolveu usar o WM, mas de forma a adaptar o esquema ao futebol brasileiro, com a chamada diagonal. Criou a posição de volante com o meia argentino de mesmo nome (Volante, mais tarde, seria o primeiro técnico estrangeiro campeão brasileiro). 

        As mudanças de Flávio Costa surtiram efeito e o time engrenou. Campeão carioca em 1939 e tricampeão entre 42 e 44, Flávio Costa, um ex-Sargento do Exército, tinha a fama de disciplinador e queria ter o controle de tudo. Foi assim também em sua passagem vitoriosa no Vasco. 

        O Cruz-Maltino tinha uma verdadeira seleção e chamou Flávio para domar seus leões. O treinador, segundo relatos, chegava a sair no tapa com jogadores no vestiário. Mas os resultados seguiram o acompanhando e, na Colina, Flávio Costa levou o clube ao título do Sul-Americano de Clubes Campeões em 1948, um torneio precursor da Libertadores. 

        Campeão também do Carioca pelo Vasco, em time que ficou conhecido como "Expresso da Vitória", Flávio Costa foi escolhido ainda na década de 1940 para comandar a seleção brasileira muito pela fama de disciplinador. Levou com ele o WM adaptado, com a sua diagonal, e o seu temperamento explosivo. 

        O técnico do Maracanazo

        Na Copa América de 1949, ainda conhecida como Sul-Americano, chegou a barrar em parte do torneio o artilheiro vascaíno Ademir Menezes. Com a derrota no jogo decisivo para o Paraguai, com Octávio na vaga de Ademir, Flávio Costa teve de se render para o jogo desempate e Ademir marcou três vezes, o Brasil goleou os paraguaios por 7 a 0 e ficou com o troféu. 

        Para a Copa de 1950, Flávio manteve o esquema, embora com algumas pequenas modificações (Ademir de titular como centroavante, por exemplo, e Zizinho mais recuado). As mudanças surtiram efeito: Zizinho foi o craque, Ademir o artilheiro. 

        Uma das especificidades daquela Copa foi uma mudança de escalação dependendo do palco do jogo. Se fosse em São Paulo, o time teria de ter mais jogadores paulistas para agradar o público local. No Rio, igualmente: mais cariocas. Flávio também teve certa dúvida com a sua diagonal e chegou a adotar o WM tradicional ao longo do torneio. 

        A campanha brasileira foi boa, e só era preciso um empate no último jogo, no Maracanã, contra o Uruguai, para o título se confirmar. O Maraca recebeu, segundo relatos, mais de 200 mil pessoas. O clima era de total confiança. Até mais: soberba. 

        No vestiário, Flávio Costa tentou afastar os jogadores disso. Mas não conseguiu prepará-los para o "ferrolho" uruguaio, estilo o suíço. E nem para as bolas nas costas de Bigode, intimidado por um soco de Varela. O Maracanã virou Maracanazo e se calou depois que Ghiggia garantiu a vitória, e o título, do Uruguai. 

        Flávio Costa foi perseguido durante toda a vida. O episódio chegou a ser denominado de "a Hiroshima brasileira", segundo o cronista Nelson Rodrigues. Apesar do resultado, Flávio manteve seu status de grande treinador no Rio de Janeiro e seguiu com passagens por Vasco e Flamengo. 

        Na Colina, chegou a ficar marcado por um episódio em que tirou um revólver da mão de Heleno de Freitas, polêmico atacante brasileiro. O treinador voltou a ser campeão carioca com o Gigante da Colina em 1952, e uma década depois, em 1963, levantou o troféu com o Flamengo. 

        Flávio Costa teve ainda uma passagem no futebol paulista, onde comandou Portuguesa e São Paulo, e em Portugal, pelo Porto, e no Chile, com o Colo Colo. Se aposentou no fim da década de 1970, no Bangu, e faleceu em novembro de 1999 no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, vítima de um aneurisma abdominal. 

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        Fotografias(2)

        Flávio Costa (BRA)
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