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O Velho Lobo Zagallo

Texto por Carlos Ramos
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Mário Jorge Lobo Zagallo escreveu uma das histórias mais impactantes do futebol mundial. Campeão do mundo como jogador e treinador, o alagoano, de alma carioca, se transformou em uma das maiores lendas do nosso futebol. 

Inclusive é difícil definir Zagallo em uma só função: foi um craque dentro e fora de campo. De frases marcantes, como o "vocês vão ter que me engolir", a lances espetaculares, ou táticas fora de série. Zagallo foi Zagallo o tempo todo: o Velho Lobo que moldou a história do nosso futebol. 

Um jogador à frente de seu tempo

Quando falamos da história do futebol brasileiro, muitas vezes passeamos pela história de Zagallo. Para contar a história de um, temos, obrigatoriamente, de passar pela trajetória do outro. Nascido em Maceió, Alagoas, Zagallo foi ainda pequeno ao Rio de Janeiro. 

Por isso, a alma carioca, com a garra nordestina. O menino teve os primeiros contatos com a bola no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Naturalmente, entrou para as categorias de base do América ainda no fim da década de 1940. 

No Maracanazo de 1950, Zagallo trabalhava no Exército. Afinal, com 18 anos, onde mais estaria? No futebol, se mudou da Campos Salles para a Gávea. Da Zona Norte, foi para a Zona Sul para começar a escrever sua história no Flamengo. 

Na ponta-esquerda, era uma "Formiguinha". Atacava, mas voltava para marcar. Estava em todos os lugares do campo. Com a disciplina tática que tinha, foi considerado um jogador à frente de seu tempo. Por ser fora de série, ajudou o Flamengo a ser tricampeão carioca na década de 1950. 

As grandes atuações na Gávea logo levaram Zagallo para a seleção brasileira. O ponta caiu como uma luva no time de Vicente Feola, que acabou campeão do mundo em 1958. Em 1962, Zagallo foi mais uma vez titular e, de novo, se sagrou campeão do mundo. 

Com Nilton Santos, Didi, Pelé, Garrincha e companhia, Zagallo esteve em campo em um dos maiores times da história do futebol em termos de seleção, jogando todos os minutos das duas Copas vencidas pelo Brasil; sendo o homem de confiança tanto de Feola quanto de Aymoré Moreira. 

Enquanto era bicampeão do mundo, Zagallo já estava no Botafogo. Em General Severiano, fez parte de outro grande time, dos maiores da história do nosso futebol. Zagallo foi bicampeão carioca em General Severiano e levantou, ainda, dois Torneios Rio-São-Paulo. 

Na época, o Botafogo, com Zagallo, Garrincha, Nilton Santos e companhia, dominava o futebol brasileiro ao lado do Santos, de Pelé. Os duelos alvinegros da década de 1960 foram das coisas mais bonitas que o futebol brasileiro já viu. 

O fim da carreira em campo e o início de outra lenda 

Zagallo optou por encerrar a carreira como jogador ainda em 1965. No próprio Botafogo, iniciou uma carreira como técnico, que acabou sendo também vitoriosa. Primeiro na base, depois no profissional, Zagallo, que era um exemplo tático como jogador, virou um revolucionário também fora de campo. 

Formou o Botafogo que foi além daquele time em que jogava: conquistou novo bicampeonato carioca, mas levantou também, em 1968, a Taça Brasil. Zagallo fez o Glorioso se tornar o primeiro clube carioca campeão nacional. 

Ainda antes de completar 40 anos, recebeu a missão de comandar a seleção brasileira. Pegou o trabalho de João Saldanha em andamento para comandar o Brasil na Copa do Mundo de 1970, e acabou aperfeiçoando o chamado "time dos sonhos". 
qVocês vão ter que me engolir


Se, em campo, Zagallo fez parte de uma seleção que está marcada como um dos maiores times da história, como técnico Zagallo comandou outra equipe lendária. Em campo, ainda estavam alguns de seus antigos companheiros, incluindo Pelé. 

E o Brasil, de Zagallo, deu show no México. Foi uma seleção disciplinada, como gostava o Velho Lobo, mas também um time que sabia fazer muito com a bola nos pés. Fazia quem via o jogo sonhar, imaginando que aquilo tudo era a perfeita sincronia entre o tático e o técnico. 

Na final, contra a Itália, a última sinfonia: uma goleada por 4 a 1, com a cara do que Zagallo ajudou a moldar como o estilo de jogo brasileiro. Foi o fim da "Era Pelé" na seleção, e o início de um longo jejum brasileiro sem títulos mundiais. 

Zagallo ainda seguiu no comando do time em 1974, mas o Brasil sucumbiu para a Laranja Mecânica e acabou ficando em quarto lugar. A campeã foi a Alemanha. 

Nos anos seguintes, entre uma passagem e outra pelo futebol carioca, dirigindo os quatro grandes, Zagallo abriu as portas do futebol árabe para os brasileiros. Dirigiu Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Até que voltou para a seleção brasileira na década de 1990. 

Em 1994, foi auxiliar de Carlos Alberto Parreira, seu fiel escudeiro nas passagens pelo futebol árabe. Com a presença de Zagallo, o Brasil encerrou um longo jejum e voltou a ser campeão do mundo. E Zagallo voltou, em 1995, a ser o técnico principal da seleção. 

Foi muito criticado em alguns momentos. Em 1997, porém, deu seu grito de "vocês vão ter que me engolir", e foi campeão da Copa América e da Copa das Confederações. Chegou em alta na Copa de 1998, mas acabou cortando Romário, por contusão, e viu Ronaldo ter convulsão no dia da final. 

Contra a França, Zagallo optou por escalar Ronaldo, mesmo tendo Edmundo pronto para o jogo pouco antes da partida. O Brasil acabou atropelado pela França, encerrando a trajetória do Velho Lobo como técnico da seleção.

Voltou para a Gávea na virada do século e, em 2001, viveu um dos grandes momentos da carreira: contra o Vasco, viu Petkovic, no último minuto do clássico, marcar um inacreditável gol de falta que deu o título carioca ao Rubro-Negro. 

Zagallo ainda voltaria, anos mais tarde, a ser auxiliar de Parreira. Em 2006, voltou a ver Zidane, e a França, e o Brasil caiu de novo, dessa vez nas quartas de final da Copa. Foi a última vez de Zagallo com a seleção. 

Ao longo de toda essa história, ao longo da tentativa de contar um pouco da enorme história de Zagallo, acabamos contando, também, a história do futebol brasileiro. Afinal, uma se confunde com a outra. 

 

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