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Reinaldo: o eterno rei do Atlético

Texto por Paulo Mangerotti
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Quando em Minas Gerais, ao procurar pela majestade, não se espante. A terra do mineiro Pelé atende outro rei. José Reinaldo de Lima, Reinaldo, ou simplesmente Rei, o maior ídolo (e artilheiro) da história do Atlético Mineiro.

Mineiro de Ponte Nova, Reinaldo é daqueles talentos natos. Com apenas 14 anos, ele foi 'pescado' pelo conterrâneo Barbatana para realizar testes no Atlético. O caminho natural seria levá-lo para treinar com outros meninos de sua idade, mas Reinaldo teve logo que apresentar o cartão de visitas entre os profissionais. Não era qualquer Atlético, mas no time campeão brasileiro de 1971. E bastaram alguns minutos, como relata em sua biografia, "Punho Cerrado".

"Iniciei na reserva e no final do treino, faltando 20 minutos, eu entrei já dando toques de primeira, canetas, dribles e fazendo gols", conta.

A ousadia de Reinaldo foi mal interpretada pelos defensores daquele time, e o atacante teve que ser 'salvo' por Dadá Maravilha, que viria a ser seu companheiro de ataque anos depois.

As glórias e os desaires

Dois anos depois de chegar para as categorias de base do Atlético, onde compartilhou espaço com outros grandes jogadores que viriam a surgir, como Toninho Cerezo e Marcelo Oliveira, Reinaldo estreou profissionalmente pelo clube, com 16 anos. O auge veio ainda muito jovem e, em 1975, com 18 anos, defendeu a seleção brasileira na Copa América. A pouca idade e a truculência dos zagueiros já era notada naquela época, em que acabou por ter que operar o joelho pela primeira vez.

"Reinaldo, por exemplo, paga o preço da pouca experiência e alguns beques só são capazes de marcá-lo na violência e ele se expõe em demasia", relata trecho da revista Placar.

Em 1977, aos 21 anos, Reinaldo teve seu melhor ano e uma da maiores decepções como jogador - o Atlético perdeu o Brasileiro em uma disputa de pênaltis contra o São Paulo, em pleno Mineirão -, ele terminou o campeonato como Bola de Prata e artilheiro. Fez 28 gols em 18 partidas, recorde que só acabou por ser ultrapassado 27 anos depois por Washington. Três anos mais tarde, Reinaldo bateria na trave novamente, desta vez com o vice-campeonato diante do Flamengo.

A nível nacional, a única conquista do Rei foi o Torneio dos Campeões, em 1978. A nível regional, porém, o craque fez parte do elenco hexacampeão mineiro, entre 1978 e 1983. O Rei do Atlético, com 255 gols, também é o Rei do Mineirão: o atacante é o maior artilheiro do estádio, palco de mais da metade de seus tentos, 152.

Carreira abreviada e polêmicas

Cinco operações no joelho impediram a longevidade da carreira de Reinaldo, que se aposentou aos 31 anos. Além do Atlético, ele defendeu ainda Palmeiras, Rio Negro do Amazonas, o rival Cruzeiro (onde fez apenas dois jogos), BK Hacken (Suécia) e Telstar (Holanda). No currículo, o atacante tem 28 jogos pela seleção brasileira, 11 gols e disputou a Copa do Mundo de 1978 - a ausência na Copa de 1982 é até hoje lembrada por alguns como uma das mais sentidas, na seleção mágica de Telê Santana.

Fora de campo, a vida de Reinaldo não foi mais tranquila que nos gramados. Engajado politicamente, o craque ficou conhecido pela comemoração característica com o punho cerrado, lembrando os atletas olímpicos dos Estados Unidos em 1968. 

“Era uma época de ditadura, o país começava a clamar pela liberdade. Éramos um povo muito oprimido, muito pobre. E queríamos uma nova era, um mundo com mais liberdade, mais oportunidade, mais igualdade", disse Reinaldo em entrevista para a UOL, lembrando que tal gesto chegou a incomodar o general Geisel, que pediu que ele se concentrasse apenas no futebol.

Os relatos para resumir tudo o que representou Reinaldo poderiam vagar de Pelé ao grande rival Zico. Porém, de Tostão, ídolo do Cruzeiro, vem a definição de "um dos maiores centroavantes do Brasil e do mundo de todos os tempos". Não à toa, no Mineirão, o canto da torcida atleticana para receber Reinaldo era o icônico - "Rei, Rei, Rei, o Reinaldo é o nosso Rei".

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