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Rogério Ceni, o M1to do Morumbi

Texto por Guto Ablas
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Talvez poucos jogadores tenham representado uma torcida com tanta intensidade quanto Rogério Ceni no São Paulo. Goleiro, artilheiro, líder e o atleta que mais vezes vestiu a camisa da equipe do Morumbi, ele despertou os maiores sentimentos de amor do seu torcedor e se tornou, sem sombra de dúvidas, o maior ídolo a vestir a camisa tricolor.

De família gaúcha, Rogério nasceu em Pato Branco, no Paraná. Se aventurou no vôlei e foi bancário antes de chegar ao futsal. O início da carreira no campo se deu no modesto Sinop, de Mato Grosso, aonde de terceiro goleiro, se viu obrigado a assumir a titularidade e foi, com apenas 17 anos, destaque da equipe que conquistou o Campeonato Mato-grossense de 1990.

Chegada tricolor

Jovem e cheio de sonhos, o goleiro desembarcou no CT da Barra Funda para um teste em sete de setembro de 1990. Chegou em um momento complicado aonde a equipe, então treinada por Telê Santana, ficou fora da disputa do título paulista, tendo que disputar a Taça de Prata em 1991, e ainda inconstante no Brasileiro.

Apesar de ter sofrido um gol do lateral Leonardo, Rogério foi aprovado e passaria a integrar o time sub-20 e também a equipe principal, como quarto goleiro. Ficaria no banco de Zetti, ídolo incontestável, Marcos Bonequini e Alexandre.

Obstinado, aguardou pacientemente a reserva de Alexandre no sub-20, vice-campeão da Copa São Paulo 1992, e viu seu concorrente ir ao banco na final da Libertadores daquele ano, que acabou com o título tricolor. O destino mudaria quando, meses depois, Alexandre, campeão do mundo, sofreu um acidente de carro e morreu, deixando Rogério, já consolidado no sub-20 com o título da Copa São Paulo, com a reserva imediata de Zetti, sendo então campeão da Libertadores e do Mundial em 1993.

A parceria com Telê

Rogério morou no Morumbi durante anos, embaixo das arquibancadas, e por não ter parentes morando na cidade, acabava passando muito tempo no Centro de Treinamento. Isso o fez cair nas graças de Telê Santana, que se tornou seu parceiro de tênis e um grande mentor. Com o velho mestre, o goleiro aprendeu que a perfeição só se atingia com treinamento.

Ali, em 1993, começou um hábito que acompanharia Rogério até o final de sua carreira, em 2015. Chegava antes de todo mundo, entrava no campo para se exercitar sozinho e após todas as atividades, para se manter aquecido e praticar, realizava chutes a gol. Eram centenas de faltas e pênaltis batidos todos os dias por cerca de uma hora depois que as atividades se encerravam no centro de treinamento. Ali se formava o embrião do maior goleiro-artilheiro de todos os tempos.

Titularidade e o início da lenda que marcava gols

Depois de idas e vindas frustradas de Zetti para o futebol alemão, Rogério começou a acreditar que sua chance nunca chegaria. Eram seis anos de clube e quase três como reserva de Zetti. Na bagagem, títulos com o “expressinho tricolor” como a Supercopa Libertadores, Copa Conmebol e Recopa Sul-Americana. Porém, a sorte mudou quando Zetti recebeu passe livre da diretoria e se transferiu para o Santos. Ali, começou a Era Ceni no São Paulo. 

Logo em seus primeiros meses como titular, no ano de 1997, Rogério recebeu o aval do então treinador Muricy Ramalho para cobrar faltas. E na sua terceira tentativa, em 15 de fevereiro de 1997, em Araras, o goleiro marcava o primeiro gol de sua carreira e iniciava sua busca por Chilavert, então goleiro com mais gols na história do futebol.

Em 1998, foi campeão paulista, seu primeiro título como dono do gol tricolor. Em 2000, conquistou o bicampeonato marcando, inclusive, um dos gols da final, sendo o primeiro goleiro da história a deixar sua marca em uma partida final de campeonato.

A proposta do Arsenal e a quase saída polêmica

Em 2001, Rogério já era ídolo do time e passava a ser presença constante na seleção, mas a relação com o Tricolor sofreu o seu único arranhão. Rogério Ceni chegou na sala do então presidente Paulo Amaral com uma proposta do Arsenal da Inglaterra. Sem condições de cobrir, o mandatário aceitou vender o goleiro, mas, dias depois, recebeu um fax do clube inglês informando que nunca teve interesse na contratação do jogador.

Alegando que Rogério teria forjado a proposta, o presidente afastou o goleiro por 29 dias. Rogério entrou com uma ação e conseguiu sua liberação do São Paulo.

Depois de negociar com Corinthians e Cruzeiro, Rogério fez um acordo com a equipe do Morumbi e seguiu sua história de vitórias no clube.

A era mitológica

Entre 2004 e 2015, não se podia falar em São Paulo sem falar em Rogério Ceni. Foi a partir daquele ano que o goleiro atingiu status de intocável, no clube e também passou a ser a maior referência quando se falava no time do Morumbi.

Um ano antes, em 2003, em um time formado na sua maioria por jogadores inexperientes comandado por Roberto Rojas e Milton Cruz, Rogério foi um dos protagonistas da conquista da vaga na Libertadores depois de 10 anos.

A campanha no torneio continental dava mostras da força que viria nos próximos anos. Com Rogério artilheiro e fechando o gol, o time chegou até a semifinal, perdendo para o surpreendente Once Caldas da Colômbia, que viria a ser campeão do torneio. No ano seguinte, a glória finalmente voltou ao Morumbi.

Em um time que tinha Lugano, Fabão, Cicinho, Júnior, Luizão, Danilo e Amoroso, o goleiro foi o grande nome e protagonista no terceiro título continental da equipe. Meses depois, Rogério fez uma partida perfeita e parou o Liverpool em Yokohama, garantindo também a terceira taça mundial do clube do Morumbi.

Em 2006, nova final de Libertadores, mas o título, literalmente, escapou das mãos de Rogério, que falhou e viu o time perder para o Internacional. Quatro dias depois da dolorida derrota, o goleiro teve uma atuação brilhante, defendeu pênalti e marcou duas vezes em partida que o São Paulo empatou com o Cruzeiro. Os gols fizeram com que Ceni passasse o lendário José Luis Chilavert como goleiro que mais vezes marcou no futebol mundial.

Apesar da derrota da Libertadores, com brilho o time conseguiu um inédito tricampeonato brasileiro consecutivo entre 2006 e 2008, chegando aos seis títulos conquistados. Rogério foi protagonista em todos com defesas e gols.

Em 2011, Rogério, o artilheiro, atingiu mais uma marca histórica ao marcar contra o Corinthians em Barueri. Naquela partida, ele se tornou o primeiro goleiro a atingir a marca de 100 gols marcados no futebol profissional (contando amistosos).

Em 2012, com grandes atuações, mas protagonismo menor, Rogério conquistou seu último título na carreira, na polêmica Copa Sul-Americana, em que o Tricolor venceu o Tigre, da Argentina, em um jogo que, até hoje, não terminou.

A partir de então, o goleiro passou a conviver com mais lesões que jogos, mas mesmo assim continuou peça importante no dia a dia do Tricolor. Ao final de 2015, sem jogar na reta final de sua carreira, Rogério Ceni anunciou sua aposentadoria. Uma festa foi armada com mais de 60 mil torcedores em homenagem a ele, reunidos aos campeões do Mundo de 1992, 1993 e de 2005 para dar adeus a um dos maiores símbolos do clube.

No total, o devorador de recordes tem 1197 jogos oficiais pelo São Paulo e 129 gols marcados, além de ser o jogador com mais vitórias por uma única equipe, o com mais partidas em Campeonatos Brasileiros, ser o brasileiro com mais jogos em Libertadores, mais jogos como capitão de uma equipe, entre tantas outras marcas.

Seleção brasileira

Apesar da sua história vitoriosa, Rogério teve uma trajetória de pouco sucesso na seleção brasileira. No total foram apenas 18 jogos com as conquistas da Copa das Confederações 1997 e da Copa do Mundo 2002, essa como reserva. 

Muito da sua falta de oportunidades se deve a uma briga com Parreira e Zagallo durante a Copa das Confederações 1997, no episódio conhecido como “Carecas da seleção”, na qual Rogério havia se recusado a raspar o cabelo e isso foi visto como uma atitude de um jogador que não era de grupo. O goleiro bateu poucas faltas pela seleção, mas não conseguiu marcar gols com a camisa amarela.

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