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Dino Zoff: o grande líder italiano

Texto por Carlos Ramos
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Dino Zoff foi um dos maiores goleiros do futebol italiano e também do futebol mundial. Fez defesas inacreditáveis, mas foi também e, talvez acima de tudo, um grande líder. Mas nem sempre foi assim. O campeão mundial teve um início de carreira que não foi dos mais fáceis. 

O menino, de infância e adolescência no campo, sonhava em ser jogador de futebol, mas a oportunidade demorou a aparecer. Zoff chegou a fazer testes nas principais equipes italianas, mas acabou recusado. Só foi aceito aos 19 anos, e na Udinese. 

O início em Udine também não foi fácil. Zoff iniciou trajetória na Serie A em 24 de setembro de 1961. A Udinese acabou goleada pela Fiorentina, por 5 a 2. Zoff fez apenas quatro partidas, e a equipe acabou na lanterna do Italiano, rebaixada. 

Zoff só voltaria para a Serie A em 1963, e vestindo a camisa do Mantova. Foi o primeiro clube que defendeu com uma regularidade maior, mas, mesmo assim, o Mantova acabou lanterna e rebaixado na segunda temporada do goleiro por lá. O grande problema do time era o ataque, mas o rebaixamento não foi evitado. 

O início na Azzurra

Zoff acabou com os altos e baixos quando se mudou para o San Paolo. Chegando com o status de titular, ajudou a levar o Napoli ao vice-campeonato italiano logo em seu primeiro ano na cidade, sofrendo apenas 24 gols na campanha. 

Apesar de os títulos por clubes só virem para Zoff quando o goleiro se mudou para Turim, a trajetória na seleção começou quando ele ainda defendia o Napoli. E logo no ano de 1968, mesmo do vice-italiano, o jogador participou da primeira competição com a seleção italiana. 

Na Eurocopa de 1968, Zoff foi titular e, ao lado do grande artilheiro Luigi Riva, ajudou a Azzurra a conquistar aquela competição, disputada no próprio país. Nos anos seguintes, o goleiro disputaria posição de titular com outra lenda: Enrico Albertosi. 

Na Copa de 1970, por exemplo, Albertosi foi titular. A Itália chegou até a final, quando acabou derrotada de forma categórica para o Brasil, de Garrincha, Pelé e companhia, no 4 a 1 mais marcante da história do futebol. 

Antes da Copa de 1974, Zoff mudou de time e, em Turim, faturou o primeiro título italiano pela Juventus, sendo titular na campanha. Na mesma temporada, perdeu a Liga dos Campeões para o Ajax, de Cruyff. Haviam sido 134 jogos no Mantova e 190 no Napoli, mas seriam muito mais pela Velha Senhora. 

Ídolo em Turim e dificuldade na seleção

Ao longo dos anos, Zoff foi construindo história de idolatria não só em Turim, como também com a seleção italiana. Em 1974, após boas campanhas com a Velha Senhora, chegou para a Copa do Mundo como um dos grandes nomes da seleção italiana. 

Na estreia, porém, deixou dúvidas ao sofrer um gol do Haiti. A Itália acabou não passando da primeira fase no torneio, gerando críticas ao desempenho do time e, em particular, de Zoff. Coube ao goleiro, mais uma vez, acabar com as desconfianças. 

Sempre protagonista na Juve, foi mais três vezes campeão italiano até 1978, ganhando ainda a Copa Uefa. Mais uma vez, chegaria em alta para uma Copa. Mais uma vez, deixaria a competição contestado pela imprensa local. 

Na Argentina, em um Mundial cercado de polêmicas quanto aos resultados, a Itália ficou em quarto lugar, perdendo a decisão do terceiro posto para o Brasil. Zoff, chamado de "velho" por muitos (tinha 36 anos), teria sofrido alguns gols inaceitáveis. 

A história de títulos em Turim seguia, com o bicampeonato da Serie A em 1981 e 1982, e dois títulos da Copa da Itália. Mas na seleção, Zoff seria lembrado para sempre de maneira negativa? O goleiro das defesas impossíveis seria visto como um fracasso com a camisa azzurra?

Redenção na Azzurra

A redenção de Zoff veio com a convocação para mais uma Copa do Mundo. Mesmo indo bem na Juventus, o goleiro era visto como velho, acabado para a seleção. Mas, em 1982, ele conseguiria, finalmente, calar todos os críticos. 

Já começando nas Eliminatórias. Com grandes defesas, o goleiro ajudou a colocar a Itália na Copa na Espanha. E, ao longo do Mundial, Zoff foi um dos grandes líderes de um time que esteve longe de ser brilhante, mas foi fatal quando necessário. 

É claro que nós, brasileiros, lembraremos sempre de Paulo Rossi naquela Copa. Mas Zoff foi, também, carrasco brasileiro, segurando grandes bolas no jogo que acabou considerado para os brasileiros a Tragédia do Sarriá. 

Zoff encerrou a carreira com grandes exibições naquela Copa, que terminou em título após grande vitória sobre a Alemanha. Depois, ainda seguiu carreira como treinador por alguns anos. Comandando a Juventus, foi novamente campeão da Copa da Itália e da Copa Uefa. 

Chegou a dirigir a seleção italiana, mas sem disputar uma Copa. Teve passagem mais longa pela Lazio, somando 186 jogos no comando da equipe, pela qual conquistou a Supercopa da Itália. Encerrou a carreira como treinador pela Fiorentina, em 2005. 

Fotografias(7)

Viagem de regresso da campeã do mundo Itália em 1982
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