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Bebeto: o atacante que embalou o tetra

Texto por Carlos Ramos
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José Roberto Gama de Oliveira, ou simplesmente Bebeto, começou a carreira com um título mundial. Sim, aos 19 anos, conquistou o Mundial sub-20 com uma seleção composta por nomes como Jorginho, Dunga, Geovane e Mauricinho. O meia-atacante aproveitou o impulso do título, seguiu carreira em grandes clubes e voltou ao topo do mundo, dessa vez com a seleção principal.

Mas a história de Bebeto no futebol começou até antes daquele Mundial. Em Salvador, o menino já se destacava, brilhando nas divisões de base do Bahia, até ir para o rival, Vitória. O início prodígio de carreira chamou a atenção das principais equipes do país. 

Houve disputa nos bastidores pelo passe do jogador, e Bebeto acabou indo para a Gávea após o Flamengo levar a melhor sobre o Vasco. Afinal, na época, o Rubro-Negro era visto como uma potência mundial, com Zico, Júnior, Leandro, Nunes e companhia... 

No primeiro ano como profissional na Gávea, o menino franzino chamou a atenção pelos dribles e habilidade. O jovem participou da campanha do título brasileiro do clube naquele 1983, entrando ao lado de Zico, Adílio, Júnior, Leandro, Mozer e companhia, e comandado por Carlos Alberto Torres. 

Atacante supera drama para seguir brilhando 

No ano seguinte, com a saída de Zico para a Udinese, Bebeto conseguiu mais espaço no time, marcando gols e sendo titular com mais protagonismo. O Fla, entretanto, caiu na Libertadores e nas quartas do Brasileiro, e viu o Flu campeão carioca. No fim daquele ano, Bebeto ainda viveu um drama pessoal: perdeu o irmão, Nilton, em um acidente de carro que tirou a vida ainda de Figueiredo, zagueiro do clube da Gávea. 

Quando fala da situação, Bebeto garante que foi o pior momento da vida. O meia-atacante quase largou o futebol. " Foi um trauma enorme. Eu fui para Salvador, não conseguia voltar ao Rio, não queria mais jogar. Tomei pavor disso aqui", contou, anos mais tarde, para o jornal carioca Extra

A diretoria flamenguista, então, resolveu trazer a família do atleta ao Rio de Janeiro, e Bebeto conseguiu voltar a jogar e deixou ainda certa rebeldia de lado. Em campo, mostrou protagonismo e conquistou o primeiro título carioca em 1986, diante do Vasco. No ano seguinte, o atacante voltou a ser campeão brasileiro pelo clube, ambas as conquistas impulsionadas pelo retorno de Zico. 

A parceria com o 'baixinho'

Em 1988, enquanto ainda era jogador do Flamengo, Bebeto iniciou uma parceria que renderia muitos frutos para o Brasil... Naquele ano, a seleção olímpica chegou até a final dos jogos de Seoul. Ao lado de Bebeto, Romário não conseguiu o ouro para o Brasil, com derrota para a União Soviética. 

No ano seguinte, a dupla comandou a seleção brasileira na conquista da Copa América. Bebeto se destacou pelos gols: fez sete em seis partidas, sendo o principal goleador da competição. Na Gávea, o atleta também se destacava pelos tentos. 

Mas em 1989, Bebeto mudou de clube, e não foi nenhuma mudança simples. Depois de ser artilheiro do Carioca, o atacante deixou o Flamengo para ir ao Vasco. Foram 306 partidas com a camisa rubro-negra, com 161 gols marcados. 

Em São Januário, Bebeto seria responsável por substituir Romário, seu parceiro de seleção. O "Baixinho" se mudara para Eindhoven, para defender o PSV. E Bebeto foi o substituto ideal, terminando o ano campeão brasileiro pelo Cruz-Maltino, em cima do São Paulo, no Morumbi. 

Bebeto teve boa passagem em São Januário, mas, em 1992, acabou escolhendo seguir carreira na Europa, como Romário. Foi para o Deportivo, de La Coruña, e lá manteve o bom desempenho, se tornando ídolo no time e na cidade.

No primeiro ano na Espanha, Bebeto conseguiu 29 gols em 37 jogos na Liga Espanhola. Chegou a ter sequência de sete jogos marcando, anotando 11 gols no período de dezembro a janeiro. Lá, chegou a enfrentar o Barcelona, de Romário, marcando na vitória em La Coruña e vendo o compatriota decidir o jogo do Camp Nou. 

O grande feito de Bebeto na Espanha foi a conquista da Copa do Rei (duas vezes, por sinal), e um título da Supercopa da Espanha. Nesses tempos, porém, o que ficou marcado mesmo na carreira do atleta foi a Copa de 1994. Novamente com Romário... 

Fim do jejum 

Em 1994, o Brasil vivia um jejum de mais de duas décadas sem título mundial. A seleção não tinha lá, tecnicamente, um dos melhores times da história (o de 1982 era bem melhor). Ainda assim, com Bebeto e Romário, colocou fim a seca. 

Bebeto havia sido coadjuvante na fraca campanha de 1990, mas, quatro anos depois, foi protagonista. Com Romário, fez uma das duplas de ataque mais lendárias do futebol brasileiro, carregando o time contra as grandes potências do futebol. 

Nas quartas de final daquela Copa, Bebeto deu assistência para Romário e ainda deixou o dele, ajudando na grande vitória sobre a Holanda. A final foi todo aquele drama com a gigante Itália, com o título só saindo nos pênaltis, depois da melhor finalização de todos os tempos para o futebol brasileiro (a de Baggio, para fora). 

Sem Romário, Bebeto foi titular do time que, em 1998, acabou vice-campeão do mundo, levando várias cabeçadas de Zidane na decisão. O atacante somou 40 gols em 76 jogos com a seleção brasileira. 

Em clubes, Bebeto ainda teve alguns retornos: voltou para a Gávea, em 1996: para o Vitória, em 1997 e em 2000 (sendo campeão baiano e da Copa do Nordeste); e para o Vasco, em 2001. Atuou ainda no Botafogo, sendo campeão do Rio-São-Paulo pelo clube em 1998. 

Bebeto ainda teve experiências em mercados alternativos. Foi para o México, conquistou o Campeonato Japonês pelo Kashima Antlers, e deixou o Al-Ittihad, da Arábia Saudita, por problemas com a diretoria local. Acabou, então, pendurando as chuteiras. 

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