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Maldini: Imortal, invencível e eterno capitão do Milan

Texto por Eduardo Massa
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Paolo Maldini é daqueles poucos jogadores que são unanimidade no futebol. Qualquer amante do esporte, ao escalar sua seleção de melhores de todos os tempos, tem a obrigação de ao menos colocar o nome de Maldini em cima da mesa. Por duas décadas e meia, o defensor defendeu o Milan, com 25 títulos pelo caminho e participação em esquadrões históricos rubro-negros. Encerrou sua carreira como símbolo e capitão do clube.

Símbolo e capitão como foi seu pai, Cesare Maldini, que morreu em 2016 com seu lugar garantido no panteão do Milan e como lenda do futebol mundial. Quatro vezes campeão italiano e capitão no primeiro título europeu do clube, o Maldini pai teve a felicidade de ver o filho superar, e muito, o seu feito com a camisa rubro-negra.

Um jovem Imortal

Filho de uma lenda no Milan, Paolo Maldini encontrou na base do clube espaço para se desenvolver, como natural. Muitos filhos de atletas começam desta forma, todos sofrem com a pressão de carregar no nome uma história antiga, e poucos atingem o sucesso. Menor ainda é o número daqueles que superam seus antecessores. Paolo fez sua estreia aos 16 anos, em janeiro de 85, e passaria a ser titular absoluto logo depois de completar 17 anos, vestindo a mesma camisa 3 do pai provando rapidamente que não viveria a sua sombra.

O jovem Maldini chegou a atuar na lateral direita, embora tenha se mudado logo para o lado esquerdo. O fato de ser destro de nascença não o impediu de fazer sucesso pela outra banda e, na realidade, era impossível dizer que tinha um lado ruim, tamanha a naturalidade como utilizava as duas pernas.

Depois de duas temporadas como titular sob o comando de Nils Liedholm, técnico que o lançou para o futebol, Paolo Maldini conheceu Arrigo Sachi, e com ele atingiu um sucesso sem precedentes no Milan. Muito bem acompanhado por Franco Baresi, Tassotti e, aos poucos, por Alessandro Costacurta, Maldini formou uma linha de defesa histórica. Logo no primeiro ano com Sachi, o clube voltou a conquistar o título italiano após nove temporadas.

As maiores conquistas estavam reservadas para a Europa. Sachi promoveu uma revolução no Milan e, em 89 e 90, conquistou o bicampeonato europeu (e também do mundo). Uma equipe que marcou época e tinha Donadoni, Ancelotti, Rijkaard, Van Basten e Ruud Gullit. Em um tempo em que o futebol estava longe de ser globalizado como hoje, não era raro ver nas ruas do Brasil camisas dos "Imortais", como ficaram conhecidos.

Invencível com Capello

O Milan mudou de comando, mas soube se reinventar com Fabio Capello. Dos "Imortais" surgiram os "Invencíveis", desta vez conquistando a hegemonia do futebol italiano com o tricampeonato entre 92 e 94.

Em 94, mesmo sem Gullit, Rijkaard e Van Basten, este último em sua triste luta contra uma lesão que acabou por encerrar sua carreira de maneira precoce, o Milan voltou ao topo da Europa. E a forma como fez isso deixou a todos surpresos.

A final foi contra o Dream Team do Barcelona, comandado por Johan Cruyff e com nomes como Guardiola, Stoichkov e Romário. O Milan, mesmo longe de sua melhor versão e sem poder contar com Baresi na final, goleou por 4 a 0. Foi também o último ato de uma geração que fez história, imortal e invencível, agora envelhecida. Mas Maldini era uma exceção, com 25 anos, e muitos títulos ainda por conquistar.

O eterno capitão

Baresi foi uma lenda no Milan e no futebol italiano, um dos maiores zagueiros da história do futebol. Maldini foi o seu herdeiro natural como capitão, tanto no clube como na seleção. Afinal, embora não tenha repetido o sucesso pela Itália, Maldini vestiu a camisa azul por 126 jogos, em quatro Copas do Mundo e três Eurocopas. Maldini inclusive passou a ser utilizado com cada vez mais frequência como zagueiro (a chegada de Leonardo ajudou para isso), ao lado de Baresi e depois da aposentadoria do companheiro.

Maldini venceria ainda os títulos de 1995/96, 1998/99 e 2003/04 na Itália, somando ao todo sete troféus da Serie A. Em 2002/03, o craque reconquistou a Europa com o Milan, com novos nomes que marcaram época, como Shevchenko, Seedorf, Rui Costa, Gattuso, Pirlo, Nesta e Dida.

O último grande título foi em 2006/07. Maldini ergue a sua quinta taça da Liga dos Campeões, desta vez com Kaká em destaque na frente. Dois anos depois, perto de completar 41 anos, a lenda chega ao fim com uma história irrepetível: Imortal, invencível e eterno capitão rubro-negro.

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