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        Nelinho: unânime mesmo entre rivais

        Texto por Paulo Mangerotti
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        Se há alguma coisa em que atleticanos e cruzeirenses podem concordar é que a lateral direita em Minas Gerais tem um dono. Manoel Rezende de Matos Cabral, o Nelinho, é natural do Rio de Janeiro, mas há quem ache mesmo que seja mineiro. O defensor chegou ao futebol do estado na década de 1970, quando acabou por marcar época com a camisa celeste. Na década de 1980, foi a vez do lado alvinegro.

        Conhecido por seu chute potente e também por ser um exímio cobrador de faltas, Nelinho passou 16 anos de sua carreira entre Cruzeiro e Atlético. Antes de chegar a Belo Horizonte, mesmo jovem, o lateral já havia acumulado certa experiência - até mesmo internacional.

        Revelado pelo América do Rio, Nelinho foi para o exterior logo aos 20 anos, mas passou sem grande destaque por Portugal e Venezuela. De volta ao Brasil, o jogador teve 1972 como um ano decisivo na carreira - depois de um bom Campeonato Brasileiro pelo Remo, ele teria a oportunidade de sua vida: assinar pelo Cruzeiro.

        Em Minas, Nelinho se encontrou e não demorou a encantar. Logo na primeira temporada pela Raposa, assumiu a titularidade, que não largaria durante os nove anos que viriam pela frente.

        Foram mais de 400 jogos pelo Cruzeiro, quatro títulos estaduais e uma Copa Libertadores, a de 1976. Na final, contra o River Plate, Nelinho foi autor de um dos gols da vitória celeste por 3 a 2.

        Pelo clube, Nelinho foi por anos peça fundamental de um esquadrão que contava também com Raúl, Piazza, Dirceu Lopes e Joãozinho, entre muitos outros. Muito mais que 'apenas' um lateral direito, ele ultrapassou marcas importantes pela Raposa, como o fato de ser o jogador com maior número de gols de falta na história do Cruzeiro, à frente de ninguém menos que Tostão.

        Tanta história no rival não foi impeditivo para o Atlético Mineiro buscá-lo como principal reforço para o clube em 1982. Sim, Nelinho saiu direto do Cruzeiro para o Atlético. Já experiente e um pouco desacreditado, com 31 anos, o lateral foi vendido para o alvinegro por 20 milhões de Cruzeiros Novos, e chegou em um time novamente recheado de craques, como Luizinho, Toninho Cerezo, Reinaldo e Éder Aleixo. Pelo Galo, conquistou três títulos mineiros, ajudando o clube a alcançar o histórico hexacampeonato estadual.

        Nenhum lateral direito na história do Campeonato Brasileiro recebeu mais vezes a Bola de Prata. Nelinho tem quatro reconhecimentos como o melhor da posição, três vezes pelo Cruzeiro e uma pelo Atlético. Ele também é, ainda hoje, o defensor com mais gols na história da competição.

        Seleção brasileira e o gol de 78

        A rica história de Nelinho no futebol não se resume a Minas Gerais. Afinal, ele começou a carreira no Rio, jogou pelo Grêmio e teve passagens também por outros clubes. Mas, se for para sair de Minas e falar do lateral, melhor falar sobre a outra camisa com a qual brilhou.

        Nelinho disputou duas Copas do Mundo pela seleção brasileira, a de 1974, em que foi reserva, e a de 1978, em que foi titular. Na Copa da Argentina, ele protagonizou um dos gols mais bonitos da história das Copas, contra a Itália. O chute de trivela de fora da área é inconfundível, é como vê-lo e pensar que assim se resume o que foi Nelinho.

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