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história

Um caos chamado Hristo Stoichkov

Texto por Carlos Ramos
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Na década de 1990, a Bulgária passou por um dos piores momentos político-econômicos do país. A população, nas ruas, pedia o fim da corrupção, a melhoria nas condições de vida, mas, até menos que isso: queria pão para comer. Mostrava o quão difícil era viver no país naquela época. Mas, no meio disso tudo, o país conseguiu sonhar durante a Copa do Mundo. 

Sonhou porque existia Hristo Stoichkov. O atacante, que começou no modesto Hebros, já era ídolo nacional. Afinal, jogava no Barcelona, e era protagonista em um dos maiores times da história do futebol espanhol. Como um búlgaro, no meio de tanto caos, chegou até ali? 

A resposta é: o caos fazia parte do jogo de Stoichkov. Afinal, o atacante deixava os zagueiros malucos (e muitos treinadores também). Podemos dizer que Stoichkov era o caos em pessoa. Tanto que seu pai, Stoichko, o colocou no CSKA Sofia, time do exército, para que o garoto tivesse mais disciplina. 

Não deu muito certo, e o jovem, um símbolo da revolta no país, foi expulso na primeira final que disputou pelo time após uma violenta briga em campo. O Partido Comunista, na época, resolveu banir todos os envolvidos na luta do esporte. Mais tarde, a punição foi vista como muito rigorosa, ou pouco conveniente, já que a Copa de 1986 estava se aproximando... Stoichkov só ficou um ano fora. 

Ainda assim, o atacante não esteve entre os escolhidos para a Copa e só jogou pela seleção em 1987. O Mundial de 1986 foi comum para os búlgaros: o time não venceu nenhum jogo, e acabou eliminado pelo México. Quatro anos depois, tudo mudaria. 

Stoichkov já vinha dando sinais de que as coisas seriam diferentes nos anos seguintes. Em 1989, terminou a temporada como o principal goleador da Europa, e chegou a ter 48 gols em 40 jogos pelo CSKA. O grande destaque chamou a atenção do Barcelona... 

O time das lendas explosivas

Para muitos, a grande dupla explosiva da carreira de Romário foi com Edmundo. Mas, na Catalunha, o lendário atacante brasileiro jogou com Stoichkov, e ambos explodiram o país. Romário disse certa vez: "Quando nasci, papai do céu apontou para mim e disse: 'Esse é o cara'". No que Stoichkov falou: "Existe um Cristo lá em cima e outro aqui embaixo, e ambos fazer milagres". 

O polêmico búlgaro chegou antes do explosivo brasileiro em Barcelona. Via o lendário Johan Cruyff pressionado no cargo de técnico do Barcelona. Stoichkov era o bad boy necessário para mudar essa história. Assim foi. 

Primeiro, o caos: na final da Supercopa da Espanha em 1990, o jogo acabou em confusão, teve polícia em campo e briga dentro e fora das quatro linhas. Cruyff e Stoichkov acabaram expulsos. O técnico holandês seguiu acreditando no atacante, apesar das críticas na época. O treinador respondeu com um contraponto: 

"Antes de Stoichkov chegar, nós tínhamos um time de pessoas muito boas. Mas você não pode ter um time apenas de boas pessoas. Você precisa de alguém como Stoichkov, que é agressivo de uma forma positiva", comentou. 

Stoichkov foi agressivo de todas as formas, mas a com a bola nos pés acabou tendo destaque maior. O atacante tinha um violento arremate de canhota que poucos conseguiam pegar. Era um jogador versátil, que confundia os zagueiros. 

O fato foi que o Barça foi campeão da Liga no primeiro ano de Stoichkov, e o búlgaro marcou 23 gols em 38 jogos. Stoichkov era o nome perfeito para Cruyff aplicar a filosofia de Futebol Total que aprendeu com Rinus Michels. 

O Barça voltou a ser campeão espanhol nos anos seguintes: foram quatro títulos seguidos. Stoichkov esteve sempre em destaque, sendo eleito o melhor jogador da Europa pela Uefa. Ganhou ainda a Liga dos Campeões em 1992, a Supercopa da Europa duas vezes, a Copa do Rei outras duas e a chamada Taça das Taças. 

Apesar dos títulos com Cruyff na Catalunha, alguns deles com Romário, o grande destaque de Stoichkov foi com a seleção búlgara. Foi naquele ano de 1994, de tanta crise e caos no país. A Copa do Mundo deu algum alento...  

Uma Copa histórica 

Para a seleção búlgara em 1994, foi mesmo Cristo no céu e Hristo em campo. É verdade que se tratou de uma grande seleção, que fez história na Copa do Mundo dos Estados Unidos, mas não há como não destacar a participação do atacante naquela Copa. 

Na fase de grupos, Stoichkov marcou duas vezes na goleada búlgara sobre a Grécia e também deixou sua marca sendo protagonista no triunfo sobre uma argentina confusa, já sem Maradona. Mas foi no mata-mata que o indomável atacante foi mais decisivo. 

Deixou o dele contra o México, nas oitavas, e brilhou nas quartas, na virada contra a Alemanha, de Lothar Matthaus. Na semifinal, até marcou contra a Itália, mas não conseguiu evitar a eliminação. Ainda assim, o quarto lugar foi a grande campanha do país em Copas, e Stoichkov terminou a competição como artilheiro, com seis gols em sete partidas. 

Stoichkov ainda marcou três vezes na Eurocopa de 1996, e disputou a Copa na França em 1998, mas a Bulgária não repetiu o grande desempenho. O jogador passou ainda por Parma, Al Nassr, da Arábia Saudita, Kashiwa Reysol, do Japão, e Chicago Fire e DC United, dos Estados Unidos. Foi polêmico até o fim, um caos para os defensores em qualquer lugar. 

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