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        Rivaldo: o gênio discreto no mundo de estrelas

        Texto por Carlos Ramos
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        Rivaldo talvez tenha sido ofuscado muitas vezes por não ser um jogador midiático, mas o futebol que jogava em campo o fazia brilhar como poucos. Foi um dos grandes nomes da história do futebol brasileiro, marcando época também no futebol europeu, principalmente no Barcelona. 

        Rivaldo começou a jogar no futebol pernambucano. Acanhado fora do campo, mas com muita personalidade dentro das quatro linhas, chamou a atenção do Santa Cruz ao atuar na base do Paulistano. Não ficou muito tempo no Arruda.

        Destaque na Copinha de 1992, o jogador acabou negociado com o Mogi Mirim para começar a escrever história no futebol paulista. Rivaldo fez parte do Carrossel Caipira, time que marcou época no Mogi Mirim. Em 1993, o meia chamou a atenção por um golaço do meio-campo, na saída de bola, em duelo contra o Noroeste. 

        Rivaldo faria, mais tarde, história no Palmeiras, mas antes passou pelo rival, Corinthians. E o meia conseguiu terminar 1993 em alta no Timão, ganhando a Bola de Prata e aparecendo na seleção do Campeonato Brasileiro daquele ano. 

        A Parmalat e o Palmeiras 

        Valorizado, Rivaldo acabou gerando disputa nos bastidores entre o Corinthians e o Palmeiras (o meia estava no Alvinegro emprestado). Com o suporte da Parmalat, patrocinadora que chegou com tudo para investir no Alviverde, o jogador acabou negociado pelo Mogi com o Verdão. 

        No Palmeiras, Rivaldo alcançou um outro patamar. Ainda tímido fora de campo, era protagonista nos gramados e virou artilheiro. O meia terminou o Brasileiro de 1994 como vice-artilheiro, ao lado de Evair. Cresceu na reta final, marcando duas vezes na semifinal, contra o Guarani, e três nos dois jogos decisivos, diante do ex-clube, o Corinthians. O título brasileiro palmeirense daquele ano começou com a contratação de Rivaldo. Foi um golpe duro para os corintianos. 

        No ano seguinte, o poderoso elenco palmeirense, com Velloso, o então jovem goleiro Marcos, Cafú, Djalminha, Galeano, Amaral, Rincón, Viola, Müller, Luizão, Rivaldo e companhia foi campeão paulista. Rivaldo novamente foi carrasco do Corinthians. Voltou a conquistar o Paulista em 1996. 

        Ida para a Europa e auge no Barça

        Rivaldo foi vendido após o título paulista de 1996 para o Deportivo La Coruña. Os espanhóis seguiam o exemplo da Itália e passaram a investir em craques brasileiros. Mesmo um time de La Coruña que nunca havia sido campeão espanhol. 

        Rivaldo não conseguiria colocar o Depor no topo da Espanha, como fariam anos mais tarde Djalminha, Mauro Silva e Flávio Conceição. Ainda assim, a temporada que disputou pelo clube tem bons números. Mantendo a característica de meia goleador, fez 22 gols em 46 jogos que disputou, com média de 0,48 por partida. Chegou a ter sequência de seis jogos seguidos marcando. O Barcelona resolveu ir buscá-lo. 

        O Barça tinha negociado o jovem Ronaldo com a Inter, mas mantinha o brasileiro Giovanni, Luís Figo e o polêmico Hristo Stoichkov. Rivaldo chegou na Catalunha por 30 milhões de dólares, um grande investimento para a época, e mostrou o seu valor. Mesmo discretou, sobressaiu no futebol das estrelas. 

        Na Catalunha, Rivaldo mostrou ser um jogador completo. Logo na primeira temporada, recolocou o time no topo da Espanha como protagonista. Superou a média de gols no Depor e chegou a ter, no clube catalão, média de 0,68 gols por partida. 

        Rivaldo marcava de cabeça, com a perna canhota de fora da área, dentro dela, de falta... Pelas atuações, levou a Bola de Ouro em 1999, sendo considerado o melhor jogador do mundo. Contra o Valencia, marcou um dos gols mais antológicos do futebol, ao acertar bicicleta da entrada da área para vencer o lendário goleiro Cañizares. 

        Dupla com Ronaldo

        Enquanto brilhava com a camisa do Barça, Rivaldo era presença constante na seleção brasileira. Se no Barça perdeu a chance de jogar com Ronaldo, na seleção foi parceiro do craque. A dupla conquistou a Copa das Confederações de 1997, apesar de ter decepcionado no ano seguinte. 

        Rivaldo fez uma Copa excepcional na França. Poderia ter sido o grande meia do torneio. Fez dois gols contra a Dinamarca, nas quartas. Mas na final, após a crise da convulsão de Ronaldo, acabou vendo Zinedine Zidane atropelar a defesa brasileira. 

        A dupla não acabou, porém, após a polêmica Copa da França. Em 1999, Rivaldo voltou a se juntar com Ronaldo e acabou carregando a seleção na Copa América. Na decisão, dois gols de Rivaldo, um de Ronaldo, e título sobre o Uruguai. 

        O grande ápice dos dois foi na Coreia e no Japão, em 2002. Após Felipão deixar de fora Romário daquela Copa, Rivaldo e Ronaldo deram conta do recado. Sempre mais midiático, e também decisivo, é verdade, Ronaldo é o nome mais lembrado da conquista do penta. 

        Mas Rivaldo fez uma grande Copa. Foi dele o gol da vitória na estreia, sobre a Turquia. Rivaldo marcou em todas as cinco primeiras partidas da Copa. Nas quartas, fez o gol que garantiu a classificação contra a Inglaterra. Na semifinal e na final, Ronaldo resolveu, mas sempre com o apoio de Rivaldo. O meia foi o coadjuvante perfeito no penta. Foi, digamos, o Bebeto de Ronaldo. Para muitos, foi além, sendo o grande destaque daquela Copa. Mas não vale entrar no mérito de comparações. Rivaldo é Rivaldo. E foi um dos grandes jogadores do futebol. 

        Liga dos Campeões no Milan e retorno ao Brasil

        Campeão do mundo, Rivaldo ainda almejava um título que faltava na carreira: a Liga dos Campeões. Apesar das grandes atuações no Camp Nou, o meia não conseguira levar o Barça até o topo da Europa. Mas em Milão seria diferente. 

        Rivaldo deixou o Barcelona para defender o Milan, e não teve uma passagem tão marcante no San Siro. Apesar disso, celebrou o título que faltava. Apesar de reserva em boa parte da campanha, Rivaldo ajudou o Rossonero a conquistar a Liga dos Campeões. 

        O meia participou ainda da conquista da Supercopa da Europa, mas acabou retornando ao Brasil em 2004. A passagem foi frustrante: contratado como grande nome pelo Cruzeiro, então campeão da tríplice coroa, Rivaldo não ficou muito tempo em Belo Horizonte. 

        Foram poucas, e sem brilho, aparições pela Raposa. Logo, Luxemburgo acabou demitido, e Rivaldo saiu junto. Voltou para a Europa, mas já em um momento bem diferente da carreira. 

        Ligas alternativas e parceria com filho

        Rivaldo iniciou trajetória em ligas "alternativas", sem tanta fama. Na Grécia, teve talvez os últimos lampejos de protagonismo no Olympiacos e depois no AEK. Em seguida, abraçou projeto no Uzbequistão primeiro com Zico, e depois com Felipão. 

        Campeão foi, três vezes, mas já em uma liga sem tanta história com a camisa do Bunyodkor. Rivaldo passou ainda por Angola, para defender o Kabuscorp, mas foi no Brasil, e no futebol paulista, que viveu os últimos momentos da carreira. 

        Passou pelo São Paulo em 2011, na última participação na elite do futebol brasileiro. Completou apenas três vezes os 90 minutos em campo, mas foi presença constante nas escalações. Somou 46 jogos e sete gols no Morumbi. 

        Atuou ainda no São Caetano antes de voltar para Mogi. De novo com a camisa do Mogi Mirim, atuou algumas vezes ao lado de seu filho, Rivaldo Júnior, no time em que era também presidente. Se aposentou primeiro em 2014. Chegou a voltar em 2015, marcando na Série B contra o Macaé, em partida que seu filho fez dois gols. Se aposentou naquele ano, sem conseguir evitar o rebaixamento do Mogi.

        No interior de São Paulo, se encerrou a carreira de um dos grandes do futebol mundial. Foi um final tímido, discreto, como Rivaldo. Mas, no fim das contas, discreto ou não, Rivaldo foi um dos grandes gênios do futebol. 

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