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Del Piero: o cavalheiro da Velha Senhora

Texto por Carlos Ramos
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O ano era 1993, a cidade, Turim. A Juventus ainda desfrutava da categoria de Roberto Baggio, mas sabia que o camisa 10 não duraria para sempre. De Padova, então, veio o menino Alessandro Del Piero, ainda começando a carreira. O clube apostava que Del Piero poderia ser o substituto ideal para Baggio. Nunca uma aposta foi tão bem feita. 

Baggio e Del Piero ainda jogaram juntos duas temporadas vestindo bianconeri, até Roberto passar o bastão para Alessandro. Baggio foi para Milão tentar mostrar que ainda estava em forma, enquanto a Juve foi ganhando outro ídolo, um ainda maior, e inigualável. 

Começo como sucessor de Baggio

Logo na primeira temporada na Serie A, Del Piero marcou cinco gols em 11 jogos, conseguindo um triplete contra o Parma. A Velha Senhora acabaria perdendo o título para o Milan, mas Del Piero ainda teria outras muitas oportunidades de títulos. 

Na temporada seguinte, Baggio se lesionou e Del Piero assumiu o protagonismo. Ao invés dos 15 jogos da temporada anterior, alcançou a marca de 50 e marcou 11 vezes, desempenho para comandar o primeiro título italiano dele em Turim.

A temporada só não foi melhor porque o Parma, de Zola, impôs derrotas nas finais da Liga Europa e da Copa da Itália. Ainda assim, Del Piero se destacou tanto que a Juventus optou por dá-lo a camisa 10, negociando Baggio com o Milan. 

A história do ídolo

A decisão de Marcelo Lippi, de apostar em Del Piero deixando Baggio um pouco de lado, acabou dando confiança ao jovem, que se firmou no time. Logo no primeiro ano pós-Baggio, Del Piero marcou em seus cinco primeiros jogos na Liga dos Campeões (contra Dortmund 2x, Steaua e Rangers 2x).  

O atacante acabou sendo o grande nome da conquista do torneio, com vitória na final sobre o Ajax. A Juve seria campeã também da Supercopa da Itália e do Mundial (então Intercontinental), mas perderia o Italiano, por ironia do destino, para o Milan, de Baggio. 

Del Piero já era o grande nome jovem do futebol europeu. Com seus dribles e cobranças de falta geniais, ia conquistando espaço no continente. Com Marcelo Lippi, ganhou mais protagonismo no ataque e, na temporada 1997/98, fez 31 gols em 47 jogos, com média de 0,68 por partida e dois tripletes. Na mesma temporada, com a ajuda de Zidane, levou a Juve ao vice da Liga dos Campeões, perdendo para o Real Madrid, de Raúl. 

Del Piero ainda voltaria a final da Liga dos Campeões em 2003, perdendo dessa vez para o Milan nos pênaltis, com destaque para o brasileiro Dida. Na Itália, ao todo, foram seis títulos do Italiano, uma Copa e quatro Supercopas. Mas nem sempre Del Piero esteve na elite, e foi aí que virou o ídolo, o "Dio Piero" (Deus Piero). 

Ídolo da Azzurra

Del Piero foi ídolo também na seleção italiana. Estreou pelo país ainda em março de 1995, contra a Estônia. Em 1997, em amistoso preparatório para a Copa do ano seguinte, marcou dois gols na seleção brasileira que seria vice-campeã na França. 

Contra os franceses, inclusive, Del Piero teve uma das grandes decepções na carreira, na final da Eurocopa de 2000. Os então campeões mundiais perdiam por 1 a 0 até os acréscimos. Wiltord empatou para a França aos 45 do segundo tempo, e Trezeguet marcou o gol do título francês na Holanda nos acréscimos. 

©Getty /
Outra decepção foi a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2002, perdendo para a anfitriã Coreia também na prorrogação. O grande momento de Del Piero pela Azzurra ficou mesmo para quatro anos depois. 

Na Alemanha, o meia foi reserva durante quase toda a Copa: só jogou como titular o polêmico duelo contra a Austrália, nas oitavas. Nas semifinais, Del Piero entrou já na prorrogação, e acabou marcando, no Signal Iduna Park, um dos gols da vitória sobre a seleção da casa. Na decisão, Del Piero voltou a sair do banco, viu Zidane perder a cabeça em Materezzi e acabou comemorando o título nos pênaltis. 

Dio Piero

Voltamos, então, a falar do Dio Piero. Em alta depois do título mundial, Del Piero voltou para Turim em meio ao incerto ano da Juve. Após o escândalo do Calciopoli, a Velha Senhora acabou rebaixada para a segunda divisão. Fabio Cannavaro, também campeão da Copa e eleito o melhor do mundo, foi para o Real Madrid. Outros também saíram, mas Del Piero continuou em Turim. "Um verdadeiro cavalheiro nunca abandona a sua senhora", chegou a dizer. 

O cavalheiro da Velha Senhora conduziu a equipe de novo para a primeira divisão. O Dio Piero seguiu em Turim até 2012, sendo considerado o grande ídolo da história do clube, com 704 jogos (ninguém vestiu mais a camisa da Juve) e 289 gols (maior artilheiro da história do clube). 

Com a camisa da seleção italiana, foram, ao todo, 91 jogos e 27 gols, sendo o quarto maior artilheiro do país, ao lado justamente de Roberto Baggio. Del Piero ainda seguiu carreira no Sidney FC, da Austrália, até pendurar as chuteiras na Índia em 2014, pelo Delhi Dynamos

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